22.1.09

Belém do Pará
Manuel Bandeira

Bembelelém
Viva Belém!

Belém do Pará porto mordeno integrado na equatorial
Beleza eterna da paisagem
Bembelelém
Viva Belém!

Cidade pomar
(Obrigou a polícia a classificar um tipo novo de deliquente:
O apedrejador de mangueiras.)

Bembelelém
Viva Belém!

Belém do Pará onde as avenidas se chamam Estradas:
Estrada de São Jerônimo
Estrada de Nazaré

Onde a banal Avenida Marechal Deodoro da Fonseca de todas as cidades do Brasil
Se chama liricamente
Brasileiramente
Estrada do Generalíssimo Deodoro

Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.

Terra da castanha
Terra da borracha
Terra de biribá bacuri sapoti
Terra de fala cheia de nome indígena
Que a gente não sabe se é de fruta pé de pau ou ave de plumagem bonita.

Nortista gostosa
Eu quero bem.

Me obrigarás a novas saudades
Nunca mais me esquecerei do teu Largo de Sé
Com a fé maciça das duas maravilhosa igreja barrocas
E o renque ajoelhado de sobradinhos coloniais tão bonitinhos

Nunca mais me esquecerei
Das velas encarnadas
Verdes
Azuis
Da doca de Ver-o-Peso
Numa mais

E foi pra me consolar mais tarde
Que inventei esta cantiga:

Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.



20.1.09

E por falar em samba e mulher

Poxa, isso aqui está repetitivo mas dias atrás ouvi uma música jóia da Leci Brandão e hoje ela me pegou de novo. Bom, que a Leci é de luta todo mundo já sabe...

Nessa letra ela fala um pouco do mundo das moças que estão guardadas. Se o Mano Brow diz que cadeia é para homem, ela fala um pouco das zicas das mulheres que não apenas estão detidas como conseguem ter ainda menos direitos do que os homens, como por exemplo o de ter visitas íntimas. Isso quando existe um parceiro que vá visitar.

Claro que existe uma certa vitimização. Dependendo das condições, é um bom negócio passar como uma mulher coitada e dizer que não sabia de nada. Mas ainda assim, independentemente da razão, a música fala da desumanização que se finge de redentora. Sabe-se lá quem são e que vai ser dessas pessoas que estão sendo deformadas por essas penúrias. E sabe lá quem são essas mulheres que andam por aí tentando sustentar sua vida e seus filhos de algum jeito. De qualquer jeito.


O Bagulho do amante

Não matou nem roubou
Mas foi presa em flagrante
Escondeu no chateau
O bagulho do amante
O amante saiu e largou o embrulho
Quando a casa caiu tava lá o bagulho

Lelelelelelele Lelelelelelele
Lelelelelelele Lelelele

[refrão]
Hoje a vida é na cela
Toma banho de sol
Acompanha a novela e também futebol
No dia de visita
Sua mãe vai levar a criança bonita para ela abraçar
O amante saudoso nunca mais foi lhe ver
E ela nem tem direito um pouco de prazer
E que venha o alvará pra essa pobre mulher
Que um dia sairá se Deus quiser

Lelelelelelele Lelelelelelele
Lelelelelelele Lelelele

Pagode pode?

Olha só... Quando alguma coisa toca na rádio 105 fm o negócio é pagode e indústria cultural alienante para o povão. Mas daí vem uma mocinha bem vista pelos meios "meio intelectuais meio de esquerda", grava a mesma música e coloca na Nova Brasil Fm e ... temos uma mágica... Ela automaticamente deixa de ser um pagodão fuleiro e vira MPB. E não adianta falar que o Arlindo Cruz não é pagodeiro porque é. Faz várias parcerias, toca com a rapaziada e tudo mais... Sua trajetória pode não ser parecida, mas hoje ele está muito mais próximo da rapazeada que toca um pagodão aqui no centro, do que da galera "samba de raiz". Na minha opinião, prefiro milhões de vezes um grupo como o Exaltasamba cantando Arlindo Cruz do que a chata da Maria Rita...
Desculpa querida Maria Rita, mas você nunca vai conseguir circular em todos os meios como a mamãe... Ela pode cantar caipira pirapora, mas você cantando pagode é duro de engolir. Eu sei que é cult gostar do povo e traus, mas o barato é um pouco mais difícil. Tem que ter pegada. E pare de inventar moda. Deixe o pagode em paz e volte a gravar o Marcelo Camelo...


