16.10.08
Dia dos Profê
Tripla jornada, e olha que eu nem entrei no baby boom mais conhecido como efeito "Lulão". Mas enfim, ontem recebi recadinhos, minha mãe me ligou dando parabéns, o pessoal do grupo de estudo mandando parabéns para todo mundo... daquele jeito.
Bom, aproveito então para lembrar de um puta professor que me deu aula quando eu estava na sexta série: o Claitão japonês. Professor de inglês. Nunca aprendi grande coisa, sempre odiei aprender inglês, como odeio do fundo do meu coração até hoje. Mas ele era jovem, legal e trazia um monte de músicas bacanas. Foi nos ensaios de uma apresentação de fim de ano no qual, para meu desespero, teríamos que cantar em inglês que ele nos intervalos tocava músicas do Língua de Trapo. Ele me ensinou a tirar sarro da bossa nova, que é muito mais útil do que saber inglês. Cantava em ritmo de João Gilberto uma musiquinha qua começava "cagar é bom, quando a gente está em paz..."
Alguns aninhos depois, comecei a namorar um amigo dele, parceiro de banda. E o Língua de Trapo continuou animando minha vida mas agora nas rodas de fogueira em algum fundo de mato em Piedade. Com vinho vagabundo, claro.
Bom acho que já falei disso aqui, mas o fato é que de todas as músicas que ele cantava, a mais legal de todas era Deusdéti. Ele fazia um sotaque a la Piedade impagável. Muito pior do que o meu.
Saudades do Claitão. Casou, ficou um pouco atrapalhado em decorrência do tempo vivido no toyotismo in loco... mais um imigrante. Mas agora está lá em Piedade. O mesmo anjo da depressão, como costumávamos chamá-lo.
E o melhor, peguei a cifra de Deusdéti. É a típica música de roda de violão e fogueira, ou seja, músicas para quem não sabe tocar violão. Só tem 3 acordes. Apesar de já ter passado um pouco da idade, lá estou eu com meu violão tentando tirar a música. O Che adora.
Deusdéti
1ªparte (Falada)
Acho que foi num dia de São João Batista que conheci Deusdéti
Nesse tempo eu já era Marquexista e ela ainda ia em discoteque
Tentei de tudo, até lavagem cerebrár, meu saco tá que não guenta
Mas nem o Pinochet é tão radicar.Êta muiézinha lazarenta
Igual Deudéti, juro por Deus, não existe
A marvada só lê Capricho e livro da Agatha Cristie
Além do mais é metida a grã-fina, adora homem com
Fedor de gasolina que sina, que sina,
Em veis de ela estudá os pobrema da guerrilha urbana
só quer saber de escuitar música americana estrambólica
Também, a mãe é da liga das Senhoras Católicas
E o bode véio do pai é da Opus Dei
Não sei, não sei
Como é que eu vou sair dessa enrascada
Só se eu pegar o pai e mãe da danada e fazer papér de fachistão:
vendar os óios e carcá fogo num paredão
Só que eu tô ficando cheio de fole, virando um caboclo de coração mole
No lugar de apoiar a luta armada, fico fazendo verso pra namorada
Mas pra encurtar o caso, que nóis aqui temo prauzo prá terminar vamo cantar.
2ªParte (Cantada) Intro:(G D)
Se o nosso amor for logo, logo pras cucuia
A curpa é tua Deudéti
Enquanto eu falo o tempo todo em Che Guevara
Ocê freqüenta o "Tamatete"
Se o meu partido desconfiar qu'eu te namoro virge, porca miséria
Vamo passar toda nossa Lua-de-Mel quebrando gelo na Sibéria
Não pude, não pude
Não pude ir jantar com você no Maquesude
Ocê só pensa em champanhe, caviar e noutros produtos chiques
Esquece sempre que o seu futuro noivo é do Partido Bolchevique
Tem certos dias que me dá um nó na garganta
Daqueles bem morfético
Porque você rejeita o materialismo dialético
Não pude, não pude
Não pude ir jantar com você no Maquesude
7.10.08
Ronda
O que o inspirou a compor essa canção?
Paulo Vanzolini - A coisa mais engraçada é que o povo acha que Ronda é um hino a São Paulo, mas na verdade ela é sobre uma mulher da vida (risos). Naquela época, servindo o Exército, eu patrulhava o baixo meretrício. Uma noite, na saída, eu estava tomando um chope ali pela avenida São João, quando vi uma mulher abrindo a porta do bar e olhando para dentro. Imaginei que ela estava procurando o namorado. Ele pensava que era para fazer as pazes, mas o que ela queria era passar fogo nele (risos).
De noite eu rondo a cidade
A te procurar sem encontrar
No meio de olhares espio em todos os bares
Você não está
Volto pra casa abatida
Desencantada da vida
O sonho alegria me dá
Nele você não está
Ah, se eu tivesse quem bem me quisesse
Esse alguém me diria
Desiste, esta busca é inútil
Eu não desistia
Porém, com perfeita paciência
Volto a te buscar
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres
Rolando um dadinho
Jogando bilhar
E neste dia então
Vai dar na primeira edição
Cena de sangue num bar
Da avenida São João
4.10.08
Quando o invariável se torna variável
Não dá para negar que o casamento é um tema que perpassa constantemente a vida. Invariavelmente a conversa vem à tona. Invariavelmente alguém lembra e pergunta de alguém e invariavelmente alguém responde: casou. Tudo bem, se ficasse por aí. Mas até quando não é assunto, é assunto. Basta ligar a televisão é e sempre a mesma imagem cristalizada do que pode ser a vida de uma mulher. Invariavelmente elas estão na função de casar ou manter o casamento. Todas. Do jornalismo tosco da Alerta Geral na Record, passando por novelas, filmes e blá, blá... Os homens fazem peripécias, cantam, dançam, sapateiam e casam também. É só mais uma atividade, e não destino da vida.
Tudo bem, a boa e velha discussão de nossa amiga Simoninha Bevoir, a imanência para as mulheres e a transcendência do mundo para os homens.
Mas e hoje? A totalidade da imagem recriada e conservada pela senso comum do que é o caminho normal da vida, dá conta de explicar alguma coisa?
Provavelmente nunca se tenha conseguido recriar a realidade, nem pelo senso comum, nem pela ciência, porque isso é uma pretensão tão ingênua quanto impossível (os historiadores, que não primam ela modéstia, costumam ter essa ambição, mas tal desperdício de energia é outro problema). Mas também há de se pensar que o mundo mudou de uma forma mais radical, e as brechas são maiores. O senso comum, cada vez mais, dá menos conta de explicar o comportamento das pessoas. Reducionismos e argumentos ruins que procedem da idéia de que fodam-se essas novas realidades, de que não faz a menor diferença porque continuam a ser ricos e pobres, é preguiça de pensar e mantém a lógica binária do pensamento conservador de direita e de esquerda.
