Nesse dias aí pela vida, casei mais uma amiga. Truta do coração e de adolescência. Daquelas que não dá para relembrar o filme da sua vida sem que ela apareça por anos.Fiz tudo (mais ou menos) certinho: vestido e sapato de saltinho como da Dona Baratinha, Igreja, padre... e quase chorei. Não chorei porque todo mundo estava agitado demais. Não tinha clima ali do nosso lado da Igreja. Ninguém religioso, ninguém que acredita que é mesmo para sempre. Risinhos generalizados quando o padre diz: O que Deus uniu, o homem não separa. Sem contar uma madrinha que chegou no meio do casório esbaforida( aê nega, se você ler isso aqui, saiba que se você fizer isso no meu casamento, eu te mato!Mas fica tranquila porque a chances de que eu me case na Igreja são muito próximas das possibilidades de pacificação do Rio de Janeiro).
Chegamos ao momento do casório em que a ameaça dita e repetida por anos poderia se realizar, no contexto que imaginamos juntos por muito tempo. O fato é que nosso coletivo de amigos nunca foi fonte de admiração para o noivo. Digamos que nossa conduta não agradava o namorado, e agora marido, da amiga. Dizíamos que, caso ela se casasse com ele, faríamos uma intervenção para impedir o casamento quando o padre perguntasse: Se alguém se opõe a essa união, fale agora ou cale-se para sempre. Único instante em que a ameaça coletiva repetida por anos poderia acontecer. Realmente especial... Todos se olharam, a noiva um pouco angustiada, com medo de que a adolescência pudesse voltar e virar de novo verdade....
Claro que ninguém fez nada. A ameaça só fazia sentido nas tardes que passamos enfurnados bebendo cerveja com uma névoa espessa de fumaça no quarto da noiva. Só fazia sentido quando casar seria a desgraça das desgraças... Agora é bonito.
Quase chorei. A vida andando me emociona. Coisas remotas e que pareciam absurdas se realizam. A mina podrona vestida de noiva e de braços dados com o pai.
Fiquei com a sensação de que um dia vou acordar e estarei visitando os netos dos meus amigos...
Ou quem sabe os meus...