O que é o amor
Maria Rita

Composição: Arlindo Cruz / Maurição / Fred Camacho

Se perguntar o que é o amor pra mim
Não sei responder
Não sei explicar
Mas sei que o amor nasceu dentro de mim
Me fez renascer
Me fez despertar
Me disseram uma vez
Que o danado do amor
Pode ser fatal
Dor sem ter remédio pra curar
Me disseram também
Que o amor faz bem
E que vence o mal
E até hoje ninguém conseguiu definir
O que é o amor

Quando a gente ama, brilha mais que o sol
É muita luz
É emoção
O amor
Quando a gente ama, é um clarão do luar
Que vem abençoar
O nosso amor

18.1.09

Nega véia

O povo aqui da minha terra vive procurando um bar para ser esconder depois das 11 da noite. O moralismo do psiu também chegou aqui, então o jeito é ir parar lá no fundão, no meio do nada com o lugar nenhum, beber cerveja e ouvir uns causos no bar da Nega Véia.

Ela é uma figura que particularmente me intriga: Sabe aquele tipo de gente que parece que já sofreu tanto nessa vida que não esquenta a cabeça com muita coisa? Pois é a Nega véia...

A Nega não tem casa, só tem um butina que acabou de rasgar, um balcão e uma foto com o Pelé. A Nega foi cozinheira do Rei.

A Nega não cobra a cerveja o tanto que deveria cobrar. Acho que ela prefere mil vezes os amigos do que o dinheiro. Ah, e ainda dá um docinho de leite para cada um.
E se não aceitar ela faz cara feia. Só assim eu vejo a Nega brava.
A Nega sorri e me dá um abração quando eu chego no bar.
A Nega me dá um doçura no peito enorme, mesmo sem doce de leite.


Mas a Nega me lembra também que nessa terra, quem mais trabalhou sempre foi quem mais se fudeu.
E sei lá como - mas isso é o Brasil- é também quem mais ri, tira sarro dos perrengues e ajuda todo mundo sem perguntar nada. Sem nem esperar que Deus lhe pague.


A Nega é isso. Uma brasileirona forte, preta, sorridente e que faz a gente ter vontade de continuar na vida...

14.1.09

Sai do meu canto do balcão


O último rolê ainda está na minha garganta. Tanta coisa na cabeça... Tudo divertido, ótimo, mas sempre tem alguma coisa que incomoda porque afinal estamos no mundo. Até porque o que aconteceu acontece o tempo todo. E olha que já faz um tempo que não vou para o bar sozinha... Quando muito no pagode.

Bom, acontece que tomar uma cerveja tranqüila e sozinha no balcão ou na mesa continua sendo uma missão Magaiver. Principalmente se chegou o fim da noite e temos o agravante de um certo espírito “último dia de carnaval”. Tudo bem o moço chegar, conversar, estamos aí... O problema é que quando as mulheres dizem não obrigada, os moços entendem que é um sim com charminho...

Aí está armado o problema: o sujeito começa a pesar, sua paciência está curta e a língua solta...

Acontece é que o número de mulheres que freqüentam o bar sozinhas ou com as amigas está aumentando. E os rapazes vão ter que se acostumar com isso e aprender a serem bacanas. Entender que galanteios podem ser gentis e bem vindos desde que não sejam invasivos e persistentes. A gente obviamente também gosta de paquerar desde que seja uma relação entre duas pessoas e não entre um homem e um bife.

Essa escrivinhada, um pretenso-proto-samba, é mais ou menos sobre isso. Contou com a colaboração de Che Serguei, o gato punk (que inclusive achou a letra bunda mole... o Che acha que a gente tem que cuspir na cara desses moços mal educados).