Afrouxa a moral.É uma puta mão na roda para as muitas mulheres que estão tentando, de algum jeito, tentar uma trajetória de vida diferente e menos medíocre do que a mera resignação ao que lhe foi historicamente imposto.Filhas do iluminismo. Poucas herdeiras e de certa forma, as únicas que se beneficiaram de algum jeito pelo desenvolvimento do capitalismo. Todos os sistemas exploraram homens e mulheres pobres. Mas só o liberalismo permitiu que mulheres e homens fossem explorados da mesma forma, podendo ter acesso a uma parte dos mesmos benefícios. Deus é uma nota de cem para homens e de cinqüenta para as mulheres.
E a pressão em cima das solteiras? Não é fácil não... O termo solteirona é o mais antigo e o mais escroto do mundo.
Não é um otimismo besta, sei que a base de tudo é mesma. As mulheres emancipadas estão em grande parte loucas para casar de qualquer jeito, a qualquer custo para não ficarem para tia. Mas ainda assim, acredito cada vez mais na mudança. O tempo acelerou e podemos perceber as transformações de um jeito muito gritante. O instante é o tempo presente. E daqui desse tempo, tem muita mulher mais preocupada em encontrar o amor, do em ter um homem. Perderam o medo de serem tratadas como elas merecem.
23.9.08
E no fim das contas, o que realmente importa?
O resto só aparece e move o mundo.
O Amor Bate na Aorta
18.9.08
Me estranhando no mundo
Sartre
Está difícil escrever qualquer coisa. Sensação de que minha vida está parada. Tudo em suspenso. Momento de olhar para dentro. Dificil mesmo escrever qualquer coisa quando nada está fazendo muito sentido. Tudo estranho. Tentando olhar para as coisas, para o mundo, e entender qual é a minha parte de histeria no que vejo. Até que ponto elas, as situações, os fatos, o mundo, são de certa forma simples e sou eu que dramatizo. Podem as coisas serem assim? Algo em essência e separado do que o meu olhar constrói a partir de minhas próprias percepções e neuroses?
Ando duvidando de tudo que vejo e gostando pouco da minha participação nisso tudo.Construo o mundo a minha volta, para mim, de acordo com minhas premissas, do meu ser.
E a cada dia gosto menos do que vejo.
10.9.08
Ainda sobre a emancipação feminina
Se emancipação é pagar as próprias contas, segue a letra de uma das maiores feministas da música popular brasileira... Vai Tati... quebra tudo...9.9.08
O PT morreu... Viva o PT!
Explico: O discurso é ruim, a política é pior. Mas, antes o PT sendo manso, do que o PSDB sendo selvagem. E ele é, todos sabemos. O PSDB com o Estado na mão, é um trator que destrói e desmonta qualquer tipo de benefício que se possa oferecer para os fudidos em geral.
Com isso na cabeça, você engole os bundas do PT. Engole com uma cachaça para ver se desce melhor.
A companheira fala de seu programa de governo, como se ele fosse o máximo da coragem, da mudança estrutural. Com aquela ênfase de viva la revolucion, mas utilizando, por exemplo, a bandeira da revitalização do centro. Ora, nenhum companheiro avisou que o termo é ruim? Que ter muitos pobres, não quer dizer estar morto?
Pensei nisso passando pela Praça Roosevelt com as companheiras. Quando eu me mudei para São Paulo (e nem faz tanto tempo assim), nem os cachorros sentavam para tomar uma cerveja naquele lugar, porque era fedido e insalubre.
Hoje, graças ao fato de que "a vida voltou", a cerveja subiu (acho que 4,50, ou seja, preço de zona ou de otário). Não dá para tomar cerveja do mesmo jeito. E além disso, é pouco atraente pensar naquele bando de gente pau no cú fazendo cara de sabida, concentrado no mesmo lugar. É insalubre também. Ofende.
Esse é o espírito. Revitalizar significa agregar valor. Agrega valor na cerveja, e por tabela, nas pessoas que bebem sua cerveja ali.
Ou seja, quem bebe junto com a ala intelectualizada da cidade, deixa de ser apenas um rosto bonito e uma cabeça vazia. Beber ali, significa que você pode compartilhar da cultura, da inteligência. E é bom lembrar que para grande parte dos artistas, cultura é o que eles fazem nos espaços culturais, e o viver do cotidiano simples não faz parte disso.E agora, sentado ali você é um deles. Essa é a parte mais fabulosa do mundo das mercadorias no seu estágio atual. Consumimos cultura, cerveja e nos identificamos plenamente com os artigos que compramos. Compramos um livro, porque é coisa de gente inteligente e não pelo prazer. Pagamos um absurdo na cerveja, porque com ela, também compramos o que ela significa. Não é ela que vale, é o lugar onde ela é servida.
E não é cevada o que está dentro daquela garrafa.
É cultura.
Segue o diálogo:
- E aí gentes, vamos beber aqui mesmo?
Coro:
-Não....
E nessas prefiro os lugares que ainda estão mortos no centro, mas que assim, me dão a sensação de serem de verdade, e não um simulacro. Já tentei diversificar, mas nesse lugares vivos, não rola nem vontade de paquerar, porque não dá para prever o mala que vai sentar na sua mesa. Vai que o cara tenta me cantar passando a bibliografia sobre o expressionismo no cinema alemão...
Como sempre, terminamos bebendo uma e comendo a boa e velha porção de calabresa em um daqueles lugares que estão mortos há muito tempo. Esse tem até uma lápide: Servindo desde 1958.
Estar vivo é pouco. Antes morto e cheio dos defuntos do centro (como os bolivianos que estavam do nosso lado) do que vivo com aqueles que, vivendo, matam a arte em nome da tal cultura.
Mesmo assim, a vida anda difícil e a conjuntura grita:
Pau no cú da Marta... Viva a Marta!
2.9.08
Tomá um pingão...
Vou tomá um pingão
Tião Carreiro e Pardinho
Ô, vida amargurada
Quanta dor que sinto
Nesse momento em meu coração
Ô, que saudade dela
Não aguento mais
Vou lá na vendinha
Vou tomá um pingão
1.9.08
Companheiro é companheiro
Amo por sua caipirisse genuína. Em Piedade, nosso vocabulário básico tem algumas peculiaridades:
- Utilizamos verbos no diminutivo (como já bem percebeu meu companheiro blogueiro BIR)
Ex: Andandinho, comendinho, bebendinho, viajandinho... palavras essenciais.
- Mas também, utilizamos o diminutivo em adjetivos. Ex: Gostosinho, amarguinho, levianinho.
- E também colocamos ADA para expressar quantidade. Ex: Putaiada, carnaiada, coisaiada, homarada, muierada.
Mas gosto mesmo é do repetório do bar. Sempre aprendo uma música nova. Como a dessa semana. Salve os companheiros de Piedade. E os maravilhosos fins de semana que ele me dão.
