24.11.09

Pérolas de bar...

... e pérolas de bar nunca são politicamente corretas...



Encostado em um balcão, para lá de Bagdá, um figura olha para o parceiro e solta:

- Sabe qual é o sonho de toda onça?
- Ahn?
- Ter um casaco de puta.

18.11.09

Hoje sonhei...

Que sou professora.. Baaahhh! Coisa sem graça quando se sonha o que se é. Não gosto de sonho com cara de realidade...
Ontem passei o dia falando da redemocratização, do Sarney e o escambau. Desmaiei de tão cansada com a certeza que minha cabeça só voltaria no dia seguinte. Engano. Trabalhou a noite inteira. Discutiu planos econômicos, viveu com uma inflação de 224% na sombra, foi fiscal do Sarney, comprou coisas com ágio, lutou contra a carestia ao lado de outros professores...

Acordei mais cansada do que dormi. Com a cabeça tão acelerada que só me resta escrever qualquer coisa.

E ainda por cima, tive um medo danado de acordar e encontrar uma nota de 100 cruzados na mesa da minha sala... Acho que preciso de férias...

7.11.09

Podem me chamar de pelega, mas...



ABAIXO A TIRANIA FEMININA!

O mundo, as relações, o sexo... Nada vai ser fácil enquanto as mulheres continuarem a achar que o problema do mundo é a simples e ontológica opressão do macho... É a existência do homem em si. Acho que nessa linha, tudo só tende a ficar mais e mais complicado e dolorido. Por isso o meu apelo: Por favor minas, deixem os homens continuarem sendo homens, por favor! Eu gosto muito deles e não admito, não concebo, um mundo sem homens. Ou a existência medíocre de seres cabisbaixos oprimidos pela vingança de gênero. Dignidade para todos! Até para os homens rsrsrs...

4.11.09

É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar....



Vim de longe vou mais longe, quem tem fé vai me esperar
Escrevendo numa conta pra junto a gente cobrar

No dia que já vem vindo
Que esse mundo vai virar

Noite e dia vem de longe
Branco e preto a trabalhar e o dono senhor de tudo
Sentado mandando dar e a gente fazendo conta
Pro dia que vai chegar
Marinheiro, marinheiro quero ver você no mar
Eu também sou marinheiro eu também sei governar
Madeira de dar em doido vai descer até quebrar
É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar

29.10.09

Esses dias todos cinzas...
Inquietação na sala de casa
olhando para o computador que não quer escrever
a cafeteira que está cansada de trabalhar
o sofá sem marcas de gente
Ouvindo um mambo com o vizinho que dança na varanda

A vida por fazer
A casa por limpar

E uma vontade enorme de deixar tudo pra lá...

26.10.09

Quando os dois dizem sim....

Nesse dias aí pela vida, casei mais uma amiga. Truta do coração e de adolescência. Daquelas que não dá para relembrar o filme da sua vida sem que ela apareça por anos.Fiz tudo (mais ou menos) certinho: vestido e sapato de saltinho como da Dona Baratinha, Igreja, padre... e quase chorei. Não chorei porque todo mundo estava agitado demais. Não tinha clima ali do nosso lado da Igreja. Ninguém religioso, ninguém que acredita que é mesmo para sempre. Risinhos generalizados quando o padre diz: O que Deus uniu, o homem não separa. Sem contar uma madrinha que chegou no meio do casório esbaforida( aê nega, se você ler isso aqui, saiba que se você fizer isso no meu casamento, eu te mato!Mas fica tranquila porque a chances de que eu me case na Igreja são muito próximas das possibilidades de pacificação do Rio de Janeiro).

Chegamos ao momento do casório em que a ameaça dita e repetida por anos poderia se realizar, no contexto que imaginamos juntos por muito tempo. O fato é que nosso coletivo de amigos nunca foi fonte de admiração para o noivo. Digamos que nossa conduta não agradava o namorado, e agora marido, da amiga. Dizíamos que, caso ela se casasse com ele, faríamos uma intervenção para impedir o casamento quando o padre perguntasse: Se alguém se opõe a essa união, fale agora ou cale-se para sempre. Único instante em que a ameaça coletiva repetida por anos poderia acontecer. Realmente especial... Todos se olharam, a noiva um pouco angustiada, com medo de que a adolescência pudesse voltar e virar de novo verdade....

Claro que ninguém fez nada. A ameaça só fazia sentido nas tardes que passamos enfurnados bebendo cerveja com uma névoa espessa de fumaça no quarto da noiva. Só fazia sentido quando casar seria a desgraça das desgraças... Agora é bonito.

Quase chorei. A vida andando me emociona. Coisas remotas e que pareciam absurdas se realizam. A mina podrona vestida de noiva e de braços dados com o pai.

Fiquei com a sensação de que um dia vou acordar e estarei visitando os netos dos meus amigos...
Ou quem sabe os meus...

19.10.09

Babilônia 1000 grau!

Na Babilônia o tempo é esse: você sai de casa disposta a ter um dia absolutamente corriqueiro, medíocre e normal e eis que um motoqueiro quase te atropela na calçada para levar sua bolsa. Vale dizer que na terrinha quando alguém é assaltado, e não meramente furtado, vira notícia do jornaleco local. Aqui, a rapazeada nem olhou para o lado. Por um momento eu estava longe de casa sem nada, a não ser o bilhete único que ficou no bolso. Poder voltar para casa já é um adianto.
Eu andava distraída. Tinha um moço na cabeça. Devia estar com um ar de lesa, olhando para o céu tentando enxergar alguma coisa para além do concreto e vupt... o motoqueiro malandrão leva tudo. Meu lenço, meu documento e a porra de um livro que tinha me dado um certo trabalho para achar. Minha carteira. Eu não tinha um centavo, um cigarro ou a cara de pau suficiente para serrar o Belmont do velhinho na porta do bar. Fodam-se os documentos.Quem precisa de documento quando se está em São Paulo? Documento não é nada. O importante é o dinheiro. Queria meus cartões de banco e não minha identidade!?!?
Sem cidadania e sem celular. Levaram e nem me deixaram negociar o chip. Previsão: passar alguns dias sem telefone meditando e buscando o caminho do desprendimento. Ninguém me ligará. Eu só posso ligar para os poucos números que minha pequena memória armazenou. Nenhuma surpresa. Nenhum dos recadinhos que vinham perturbando minha paz e meu coraçãozinho.A agenda que acumulou histórias se foi. Nenhum número com marcas de lágrimas.
Na carteira, excepcionalmente, tinha um dinheiro que uma parceira tinha me entregado um dia antes. Saldo final: Setenta e cinco reais a menos, alguns números de telefones que já deviam ter ido embora e agora forçosamente foram e uma deliciosa sensação de relembrar a tranqüilidade que o mundo pós celular tirou da humanidade.

Francamente foi de graça.