Substituí o forró, a trilha sonora original da situação, por um samba porque ainda não me meti a ter um triângulo em casa. Talvez eu tenha problemas com os vizinhos.

O título foi alterado acatando a sugestão da cuqs..

A musa inspiradora é a Juju, companheira de samba e de viagens. Ela, como tantas outras companheiras, sabe do que estou falando e estava comigo quando tiramos a foto dessa pixação genial em Buenos Aires mi querida ...

Salve a mulherada que está na luta e não desanima de conquistar seus espaços no mundão...


Sai do meu canto do balcão.


Não pense moço que eu vim pro samba

Porque fujo do amor ou minha vida é procurá-lo

Eu não vim aqui atrás de um marido

Nem de um caixa –forte

Nem de um otário


Estou bem tranqüila para ouvir um samba

Beber uma cerveja

Dar a graça e um rebolado


Quem sabe até trombar algum parceiro

Pra tomar uma saideira

Ou virar meu namorado


Sei que às vezes sou mal educada

Mas quando eu digo não

Eu quero dizer não

Se o moço ganha o meu coração

Não hei de preferir passar a noite no balcão


E se acostume a dividir o espaço

A roda

A alegria

E o violão

Que entrar no jogo do salário é nada

Mas pago minha cerveja

E não quero confusão


Sai do meu canto do balcão!

12.1.09

Um salve para os passarinhos ....


...que animaram minha insônia. Não sei o que aconteceu. Talvez a estranheza com a cama, com o silêncio, com o mimo de mãe, com o beijo na boca... Talvez preocupação com a vida que por vezes continua tão ordinária. Acho que eu não mudo muito faz muito tempo. Mas agora posso acordar em uma segunda -feira em Piedade com café da manhã na mesa e caminhada matinal para compensar a bebedeira de ontem... Beber domigo em Piedade, com a companhia de muitas das pessoas que eu realmente levo a sério nesse mundo é realmente um grande evento. Aliás, não trabalhar na segunda-feira é para deixar qualquer um de bom humor.

Eu não mudei mas as coisas se aliviaram. A dor não sumiu mas já é quase só mais uma parte da vida. Ficar gente grande acalma a alma. Talvez tenha sido isso o que mais pensei enquanto ouvia os passarinhos...
Além disso ficar gente grande dá outro tom para as mesmas coisas. Não bebo mais nem menos do que antes. Aliás, acho que bebo menos. Já nem gosto mais de rabo de galo. Mas agora posso até chegar evidentemente sapecada (essa também é para os leitores locais) em casa porque as pessoas já se acostumaram. Se preocupam mas se acostumaram.

Cheguei cedo em casa mas cercando frango... Minha mãe me esperando. E eu esperando a bronca porque ela viu que eu fui para o bar às onze da manhã. Eram onze da noite.

Faladeira e respondona... feliz e reclamando. E a mãe ouviu e deu risada. Me obrigou a comer um lanche e beber alguma coisa não alcólica. Medidas de mãe que salvaram minha vida.
Ela riu tanto... Eu ria e chorava.

Hoje quando enjoei dos passarinhos fui tomar café... tinha até mamão cortado. Há quanto tempo ninguém corta o meu mamão? Aliás, eu nem como mamão...

Estranho ser mimada depois de velha. Da minha vida só eu cuido faz muito tempo. Quando muito a mamãe companheira Raquel me comprava coca-cola quando eu acordava triste de ressaca.

Aqui a vida parece tão calma e tranquila que me assusta. Minha mãe me mima, a vida é barata, os passarinhos cantam e já encontrei um monte de gente só indo tomar um café e comprar jornal. Agora tem até café expresso. O bar é o mais legal do mundo e tem sambistas amigos para tocar as músicas da minha vida e me deixar com vontade de chorar. Do que mais que eu preciso?

Não sei... Não sei mesmo. Hoje estou tão feliz aqui que ando esquecida de que eu não fui embora de Piedade.
Eu fugi.
Fugi de lembranças e de fantasmas.
Hoje eles sumiram. Mas se eu ficar por aqui muito tempo, eles me acham de novo.