Companheiro é Companheiro
César e Paulinho
Escolha bem seus amigos de conduta
Companheiro é companheiro
Filha da puta é filha da puta (4x)
Quem veste a nossa camisa
É companheiro
Quem põe nós na confusão
É filha da puta
Quem ajuda quem precisa
É companheiro
E quem deixa a gente na mão
É filha da puta
Quem devolve o que empresta
É companheiro
Quem enrola e não retrosa
É filha da puta
Quem convida nós pra festa
É companheiro
E quem deseja o mal pra nós
É filha da puta
Escolha bem seus amigos de conduta
Companheiro é companheiro
Filha da puta é filha da puta
(3x)
Quem trabalha honestamente
É companheiro
Quem rouba o nosso dinheiro
É filha da puta
Quem tá do lado da gente
É companheiro
E quem dá golpe à traiçoeira
É filha da puta
Quem vibra o nosso progresso
É companheiro
Quem tem inveja remota
É filha da puta
quem quer o nosso sucesso
É companheiro
E quem quer que a gente se afogue
É filha da puta
Escolha bem seus amigos de conduta
Companheiro é companheiro
Filha da puta é filha da puta (6x)
27.8.08
Trotsky para prefeito de São Paulo!

Não é o próprio gente?
Quem mais colocaria a Internacional Comunista, tocada por um teclado a la anos 80, como fundo musical da propaganda política? Quem mais bradaria em pleno horário nobre da TV: Governança Comunista, por uma São Paulo camarada? E ainda colocaria uma puta tia rouca, feminista e comunista com um ar de Heleninha Roitman como candidata a vereadora?
É por essas e outras que nós, do coisinhas e nóis, apoiamos Edmilson Costa. E é por esses figuras que eu adoro horário eleitoral e eleições....
22.8.08
Para a companheira de vida e de carnavais

Caetano Veloso
Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E a mãe do seu irmão
Minha mãe e eu
Meus irmãos e eu
E os pais da sua mãe
E a irmã da sua mãe
Lhe damos as boas-vindas
Boas-vindas, boas-vindas
Venha conhecer a vida
Eu digo que ela é gostosa
Tem o sol e tem a lua
Tem o medo e tem a rosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a noite e tem o dia
A poesia e tem a prosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a morte e tem o amor
E tem o mote e tem a glosa
Eu digo que ela é gostosa
Eu digo que ela é gostosa
Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E o irmão da sua mãe
21.8.08
E a vida andando
Eu te amo
Chico Buarque
Composição: Tom Jobim / Chico Buarque
Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.
Politica I
E nesse ano tudo está ainda mais legal para mim: Meu pai, depois de muitas eleições, se retirou da cena política piedadense. Não sou mais filha de candidato, e logo não vou ser mais filha de vereador. Não que hoje em dia me incomode tanto, mas na adolescência era um inferno. E olhe que eu nem era do PT. Em época de eleição sempre rolava aquela intimada de bar, no calor das discussões políticas:
-E aí, e o seu pai?
- Que tem meu pai?
- Você vai votar nele?
- Não sei.
- O cara está com o Tadeu (PSDB), mas é seu pai.
- Pois é, seu eu pudesse não deixava.
- Imagina se você não vota nele e ele perde por um voto?
- Puts, que merda.
Essa conversa era tão freqüente, que não tinha como não ficar pensando. Em Piedade, dado o número de eleitores, é perfeitamente possível alguém perder por um voto. E no fim, na hora, eu sempre votava. Votava, antes escrevendo Camarão na cédula, e agora, no tiozão da foto que aparecia na tela da urna.
Em outra ocasião, os vereadores resolveram, como é de praxe, aumentar o próprio salário. Cidade em polvorosa, a galera achando uma vergonha. Na escola todo mundo falando, puto. Até que um professor, de História e do PT (craro), resolveu levar todo mundo para a Câmara na hora da sessão. Foi a coisa mais punk que eu já vi em Piedade. A molecada tomou o lugar, e jogaram até sofá pela janela. Todo mundo empolgado, escutando as justificativas dos vereadores. Eu naquela puta situação desgraçada, meio no canto, dava um grito e depois me escondia no fundo. Até que meu pai foi abrir a boca (ele tinha votado contra, ufa....) e um menino do meu lado, que eu á não trombava muito, levanta no meio da fala dele e grita:
- Ladrão... Você é um ladrão como todos esses outros daí.
Meu pai parado, olhando para ele. Um mamute chucro e enfurecido olhando para um menino de 16 anos que a essa altura já estava visivelmente assustado.
- Sua sorte moleque é que você é de menor, porque se não, eu descia daqui agora e aí você ia ver quem é o ladrão.
Nossa... O menino fez um B.O contra o meu pai por ameaça. E eu admito que dei uma queimada de leve com o cigarro no figura. Foi horrível ver alguém xingando o meu pai de ladrão. E mais horrível ainda ter que ficar acuada e não poder xingar o pai dos outros livremente, como é a parte divertida de qualquer manifestação.Porra, por que tinha que ser logo o meu pai no meio daquela palhaçada toda?
Outro dia fui tomar uma com a galera de lá. Saímos do bar do Mineiro (porque toda cidade de respeito tem que ter um bar do Mineiro) e fomos para o bar da Preta Véia, que fica no meio do nada com lugar nenhum, cercado com muito mato. E assim podemos fugir da maldita lei do psiu e fazer um som. Aí chega o Zezé, amigo do meu pai e tocador oficial do violão de 7 cordas. Conversa vai, conversa vem...
-Ô fia, dessa vez seu pai não vai não né?
- Pois é Zezé, cansou, tá precisando cuidar da vida.
-E você, vota em quem?
-Poxa, no Baitaquinha né, lógico.
Tô em campanha... Se tudo der certo, o Baitaca, meu candidato, terá uma trajetória “a la Lulão” e em mais 3 ou 4 eleições ele vai ser prefeito.
Hehe.
13.8.08
Sobre a vitória do feminismo liberal
Para Cqs... Afinal isso aqui saiu depois uma longa orgia gastronômica no famigerado Rei do Filé, gastando nossa parte de salário, ops, quer dizer, de emancipação...
O mundo não para. A produção não cessa e compete incessantemente entre si. Rivalizando consigo mesma, a máquina se humaniza e coisifica a humanidade na medida em que suas necessidades são mais importantes. Ela precisa ser mais rápida e mais eficaz, e para tanto, o homem atrapalha.
- Ele gera custo, ele precisa de salário. Esse desgraçado tem família e eu tenho que sustentá-los, sendo que nem sei se vou precisar dos seus filhos futuramente, como no tempo de minhas máquinas avós.
Quando um dia, a vaidade das máquinas, que querem ser melhores entre si, conseguiu praticamente extinguir o trabalho vivo, apenas alguns machos @ continuavam a ser importantes, afinal eram eles que podiam alimentar o duelo de Titãs que se estabelecera. Eles e somente eles ainda participavam da brincadeira, eram os melhores. Os outros, no início, ocupavam outros setores da sociedade, o de serviços. Entretanto, as mulheres aos poucos foram dominando seus espaços. A cada dia elas emancipavam-se mais e mais dos homens e prendia-se ao pouco trabalho que ainda restava. Elas trabalhavam com afinco, eficiência, colocavam a carreira/emprego em primeiro lugar. Elas precisam se libertar, ficar livres de seus algozes ancestrais, e vender a alma para o diabo-deus mercado era o preço a se pagar pela liberdade. A liberdade, aquela... A mesma que os homens lutavam há mais de duzentos anos para conquistar. A liberdade de consumir, de ser um indivíduo, de poder vender minha força de trabalho para o senhor de engenho que eu quiser. Viva a liberdade!