Sinto Piedade... Mas acho que vou ser sempre a filha que vai te levar no nome para onde for. Mas que não vai ter coragem de voltar para o teu conforto.
Sinto Piedade... Mas se hoje você é boa comigo é porque em muitas outras vezes você já me fez chorar muito.
Agora não precisa mais gostar de mim. Porque agora eu também gosto do mundo. O mundão grande que não me acolheu tão bem mas me deixou ficar.

Mas apesar de tudo Piedade, vezes e vezes penso em fazer as pazes. Quem sabe ... Quem sabe isso aconteça um dia e aí eu trago os meus filhos para você criar.



7.1.09

O que é bom para todo mundo


Na Segunda Guerra Mundial uma das críticas mais óbvias que se fazem às grandes potências mundiais é na verdade uma pergunta. Uma única pergunta que poderia mudar o rumo das coisas: Por que vocês deixaram a Alemanha chegar onde chegou para depois intervir?

Em 1938, a tal da política de apaziguamento levado a cabo pela Inglaterra permitiu na Conferência de Munique que Hitler anexasse os sudetos na Tchecoslováquia com a benção da diplomacia internacional. Diz a lenda que o se esperava era que se ele não parasse ali, entraria em choque com a U.R.S.S e o camarada do bigode disputando a Polônia.
Aí tudo bem, ficou bom para todo mundo, já que todo mundo quer dizer E.U.A, Inglaterra e França.
Com o pacto de não- agressão entre os bigodudos, a Alemanha invadiu a fudida da Polônia e daí o pessoal do ocidente começou a cagar de medo e resolveu se mexer.... E dessa negligência, desse silêncio diante do monstro produziu-se uma das maiores tragédias da humanidade: O homem contra o homem e sua ciência.

Os que hoje se advogam as maiores vítimas dessa tragédia são os que hojem pedem o silêncio do mundo. E o mundo continua sendo os E.U.A, a Inglaterra e a prima pobre da França.

Israel está massacrando o terrorismo, não dá para reclamar muito não é?

Se Hitler matar os comunistas é melhor pra todo mundo...
Se Israel massacrar árabes muçulmanos terroristas também fica bom para todo mundo...

E deus? Onde está deus meu deus?
A luta entre a aliança judaico-cristã e o islamismo divide o mesmo deus monoteísta em três. Até agora já entendemos de que lado ele tem ficado...


5.1.09

Olha essa vida meu nego....



Você era um menino engraçadinho e bom
Um dia chegou na porta da minha casa
Eu muito mais velha do que você
Já então com todos os meus 13 anos
Você com 12 e um ano a menos de escola
Ganhei um cartão
Meu presente de dia dos namorados
As palavras que eram para parecerem rebuscadas
hoje me fizeram rir quando olhei para aquele papel
no fundo da caixinha, meio amarelo
com uma letra infantil escreveu extremamente
extremamente apaixonado
sonhando todo dia
sem coragem de falar comigo nos bailinhos
(e eu gostando apenas dos mais velhos...
adorava um rapaz de 14 anos)
Me pediu
- com a mesma humildade que te faz gente até hoje-
para que pensasse bem e daí quem sabe um dia...

Esse um dia demorou 14 anos para acontecer
O menino engraçadinho virou um homem encantador
que agora se vinga um pouquinho rindo do meu desprezo
ao amor jovenzinho de outros tempos
Sabe que a vida rodou
- Olha só. Se eu pensava que ia ser assim...
Ele me diz depois que eu, bêbada de amor, de samba
e de cynar digo que quero casar com ele
Ele ri....
Só ri...
Eu só olho
Agora sou eu que espero



Quem sabe um dia

29.12.08

Que venha 2009!

Esse ano, como eu e as companheiras andamos refletindo por aí, parece que não vai terminar nunca... Mas agora que eu joguei o biquini na mochila, finalmente tenho um marco, a sensação de que o ciclo está se fechando mais uma vez de acordo com o tempo de Deus...
Dentre as perspectivas para o ano que vem - trabalhar muito, beber e fumar menos, praticar esportes regularmente e me apaixonar menos para ter tempo de fazer o resto- a que mais está me empolgando é a prefeitura petista que está começando uma página nova na história da política piedadense. Mesmo sabendo que estruturalemente tudo vai continuar a mesma merda, o clima politizado que as filas de banco tem adquirido é impressionante. Outra idéia de política, ainda que sonhando com as realizações de um partido de centro- esquerda europeu.

Sempre que a rapaziada vai para algum lugar de caravana, rola a viagem de tomar o pico e instituir um governo popular. Tenho na memória pelo menos uns quatro gabinetes de governo montados... com todos os meus amigos e suas respectivas áreas de afinidade e trabalho.

Bom, foi isso o que meus companheiros de churrasco fizeram. São pessoas que já trabalham pela cidade e agora vão para a prefeitura. A merda que isso pode dar? Não sei direito, mas pode ser enorme.
Mesmo assim boto fé que vai ser um experiência interessante. Quero estar perto deles para ver e puxar a orelha no bar do Mineiro... Eu continuo não sendo governo.

17.12.08

O beijo

Nas leituras aleatórias de Manuel Bandeira que me alegram o dia e me aconselham como um tarô, essa foi a poesia do dia. A saudade que na noite ébria me apavorou veio no outro dia me dizer que o que foi bonito já existe, já é meu e agora pode ser guardado na paz das minhas lembranças...

Quando a moça lhe estendeu a boca
(A idade da inocência tinha voltado,
Já não havia na árvore maçãs envenenadas),
Ele sentiu, pela primeira vez, que a vida era um dom fácil
De insuportáveis possibilidades.

Ai dele!
Tudo fora pura ilusão daquele beijo.
Tudo tornou a ser cativeiro, inquietação, perplexidade:

- No mundo só havia de verdadeiramente livre aquele beijo.

12.12.08

Divino maravilhoso

A vida em si é muito zica... cada momentinho de alegria é o que faz a gente andar mais um bom tempo na lama da tristeza. E se a gente perde esses momentos? O que sobra dessa vida mal servida? Tem mesmo é que prestar atenção. Ou uma pessoa maravilhosa que pode nos oferecer muitos momentos de alegria pode estar do lado e a gente nem perceber nem ser percebida. Tudo não por estar distraída, mas por estar escondida por uma lama de tristeza.


Atenção ao dobrar uma esquina
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte (2x)
Atenção para a estrofe e pro refrão
Pro palavrão, para a palavra de ordem
Atenção para o samba exaltação
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte (2x)
Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão
AtençãoTudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte

25.11.08

Só para animar


Olha que tirinha bacana para quem, como eu, é uma feliz e praticamente desempregada professora de história. Ando pensando cada vez mais seriamente em virar manicure...

17.11.08

Amor - Por secos e molhados

Leve, como leve pluma
Muito leve, leve pousa.
Muito leve, leve pousa.

Na simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma
Suave coisa nenhuma.
Sombra, silêncio ou espuma.
Nuvem azul
Que arrefece.

Simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma.
Que em mim amadurece


O confuso e sempre presente amor. Normalmente se associa amor ao relacionamento institucional, o namoro "firme" ou o casamento. Particularmente faz muito tempo, anos, que eu não namoro. Apenas namoro na ação. Vez por outra é claro que faz falta, mas quando olho para os lados, minha impressão é que em grande parte dos relacionamentos as pessoas mais se punem do que se amam. Estão mais preocupadas com o status moral do amor do que com o companheirismo que lhe dá sentido. Sempre acreditei que "estar namorando" significa ser companheira de alguém. Por isso não acho que tive algum namorado nos últimos anos: nunca senti esse companheirismo. Nesse caminho machuquei corações que queriam amar o meu, e fui machucada por outros que não me queriam. E assim se vive.
Lembrei de uma frase bonita que vi outro dia: A paixão é monogâmica, mas o amor tem outros caminhos.
O amor não é suave, não é enquadrado e muito menos pode ser moldado aos modelos de relacionamento evolutivo. Quem precisa de uma relação estável como atestado de maturidade e sucesso pessoal, perde o melhor do amor.
E é por esse melhor sempre buscado que ele me amadurece.