Muitos homens passaram a perambular pelas ruas, perdidos, sem saber o que fazer agora que lhes tiravam o trabalho. Batiam em suas esposas quando essas regressavam do dia de liberdade na roda viva do mercado. Não podiam compreender como o mundo os havia descartado. Eles é que construíam o mundo. As mulheres cuidavam das atividades subsidiárias. Assim é o mundo livre.
As mulheres, libertas e presas, passaram a perceber todo o poder que o diabo-deus havia lhes dado. Passaram a desprezar os homens. Eles não serviam mais para nada mesmo. Podiam comprar apetrechos chineses baratos que supriam a força física necessária para se abrir uma lata de palmito. Tudo é moderno: Ou se arruma com um tapa, ou se joga fora e compra outro quando der.
Entre eles, muitos se resignavam e, por vezes, até gostavam da nova função: Donos do lar. Agora a casa e os filhos eram deles. Pediam dinheiro para a mulher para comprar cigarros e a cervejinha (uma só porque elas geralmente não gostavam que ele bebessem muito) do fim do dia.
- Afinal, talvez seja melhor do agüentar aquele filha-da-puta do Alcides que passou a me foder depois que virou chefe. Pelo menos ela gosta de sexo.
As mulheres agora tinham tempo além do trabalho para pensar em outras coisas. Podiam ir para o bar, ver as amigas, discutir política. Começaram a ter idéias novas. Começaram a organizar associações políticas, soviets exclusivamente femininos. Faziam greves no setor privado de serviços, eram unidas e vez por outra paravam todo o sistema de telemarketing de uma cidade. Praticamente paravam o comércio do lugar. Não tinham força na produção, dado que o setor era minúsculo, mas atuavam fortemente na circulação de mercadorias.
Elegeram uma presidenta, pelo partido Scum, fazendo coro com outros diversos países. Até a China já era governada por uma mulher. A América Latina e a Europa em sua maioria também. Apenas os E.U.A continuavam com um presidente homem, um pastor, mas estes já não tinham tanta importância...
Tomaram o Estado. A social democracia das mulheres, já que as membras consideradas radicais por falarem de classe e fazerem a crítica ao sistema foram banidas. Eram dinossauras anacrônicas.
Aí foi demais. Milícias de machos passaram a se organizar. Machos pobres principalmente, aqueles que não conseguiam se adequar ao mundo das mulheres. Não tinham emprego, e não conseguiam se casar. A questão de gênero continuou sendo uma questão de classe, como sempre foi, mas agora, os homens é que estavam na rebarba do sistema. Eram eles que lutavam por direitos.
A tensão aumentou. A Presidenta Scum, alegando motivos de força maior e segurança pública, convenceu o Senado e a Câmara, ambos constituídos basicamente por mulheres lindas, ricas e que gozam loucamente, ou seja vitoriosas, e por isso eleitas, a lhe dar plenos poderes para agir. O executivo precisava ser forte para que dessa forma, pudesse ter agilidade e destreza para agir enérgica e pontualmente no que fosse necessário. O exército, dividido entre mulheres e submissos conservadores que agiam apenas pela cabeça de suas esposas, estava com ela.
Para que a ordem das coisas se mantivesse: a produção funcionando, as mulheres pobres trabalhando como serviçais baratas, e seus homens cuidando da miserável casa e dos seus mal cuidados filhos, além de fazerem bicos da casa de madamos, os privilegiados que passavam o dia tomando wiski enquanto a mulher mega executiva trabalhava e tinha amantes.
Para que essa bela obra não se desfizesse, esse mundo que lutamos tanto para conquistar. Quantos sutiãs queimados? Quanto trabalho gratuito para mostrarmos o quanto éramos eficientes? Quantos filhos não tidos ou simplesmente largados pelo caminho, nas casa de avós ou na rua?
A perseguição passou a ser cruel. A presidenta escum que nunca vira com bons olhos a permanência de vícios de feminilidade fora da esfera estritamente sexual reprodutiva da cama, fechou o congresso alegando que aquelas mulheres lindas estavam à serviço dos homens. Elas continuavam a se enfeitar porque subjetivamente, eram submissas. E muitas subjetividades viram uma objetividade, portanto uma fraqueza. Foram todas gentilmente enviadas para casa e voltaram as suas atividades de empresárias herdeiras. Magoadas, mas como eram ricas, podiam continuar a serem as fofas enfeitadas em seus oásis particulares. Pensando bem é até melhor, dado que sendo ilegal, constituia um privilégio ainda maior. Lá poderiam fazer as unhas, hidratação, depilação, massagem... Poderiam passar o dia experimentando roupas e modelos novos. Cheirando a melhor cocaína e indo fazer 3 horas de ginástica. E de noite, iam lindas e clandestinas para lugares escusos, onde pagavam bebidas para vagabundos bonitos e silenciosos... Esses guetos eram frequentados por mulheres ricas ou de classe média, apenas fúteis e loucas por diversão, ou subversivas e atuantes politicamente. De qualquer forma, os locais eram poucos e elas acabavam por freqüentar os mesmos ambientes, unindo-se territorialmente por não se resignaram ao Estado. Poucas mulheres pobres conseguiam ter acesso a esse mundo. Por vezes, essas moças, fúteis ou progressistas que se mesclavam entre si, e que encontravam homens de vida clandestina nos guetos mais obscuros. Eles, apesar de inimigos para a maioria, para o senso comum, de questionarem a hegemonia e opressão das mulheres, eram homens que pareciam tão interessantes... Já as guerrilheiras, aquelas que foram banidas nos primeiros tempos da social democracia feminista, viviam escondidas no pouco que nos restava do que chamávamos de “campo”, mato.
Enquanto isso, as mulheres pobres deveriam sacrificar-se pela causa feminista de Estado. Uma sociedade nova só poderia ser construída com muito esforço e disciplina. Nada de perder tempo se arrumando. Isso são resquícios do tempo em que éramos escravas dos homens. Os interrogatórios eram cruéis.
- Você vestiu uma lingerie preta e ficou de quatro, em posição de submissão ao seu amante?
- Não..... juro que não....
- Mas sua vizinha delatou você. Disse que ouviu coisas indecentes do barraco dela e, quando foi verificar, lá estava você, cedendo as próprias fantasias.
- Tá bom, eu confesso. Dei de quatro e vesti lingerie vermelha.
- Era preta.
- Tá. Tá... preta então....
E no outro caso, com as moças de classe média:
- Você deixou de ir trabalhar na empresa e passou o dia tomando sorvete de chocolate, assistindo filme romântico e chorando pelo seu ex? Aquele que te trocou por uma perua de salto alto, altamente subversiva?
- Não... eu estava chorando porque não passei em uma prova da pós graduação...
- Mentira, era por causa de um homem.
- Não, juro. Era pela minha vida profissional...
A opressão pelo ser correto e plenamente feminista passou a ser tanto quanto a piora significativa nas condições de vida. Nem mesmo as mulheres tinham emprego. Muitas camelôs andavam pelas ruas com suas mercadorias, e, mesmo a atividade tendo sido proibida aos homens, elas também eram muitas. Faxineiras andavam de casa em casa oferecendo seus serviços. Concorrendo com elas e clandestinamente, portanto de forma mais barata, homens donos de casa buscavam serviço para ajudar suas mulheres desempregadas.
Milhões de pessoas iam para as ruas e exigiam eleições livres mistas. Achavam que o problema do Estado e do eminente colapso econômico, era a falta de democracia, transparência e vontade política. Diante das pressões, a Presidenta Scum renunciou. O governo provisório e misto que assumiu o poder, imediatamente, liberou a censura aos salões de beleza e as fábricas e manufaturas de produtos de beleza em geral. Restabeleceu-se a liberdade de ser enfeitada e bonita, enquanto manteve-se a opressão de todo o resto. As guerrilheiras que teimavam em falar de igualdade social continuavam banidas e perseguidas.
Mas o mercado da beleza reaqueceu os empregos femininos. O dinheiro voltou a circular por meio de unhas feitas e cabelos pintados. A desigualdade continuou, mas agora poderíamos continuar lutando por liberdade. Podemos continuar pedalando sem chegar a lugar nenhum. Sem ao menos sair do lugar...
E assim, a aparência foi considerada em detrimento da essência e as questões conseqüentes, transformados em questões primordiais, esconderam onde é que realmente morava o problema. E o capital continuou caminhando para sua ruína, levando consigo uma parte do mundo. E a paz dos pobres mais uma vez se restabeleceu...
12.8.08
E o problema continua o mesmo...
11.8.08
Itamar para os raivosos
Vê Se Me Esquece
Já que você não aparece,
Venho por meio desta
Devolver teu faroeste,
O teu papel de seda,
A tua meia bege,
Tome também teu book,
Leve teu ultraleve
Carteira de saúde,
Tua receita de quibe,
De quiabo, de quibebe,
Do diabo que te carregue,
Te carregue, te carregue
Teu truque sujo, teu hálito,
Teu flerte, tua prancha de surf,
Tua idéia sem verve,
Que nada disso me serve
Já que você não merece,
Devolva minhas preces,
Meu canto, meu amor,
Meu tempo, por favor,
E minha alegria que,
Naquele dia,
Só te emprestei por uns dias
E é tudo que lhe pertence
Ps: já que você foi embora por que não desaparece?
8.8.08
O grande pulinho chinês...

1.8.08
O tal do politicamente correto...
me parece que a sociedade resolveu utilizar a linguagem para fingir que os problemas não existem. Anulando a forma-palavra, passa-se a fingir que o preconceito, as sacanagens, os valores deturpados, a evidente valorização da vida de alguns em detrimentos de outras, deixaram de existir.
Ninguém mais fala.
E tudo contunua a existir.
E assim varremos o problema para debaixo do tapede. O melhor, dos dicionários.
Mas e o humor? Onde fica o humor?
Como fazer humor politicamente correto? Como pode tudo ficar mais chato e careta a cada dia?
Não sei, mas pensei nisso com uma piada que ouvi no rádio. Engraçada e incorreta.
E agora? É feio dar risada?
Terremoto no Ceará
Depois dos terremotos ocorridos na Ásia, o Governo Brasileiro resolveu cobrir todo o país. O então recém-criado Centro Sísmico Nacional, poucos dias após entrar em funcionamento, já detectou que haveria um grande terremoto no Nordeste do país.Assim, enviou um telegrama à delegacia de polícia de Icó, uma cidadezinha no interior do Estado do Ceará.
Dizia a mensagem :
-Urgente. Possível movimento sísmico na zona. Muito perigoso. Richter 7. Epicentro a 3 km da cidade. Tomem medidas e informem resultados com urgência!!!!
Somente uma semana depois, o Centro Sísmico recebeu um telegrama que dizia:
- Aqui é da Polícia de Icó. Movimento sísmico totalmente desarticulado. Richter tentou se evadir, mas foi abatido a tiros. Desativamos as zonas Todas as putas estão presas. Epicentro, Epifania, Epicleison e os outros cinco irmãos estão detidos.
Não respondemos antes porque houve um terremoto da porra aqui!!!!
29.7.08
Que belo estranho dia para se ter alegria
Esses dias, um dos amores da minha vida veio me visitar. Tão bom encontrar pessoas que sempre fizeram parte da vida da gente... Além da companhia maravilhosa, poucas pessoas conseguem me levar até um museu. Com ele, até uma exposição fica interessantíssima...
Bom, além disso, essas pessoas que por vezes voltam para a minha vida, me trazem coisas boas de saber e ouvir. A última descoberta foi uma moça chamada Roberta Sá. Ela até já participou do FAMA, mas depois de ouvir suas músicas, acabei relevando a falha curricular da moça.
Para os que, como eu, estão um pouco fora do mundo, segue uma letra muito bonita... cantada fica ainda melhor...
Logo eu que nunca gostei das moças que cantam fininho, hehe...
Belo Estranho Dia de Amanhã
Composição: Lula Queiroga
Notícias perderão todo o controle dos fatos
Celebridades cairão no anonimato
Palavras deformadas
Fotos desfocadas, vão atravessar o atlântico
Jornais sairão em branco
E as telas planas de plasma vão se dissolver
O argumento ficou sem assunto.
Vai ter mais tempo pra gente ficar junto
Vai ter mais tempo pra enlouquecer com você
Vai ter mais tempo pra gente ficar junto
Vai ter mais tempo pra enlouquecer...
Os políticos amanhecerão sem voz
O outdoor com as letras trocadas
Dentro do banco central o pessoal vai esquecer
Como é que assina a própria assinatura
E os taxistas já não sabem que rua pegar
Que belo estranho dia pra se ter alegria
E eu respondo e pergunto.
É só o tempo pra gente ficar junto
É só o tempo de eu enlouquecer por você
É só o tempo pra gente ficar junto
É só o tempo de eu enlouquecer...
Alarmes já pararam de apitar
O telefone celular descarregou
O aeroporto tá sem teto
E a moça da tv prevê silêncios e nuvens
A firma que eu trabalho faliu
E o governo decretou feriado amanhã no Brasil
Será que é pedir muito?
É só um jeito da gente ficar junto
É só um jeito de eu enlouquecer com você
É só um jeito da gente ficar junto
É só um jeito de eu enlouquecer...
28.7.08
Ansiedade
25.7.08
22.7.08
Hoje acordei....
18.7.08
Há um hippie em pé no meu portão, no meu portão, no meu portão... Salve Raulzito!

Mais algumas da série "I wanna be hippie" no paraíso das apostasias e tendências orientalizantes...
" Eu cheguei nas profundezas das fossas abissais. E se todo mundo for complicado como eu, o mundo nunca vai dar certo."
" - Imagine se eu tivesse conhecido esse lugar aos 15 anos?
- Pois é... Deus sabe o que faz."
"- Ô figura, sua mãe não mandou passar o hidradante todo dia?
- Não, só depois do banho."