12.11.08

11.11.08

De vez em quando tenho saudades do Cid Moreira...


... narrando a Bíblia. Ando achando que, ultimamente, ser católico é mais barato. Morte ao R.R. Soares!!!!




7.11.08

Olha o velhinho de barbas brancas em alta de novo....



"A história acontece duas vezes, a primeira como tragédia, a segunda como farsa."




Tudo bem, eu sei que a frase é manjada. Mas vamos admitir: ela é boa. E nos últimos tempos, além de profética, ela é engraçada.


Saca só - Frases que poderiam ser ditas:

1929- 1933

Hebert Hoover - O republicano - "Eu tenho um sonho: que o mercado resolverá tudo. Homens de pouca fé é só esperar mais um pouquinho."

F.D. Roosevelt - O democrata - "Bom, eu já sou paralítico mesmo, qualquer coisa que eu fizer vai ser um milagre. Levanta -te e anda! Ops, quer dizer, Estado estatize!

2008

Bushinho - O republicano - Crise do quê? Ahn? Lá no Texas minhas vacas estão todas de pé. Ei Jão essa era da boa hein? Põe dessa pá mim!

Obama Bin Laden - O democrata - Eu que já achava difícil ser preto nessa bosta, agora sou preto e presidente. Tô fudido.

31.10.08

Minha primeira morte


Nesses dias por aí, depois do trabalho, estava assistindo “Todo mundo odeia o Cris”, um seriado genial que passa na Record geralmente no meu horário de almoço. Gosto por alguns motivos, como me lembrar pessoas. E a discussão é boa: é um seriado cujos protagonistas são pobres ou, sendo mais bonitinho, classe média baixa. A questão é que ser classe média baixa nos Estados Unidos da década de 80 é muito parecido em diversas instâncias com o ser classe média média no Brasil. Os perrengues, a luta da classe média para não ser quem ela é: o limbo social que quer consumir a aparência como um rico, nem que para isso tenha que aumentar as outras privações de pobre. A típica gente besta que gasta com cabeleireiro e roupas nem que para isso passe o resto do mês contando moeda. Ou pior, endividada pelas próximas encaranações a ponto de quando terminar de pagar tudo, o cabelo já estar uma merda de novo e a roupa já estragada ou fora de moda, o que dá no mesmo. Enfim, foi mais ou menos com isso que eu sempre convivi. A tal da medíocre classe média renner – chapinha. Mas o presidente diz que esse é o caminho...

Hoje em especial, fiquei meio nostálgica com um episódio: O avô do Cris morreu jantando na frente dele. Sofreu um enfarto e caiu de cara no prato. Lembrei do meu avô porque ele também morreu jantando na nossa frente. Na hora (como o Cris) não entendi o que estava acontecendo, mas lembro de tudo: Ele caído e seu prato espatifado porque estava na mão. Tínhamos a mania detestável (segundo minha vó) de jantar com o prato na mão, na sala vendo jornal com o meu vô. Depois disso levaram a gente para a casa do vizinho e enquanto eu via um monte de gente chegando em casa, o vizinho fritava umas coxinhas e nós assistíamos “O rapto do menino dourado”, que na época ainda era um filme novo. Não lembro de como me contaram que meu vô não voltaria do hospital, mas lembro de ter visto ele no caixão, no meio da mesma sala da qual ele saiu carregado algumas horas antes e de ter ficado desesperada. Se ele não voltasse, ninguém mais contaria histórias (todas terrivelmente moralizantes, mas isso eu não sabia na época e achava tudo importante) pela manhã quando estávamos na cama esperando minha vó chamar para o café. Além disso, tinha muito arroz, milho e feijão plantado e ele precisava colher. E a horta? Quem iria regar a horta e tirar os matinhos todo dia? E tem outra, a gente ia caçar e aprender a fazer tapera de sape, ele já tinha prometido. Não me conformava: eu achava que ninguém podia morrer se tivesse prometido algo para alguém e não tivesse cumprido.