11.7.08
Por hoje é só amiguinhos....
Uma das boas sensações da vida, na minha humilde e operária condição, é terminar um trabalho. Acabei de apertar o “enviar” em um e-mail que levou com ele muitas das minhas horas. Na verdade, praticamente minhas férias inteiras já que trabalho (quer dizer, dou aulas) para sustentar o hobby, que é ser historiadora. Estou tão emocionada que me sinto a vontade para entrar no clima da academia e fazer agradecimentos para as pessoas diretamente envolvidas no processo:
Momento piadista com uma taça de vinho aqui do meu lado, agora o ser que vos escreve ficará alguns dias afastada de um computador, lendo romances em algum lugar entre MG, RG e SP. No melhor estilo “I wanna be hippie”, juntaremos cachorro e crianças e iremos para um desses lugares em que se ouve Raul Seixas, se vê cachoeiras lindas e se come pão integral. E eu faço bolinho de chuva de manhã para garantir a quantidade de massa e fritura suficiente para uma boa alimentação.
10.7.08
Mais um minuto de sabedoria...
Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.
9.7.08

O amor transita por todos os lados. Lado a lado com o libidinoso espetáculo dos encontros furtivos, dos amores de uma noite só, comprados ou não...
As mãos dadas circulam pela praça junto as crianças e os cachorros...
Por aqui ainda se namora na praça.
É bonito, mas de tempos em tempos, dá um nó na garganta. De lembrar o que deve ser esquecido.
6.7.08
Numa tarde linda de sol....
A casa da Piná foi simbolicamente inaugurada, com fita e tudo. Piná é aquela típica moradora do subdesenvolvimento, do pós-moderno sem ao menos ter sido moderno. Piná é preta, pobre, travesti e manca de uma perna. Piná nunca teria, nesse mundão de filha-da-puta, uma casa como a que ela tem hoje. E não porque ela nunca teria acesso aos 20 mil reais. Mesmo que tivesse, não é tanta grana assim. O problema é que para ela, não tem como chegar. Ela não teria nem por onde começar. Não existem projetos para essas pessoas, elas não são produtivas.
Na hora de ir embora, encontrei a figura sentada próxima ao espetáculo de teatro que se apresentava.
- Você foi ver minha casa?
- Como não Piná. Você foi a estrela da festa.
- Se viu minha filha, 3 dias antes é que decidiram que ia ser minha casa. Tem dedo meu aí. Invoquei tudo quanto é santo, pedi para minha Iansã e olha só... Agora só me falta um cobertor de orelha...
-Pois é, mas isso vem mais para frente...
- Quer saber, falta nada. O importante é gozar viu minha filha. Se vai ser com alguém que vai ficar ou que vai embora, não importa. Importa é acordar feliz, com a pele mais bonita, dando bom dia para os passarinhos...
Vai Piná... sua história podia não ser tão única.
3.7.08
Salve as piriguetes!
1º Pista- Legal, todo mundo dançando... nada demais. Eis que de uma hora para outra a mulherada começa a subir na mesa e rebolar. Você olha para ver se alguém está obrigando.
Não, não estão.
Quando ela me ve ela mexe,
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete !
Rebola devagar depois desce,
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete !(x2)
De mini saia rodada,
Blusa rosinha,
Decote enfeitado,
Com um monte de purpurina,
Ela não paga,
Ganha cortesia,
Foge se a sua carteira estiver vazia,
Vai na micareta,
Vai no Pop Rock,
Festa de Axé,
Ela só anda de top,
Ela usa brilho,
Piercing no umbigo,
Quando toca reggaeton,
Quer ficar comigo ?
Quando ela me ve ela mexe,
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete !
Rebola devagar depois desce,
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete !(x2)
Foto de espelho,
na exibição,
Ela curte funk quando chega o verão,
No inverno essa mina nunca sente frio,
Desfila pela night com o short curtinho,
157 de marido,
Ela gosta é de cara comprometido,
Não tem carro,
anda de carona,
Ela anda sexy toda guapetona,
Ela não é amante,
Não é prostituta,
Ela é fiel,
Ela é substituta !
Quando ela me ve ela mexe,
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete !
Rebola devagar depois desce,
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete ! (x2)
E não são só as modelete. Tem beleza de todo tipo, aquela fartura de carnes e cofrinhos para todo lado.
As compa começam a se animar. Uma delas pensa em subir também. Para e diz: Só gosto de subir na mesa quando não pode.
Enquanto isso, a outra compa já está começando a ficar cor de rosa e a subir a saia. Uhuhuhu
Eu já achando o máximo. Nunca entendi essa mania de intelectual em infantilizar-se. Entre a putaria chula e os saltimbancos... Sinceramente prefiro a segunda.
2º pista
Vamo lá mulherada... Esquece pelo menos hoje, todas as suas discussões de gênero.
Você que é do tipo que nunca foi a mais gostosa da escola, andava de camisa larga xadrez, sapato de camurça, junto com um monte de moleque e se orgulhava de sempre ganhar os garotos na conversa e não com um par de peitos.
Você que sempre se recusou a ser um bife no grande açougue que é o mundo.
Você que acha que ser feminista e de esquerda é antes de tudo ser feia e parecer a companheira trotskista Heloisa Helena, " a sem vaidade".
Vai pro baile!
É realmente muito louco ver um espaço em que todas são princesas. A luz, a música, todo mundo rebolando e pirando.
E aquele monte de homens com cara de neolíticos em busca da caça te rodeando.
Não tem como não ser sedutor. É a hora de mandar a porra da patroa, do telemarketing, do seu sei lá o quê para a casa do caralho e se sentir o máximo. Todo o imaginário, toda a vontade de ser bonita, importante, desejada, se realiza ali.
E os ladrão com copo de visqui e cara de poderoso chefão te olhando...
De repente você nota a amiga intelectual como você, de saia curtíssima e fazendo uma careta. Você lê nos lábios dela:
Que porra é essa?
Sai do transe. Presta atenção na letra:
Como é que ela vai? vai sentando!!
solta essa porra! senta senta senta aqui.
a pedido das novinhas.. solta essa porra
você quer meu cu, você quer minha buceta ou vc prefere que eu te toque uma punheta
vou te chupar ate vc gozar.. eu vou gemer, ate te enlouquecer!
eu vou gemer, toque uma punheta
vai sentando vai sentando vai sentando....
Eita porra. E a putaria deitando e rolando... Todo mundo se redimindo da falta de sentido que é o mundo.
Ai droga. Comecei a pensar de novo... deixa pra lá.
E o Thaíde me salvou....
O que?
Eu mais gosto, quando mando a rima
É ver?
Todo mundo com a mão pra cima. 2X
Por que?
Este peso sei que contamina,
Os manos aperta, e as minas empina
Balance os quadris, mesmo que não souber dançar
O hip hop tá na veia, nem precisa injetar
fumaça no ar, passa pra cá o goró
Quem pode curte de tudo, vai se achar bem melhor
Sem medo, sem dó, música é melhor que pó
As minas estão louquinhas molhada de suor
Eu não tô só, e uma já piscou pra mim
No tempo do 'perreio', eu não era tão fácil assim
Dj pega meu disco, já conhece a faixa
Pista cheia, meu som bombando nas caixas
Pisou no pé de alguém? Peça desculpa e disfarça
Se pisarem no seu pé, não esquenta logo passa
Sensualidade tá no ar
Beijo e abraços fazem parte desta atmosfera
Vejo mulher bonita e gostosa pra lá e pra cá
é só se controlar
transar sem camisinha já era
O que?
Eu mais gosto, quando mando a rima
É ver?
Todo mundo com a mão pra cima. 2X
Por que?
Este peso sei que contamina,
Os manos aperta, e as minas empina
A pergunta é, problema para quêm? Parafraseando o companheiro José de Souza Martins.
Do alto da pequena burguesice, a galera continua procurando o povo revolucionário. E essas daí não servem. Elas gostam demais de sexo e da própria imagem. São pelegas e vendidas.
Eu me diverti as pencas. Adoro festa pelega... de gente que quer mais é lavar a alma e não dar lição de vida e servir de modelo do que é legal e inteligente para ninguém. Muito menos para a posteridade.
E hoje eu sou solteira e ninguém vai me segurar. Daquele jeito...
30.6.08
Sonetos que não são

Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha.)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
20.6.08
Ai, o Carvana...
"Neste sentido, o “New Labour” e todos os seus imitadores demonstram-se, em todo o mundo, compatíveis inteiramente com o modelo neoliberal de seleção social. Pela simulação de “ocupação” e pelo fingimento de um futuro positivo da sociedade do trabalho, cria-se a legitimação moral para tratar de uma maneira mais dura os desempregados e os recusadores de trabalho. Ao mesmo tempo, a coerção estatal de trabalho, as subvenções salariais e os trabalhos assim chamados “cívicos e honoríficos” reduzem cada vez mais os custos de trabalho. Desta maneira, incentiva-se maciçamente o setor canceroso de salários baixos e trabalhos miseráveis."12.6.08
O aniversário da foca
5.6.08
lendo o mundo pelo rádio
Manhã de café prolongado, ouvindo um pagode, sem falar de nada. Esses pequenos prazeres são inexplicáveis. São aquelas coisas que a gente gosta, e muitas outras pessoas não vêem o menor sentido. Tipo o sujeito que gosta do seu bicho-de-pé, só para poder chegar em casa a tarde e coçá-lo. Vai saber as esquisitices de quatro paredes que existem por aí...
Mas também me impressiona como sou capaz de passar horas ouvindo rádio. A companheira do blog “histérica e feliz” adoraria ser locutora. Eu adoraria ser sua ouvinte. Mandaria recadinhos para o meu amor e tudo...
Mais especificamente, acho a 105 fm um dos jabás mais bem investidos das rádios comerciais. Claro que não tem como não lembrar do filósofo Mano Brow:
“...periferia...corpos vazios e sem ética lotam os pagodes rumo a cadeira elétrica...eu sei vc sabe o que é frustação...máquina de fazer vilão...”
Durante todo o dia, acompanhando as tarefas da rapaziada, em meio a cozinhas alheias, filhos que não são os seus, ou carros nos quais você nunca vai passear, fala-se de amor. O tempo todo. Boa parte das músicas se preocupa em pensar o amor nas suas milhões de formas cotidianas. Uma fala do casal feliz, outra fala de separação, outra fala de traição, de amizade, de saudade, da vontade de amar, de esquecer ou de ficar sozinho, “na pista”.
E as pessoas participam pedindo músicas. E nem sempre o que elas querem ouvir, são as mais pedidas da semana. Geralmente são oferecidas para alguém, e aparece de tudo.
Os cobradores de ônibus disparam na lista dos que mais recebem recadinhos : Antonio da linha Jardim Miriam – Vila Gomes, só você não vê que estou de olho em você.
Meninas, o Lêêêêê lêlêlêlê (só você tem o meu amor) do exaltasamba continua em alta.Encantadora de gatos, Temporal sempre aparece em algum apelo apaixonado, comove até agora.
O bacana também é que a rádio se divide basicamente em duas: O pagode e o rap. O espaço rap é um espaço respeitado. A rapaziada participa, manda abraço para os amigos que estão “do outro lado da muralha”, fala da vida. Muitos desempregados, e para eles o programa anuncia empregos do PAT (posto de amparo ao trabalhador). As vagas de trabalho são aquela coisa. Muito e mal pago.
Para os empregados, como os muitos seguranças privados noturnos, serve de companhia, um cara falando umas coisas legais, um música bacana, as pessoas participando.... e claro, tem transmissões de jogos. Em dia de jogo do Curinthia, como aconteceu ontem, a galera não se aguenta.
E para mim, é como ouvir uma partinha do mundo sem parecer estar nele.
V.L. Também Ama
Trilha Sonora Do Gueto
Composição: Trilha Sonora do Gueto
É vida loka, muito amor, muito amor...
Cê tá ligado, você é o que precisa mais de amor.
O vida loka é o que vai pra guerra
Você vai pra guerra ... você é o vida loka
Então muito amor vida loka, muito amor.
Sexta a tarde, fecha o sinal
A garota para o carro,
Ao lado encosta outro carro,
Ela olha ...
É um vida loka de boné pra trás,
barba por fazer
Ele sorri para ela
Ela sorri para ele
Ele abaixa o vidro elétrico,
E ela também
Ele pede o telefone
Ela dá: 8121-5511 liga pra mim
O sinal abre, os dois partem
Logo que ela chega em casa, o telefone toca
É ele!
Ótimo papo gostam das mesmas coisas
Parece até que se conhecem a um tempão
Ele sugere que se encontrem sábado a tarde no shopping
Ela topa.
Vida loka também ama nego.
Amo de uma forma que não sei explicar
Sou revolução nego, eu vou tentar ... então
Aprendi na vida que os fraco não tem vez
Um dos vida loka vale deles tipo seis
Não vai ficá aí se lamentando se a mina não te quer
doidão, c sai andando.
Deixa ela pensá, que é pá que é modelo, que
a fantasia de princesa dura o tempo inteiro
Hoje ela tem 15 amanhã tem 16,
Passada a temporada ela vai ter 26.
Aí você vai vê nego, quá lé que é que é se ela é a guerreira
pra poder ser sua mulher
Cara é complicado essa vida
Mas aprendendo é que se ensina, ainda existe
boa gente, que vai a luta e segue sempre em frente
Tendo que enfrentar toda manhã e se preocupar com sua família.
Amar é complicado, pros fracos não tem vez
Um dos vida loka vale deles tipo seis
Só tenho que eu mereço, humildade vem do berço
Amor é só de mãe, pois de outro eu não conheço
Cara é complicado essa vida
Mas aprendendo é que se ensina, ainda existe
boa gente, que vai a luta e segue sempre em frente.
Tendo que enfrentar toda manhã e se preocupar com sua família
Amar é complicado né Jão, quem é que não gela
Olha que vem lá Boca é o Zé Ruela
Tá cá mina dele, modelo de favela
Tipo Vera Fish, oh quem ti dera
Acho que o cê só tá só com ela memu
Pq cê num trampa e num paga um veneno.