Minha vó e minha mãe cuidaram de fazer tudo que ele tinha deixado por fazer. Mas nos quase 20 anos que se passaram desde que ele morreu, ninguém nunca mais prometeu me levar para caçar e dormir no mato. E eu sei que foi depois que ele morreu que tudo desandou na minha vida.
O vô Juvêncio era meio pai assim como a vó Maria era meio mãe de todas nós. Meu pai era muito distante, muito ocupado em ser classe média. Além disso era chucro mesmo, não sabia que ser pai era algo mais do que ser provedor e repressão. Meu avô também não sabia ser muito carinhoso quando era pai da minha mãe. Mas a idade amolece as pessoas, deixa todo mundo mais maleável. E ele não era meu pai, era meu avô a figura masculina mais carinhosa e certa da minha vida. Eu adorava quando as pessoas falavam que eu me parecia com ele: meio moleque e que vivia pelos matos. Lembro dele como seu Juvêncio do bar, como seu Juvêncio caçador, como seu Juvêncio encarregado de fábrica porque tinha aprendido a ler e escrever praticamente sozinho. Lembro dele voltando do mato com um passarinho morto debaixo do braço dizendo que era para mim. Eu era pequena e chamava o passarinho morto de carninha branca: era carne de nhambú, muito mais branca que carne de frango. Ele chegava contente e eu ficava esperando a vó limpar o bicho e fritar.

Meu vô aprendeu a ser carinhoso sendo vô. Ele era um homem rústico, mateiro, que virou operário por acaso e depois dono de bar.E quando penso nele, naquele ogrão branquelo e vermelho de sol voltando do mato com um passarinho para a neta “pretinha” como ele me chamava, penso que meu pai também vai ser um avô legal. Ele só precisa aprender e disso talvez o tempo se encarregue.

28.10.08

Longos 4 anos anos...






Eita porra... achei bonita a vitória da diversidade contra o preconceito. Bacana ver a classe média que não é nem nunca foi homofóbica defendendo a causa. Onde esse povo do PT está com a cabeça? O que tem de mais a opção sexual do rapaz? Onde está a igualdade de direitos?

Depois do movimento "CANSEI" contra o mensalão, voltei a ter orgulho dessa cidade que tão bem me acolheu. Que ama seus nordestinos, seus pretos, suas minorias sexuais, seus grupos oprimidos. O próximo prefeito, se tudo continuar bem assim, deverá ser tudo isso: Preto, pobre, nordestino e gay.

Viva a democracia dos bandeirantes! Viva a locomotiva que carrega o Brasil!

22.10.08

Um salve para as primas


Olha a mulherada se organizando... E para os curiosos, vale dar uma olhada na revista "Beijo da Rua" e no site da ong DAVIDA.
Os nomes são ótimos e as frases de luta também: Sem vergonha garota. Você tem profissão.

21.10.08

Coragem muié...

Lembram de uma música do Raul, bem breguinha auto-ajuda chamada "Quando os sinos dobram"?


"Nunca se vence uma guerra lutando sozinho
Cê sabe que a gente precisa entrar em contato
Com toda essa força contida e que vive guardada
O eco de suas palavras não repercutem em nada
É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possivel aliado, é...
Convence as paredes do quarto, e dorme tranquilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo

Coragem, coragem, se o que voce quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, que eu sei que voce pode mais."


Engraçada. Também da série: músicas para quem não sabe tocar violão. Mas enfim, ando tão corajosa que tenho tido até medo de tanta vontade de meter o pé na porta e dar umas voltas por aí só para ver o que acontece.
Essa história de querer dar conta de deus e sua obra é furada. Bem vinda ao simples, porque só ele faz sentido. Vez por outra na vida a gente precisa é pensar quer perdeu tudo, para enfim ganhar alguma coisa verdadeira.

Coragem que a vida é mais. Perdi o medo até do que não passa, como o passado que vira e mexe volta e assombra. Ou o amor que vez por outra teima ainda em me queimar.

Vi no final de um filme lindo do Domingos de Oliveira chamado "Amores", uma frase que resolve muita coisa. Basta ser simples:

Tem coisa que não é para entender. É só para decorar.