Eu queria vê se cê fosse operário
Dasse aquele trampo prá ganhá um só salário
Ela ía querer você, bem longe dela
O seu privilégio é ter um golf na favela
Eu não falo nada né Jão, fico na minha
Ele mesmo diz, essa aqui é minha mina
Mais vale um operário sem ela vai por mim
Do que um criminoso tano em cana e sozinho
Não sou mais que ninguém só quero alertar
Um dia eu também nego, passei por lá
Foi lá que eu notei, que o homem também chora
Quando a modelo de favela vai embora,
Ai só fica ele e a decepção pagando de mau mau abandonado na prisão.
Cara é complicado essa vida
Mas aprendendo é que se ensina, ainda existe
boa gente, que vai a luta e segue sempre em frente
Tendo que enfrentar toda manhã e se preocupar com sua família. Com sua família.
Cara é complicado essa vida...
Cara é complicado essa vida...
Mas aprendendo é que se ensina, ainda existe
boa gente, que vai a luta e segue sempre em frente...
Alô ... alô
Me desculpa, eu não queria que tudo acabasse assim
Me dá uma chance,
Fala comigo ...
Alô ... alô ...
As vezes a gente sente e fica pensando que tá amando.
E que encontrou tudo de bom que a vida poderia oferecer.
Até que a mulher que a gente ama vacila e põe tudo a perder...
Cara é complicado essa vida...Essa vida Essa vida....
30.5.08
Conversa de buteco
E mais...
Perfeitas são aquelas nas quais, no auge da filosofia de mesa de bar, surgem las grandes sínteses teóricas sobre a humanidade. E no outro dia, apesar da dor de cabeça e do trabalho a se levar, traz no rosto dos participantes aquele sorriso de quem lembrou porque a convivência entre as pessoas é tão gostosa...
28.5.08
Deus ajuda quem cedo madruga?
Fiquei pensanso se estou ou se sou assim. Meio histérica pela manhã.
Em pleno domingo, depois de uma semana complicada e de uma tarde-noite de samba, cerveja e churrasco, seria o dia perfeito para dormir até o corpo doer. No entanto, antes das 6 da manhã, lá estava eu, tomando um café e vendo televisão debaixo do cobertor quentinho. Vi seriados bobos de solteiros malas. Depois passei para o tradicional "Pequenas empresas, grandes negócios". Foi aí que me lembrei que assisto esse programa, no domingo, nesse horário bizarro, desde que me conheço por gente.
Minha casa em Piedade é o elo perdido entreo camponês e o citadino. Em termos materiais, apesar de meu pai sempre ter trabalho com roça, ele era o patrão e minha mãe era funcionária pública, portanto estavamos bem distantes das condições de vida do mundo rural. Mas pensando nos costumes, meus avós foram os responsáveis por perpetuar os hábitos mais caipiras do mundo. Cultura do arroz-feijão-ovo e leitoa criado e plantado por eles mesmos.
De acordar cedo, porque a vida é assim, se trabalha do nascer até o cair do sol.
Em casa ninguém trabalhava nesse tanto, mas todo mundo sempre acordou muito cedo. Meu pai levantava para ir buscar os "camaradas" e ir para a roça. E logo cedo, lá estava minha vó fazendo café e pegando o pão que meu pai trazia para a rapaziada. Me dava um dó. Poxa, era domingo, tava frio... E o pessoal lá, na varanda de casa, vestindo um monte de trapo, um sobre o outro. As moças de saia e calça. Os moços com o boné de algum candidato ou comércio local. E eu encolhida com o meu vô, não entendendo porque eles tinham que sair de casa tão cedo... Poxa, bem na hora do Globo Rural?
Então minha vó fazia para nós dois, virado de farinha de milho com ovo. Chá preto para o meu avô e café para mim porque sempre adorei café, desde pequena. Meu vô me dizia que eu era pretinha por isso. Porque tomava muito café.
Daí a gente ficava lá na sala. Assistindo o Globo Rural, que era o mais legal. Depois um pedaço da missa diretamente da Aparecida do Norte, e depois vinha a Inesita. Saudades do vô, e ele já morreu faz tanto tempo... Tenho a impressão de eu seria uma pessoa diferente, talvez melhor se ele tivesse ficado vivo mais um pouco. Quando ele morreu eu tinha 7 anos de idade e parece que depois disso, tudo desandou e virou o mar de confusão que é até hoje. Pelo menos é assim que me lembro das coisas... Eu era uma até aí, e virei outra depois disso.
Engraçado o fato de que esses programas ainda existem e me trazem uma manhã nostálgica, horas para se pensar na própria história.
Após uma reportagem sobre o cultiva das oliveiras, pensei que talvez minha memória estivesse criando imagens que não existiam. Como é possível o mesmo programa existir por tanto tempo? Será que eu não assistia tudo isso um pouco mais velha?
Então o apresentador leu uma carta de um espectador. Ele dizia que estava completando 26 anos de casado, e que ele e a esposa começaram a assistir o Globo Rural juntos, na lua de mel e, desde então, não perdiam um único domingo. São vinte e seis anos, ou seja, exatamente a minha idade, fazendo exatamente a mesma coisas, juntos.
No primeiro momento, me pareceu absurdo. Depois pensei em mim. Gosto desse programa pelo menos há 21 anos... Continuo adorando as reportagens sobre como combater pragas, melhorar a alimentação do gado, ou as máquinas malucas que vira e mexe algum tiozinho inventa para extrair alguma coisa do seu cultivo. Então por que não fui ser algo mais prático, ligado a todo esse universo?
Talvez porque no fundo, ficou mais forte o não entender por que eu podia ficar em casa comendo meu virado de ovo com café, enquanto todo aquele povo subia no carro e partia para o trabalho, como marmita e filhos a tira colo. Sem poder dormir em um domingo frio. Nem muito menos, assistir quentinho o Globo Rural.
Já bem grandinha, descobri que eles eram chamados de "camaradas" pelo meu pai, mas que na verdade, era na marmita que se podia entender de fato o que eles eram: Bóias-frias. Descobri que eu só podia ficar em casa com meu avô, porque o avô de alguém estava em cima daquele carro, no frio. Que a minha mãe ia para a missa, toda bonita, porque a mãe de alguém tinha largado o filho em casa para trabalhar, ou ia passar o dia xingando os moleques para que eles não atrapalhassem "o pessoal que estava arrancando cenoura".
E que na verdade, deus esqueceu há muito tempo de quem cedo madruga.
8.5.08
Um tal de Bida fazendeiro condenado por matar uma freira o que em um país católico constitui um agravante considerável. Um intermediário, Tato, foi condenado junto com esse outro aí. Quando o primeiro recorre (ou seja, o dono do dnheiro), o segundo misteriosamente muda o depoimento e inocenta o primeiro.
E tem gente que é tão, mais tão esperta, que anda desconfiando, assim de leve, que no mundão aqui é assim, que com dinheiro se compra tudo, e essa é a óbvia graça de ser rico.


