3.4.09

Ele...

Ele me ensinou a gostar de João Bosco. Eu dizia que não gostava. Não era verdade. Gostava de falar mal do João Bosco para irritar. E da Leila Pinheiro. Ela eu realmente detesto. Mas do João Bosco eu não aguentava era o amor que ele transpirava quando cantava "cor vermelha, carne da tua boca... coração."O amor cantado ao meu lado me oprimia. Eu queria outra coisa que não fosse aquele amor tão devoto e certo. Eu queria amar. Ser amada é muito pouco. É só confortável. Queria era aquele vazio no peito da gente que dói até o estomâgo. Não queria amor fraterno. Queria minhas buchechas vermelhas, minha orelha quente, meus pés formigando e minhas mãos rodando entre o cigarro e o copo. Gosto da paixão piegas. Gosto do João Bosco principalmente porque gosto de vivê-lo. Preciso.
O confortável tantas vezes parece o ninho quentinho de quando se está morrendo de inanição. Você passa um frio, um desconforto do caralho e... do além tudo fica quentinho.
Não, a temperatura não mudou e nada melhorou. É você que está morrendo.
Se fechar os olhos, o povo joga terra.

É dessa intensidade que sofria. Que sofro.
Não é culpa do João Bosco. Nem dele.


Memória da Pele
João Bosco

Eu já esqueci você
Tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre
A sonhar em vão
Cor vermelha carne da sua boca, coração

Eu já esqueci você, tento crer
Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor
Sua casa, sua cama
Sua carne, seu suor
Eu pertenço a raça da pedra dura
Quando enfim juro que esqueci
Quem se lembra de você em mim
Em mim
Não sou eu sofro e sei
Não sou eu finjo que não sei, não sou eu
Sonho bocas que murmuram
Tranço em pernas que procuram enfim
Não sou eu sofro e sei
Quem se lembra de você em mim
Eu sei, eu sei
Bate é na memória da minha pele
Bate é no sangue que bombeia
Na minha veia
Bate é no champanhe que borbulhava
Na sua taça e que borbulha agora na taça da minha cabeça

Eu já esqueci você, tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre Busco sempre a sonhar em vão
Cor vermelha, carne da sua boca, coração

2.4.09

Nossas crianças...

O dia precisa ser registrado... ele amanheceu mais bonito com um novo serzinho pra trazer alegria. Acordei com um recado no celular: A Diana nasceu. E a Rá que já foi minha mãe, minha irmã e minha amiga desvirtuada como eu, agora tem sua cria para transformar pela vida. Sempre achei que ela seria uma das primeiras mães, mas também sempre achei que ela seria mãe de menino. Acho que me agradava a idéia de ter um homem educado por esse mulherão fazendo diferença no mundo.
Mas quando soube que era uma menina tudo fez sentido também. Fiquei viajando em como nós seriamos as "tias" que de certa forma, acabariam sendo uma pouco da referência de mulher para a pequenina. Fiquei vaidosa. Gostei da idéia. Tenho um orgulho danado das minhas mulheres. E agora a Dianinha é mais uma delas...
A Zóe do Carnaval já chegou... Agora falta a Bianca para se pendurar nas barbas do papai Barba.

1.4.09

A lua virando...



E a pequena Diana chegando....

31.3.09

Roendo as unhas

Paulinho da Viola me comovendo e fazendo com que sua tristeza, por agora, seja a minha...

Roendo As Unhas

Meu samba não se importa que eu esteja numa
De andar roendo as unhas pela madrugada
De sentar no meio fio não querendo nada
De cheirar pelas esquinas minha flor nenhuma

Meu samba não se importa se eu não faço rima
Se pego na viola e ela desafina
Meu samba não se importa se eu não tenho amor
Se dou meu coração assim sem disciplina

Meu samba não se importa se desapareço
Se digo uma mentira sem me arrepender
Quando entro numa boa ele vem comigo
E fica desse jeito se eu entristecer

30.3.09

Companheiro é companheiro...

Meus deuses... Como pode alguém viver sozinho nessa vida que tantas vezes só faz sentido pelas companhias?
O mundo me lembra frequentemente aquela cantadinha manjada "festa estranha com gente esquisita". É tão desconfortável quanto uma festa de casamento, daquelas que só a classe média assalariada pode te propiciar. Com um buffet que tenta fazer linha de fino, mas é completamente amador e descapitalizado. Uma banda mercenária tocando o repertório clássico no melhor estilo "wisky a go-go". Todo mundo – sobretudo as mulheres, claro- usando aquelas roupas absurdamente desconfortáveis, espalhafatosas e, pior, jurando que está um arraso. Com uns pobres coitados agüentando desaforo de convidado folgado reclamando da demora do gelo do víscão passaporte para a ressaca... enfim, aqueles espaços patéticos que só mesmo a demanda classe média em prestações é capaz de atrair e contratar. Mas esse cenário de horror pode ficar absolutamente divertidíssimo se pudermos contar com a presença dos companheiros de vida. Tudo bem desde que eu possa levar amiguinhos...
Com todos os elementos absurdos e desconexos que formam o cenário onde nossa vida se desenrola. Com toda a cretinice da submissão ao trabalho e à sobrevivência. Com a sempre presente filhadaputice diária. Com suportar tudo isso se nesse cenário, além de tudo, o espetáculo for feito por uma pessoa só?

20.3.09

Ser feliz...

... na vida besta paulistana é:

Passar um dia útil tomando cerveja com um grande amigo, comendo porção de calabresa acebolada e descobrindo uns sambinhas novos pra alegrar o coraçãozinho que é mais besta ainda....

18.3.09

Coisa bonita que ouvi por aí...


E não é o amor uma capacidade maravilhosa de encontrar no objeto amado as qualidades que ele não tem?

12.3.09

Não reclama que piora...

Essa tem sido minha política... ou tentativa. Sei que sou conhecida entre os meus por ser rabujenta. Não escondo isso aqui e também não escondo em lugar nenhum. Mas realmente não dá para passar a vida reclamando porque piora tudo mesmo. Gente emburrada porque se sente sozinho fica ainda mais sozinho porque ninguém quer saber de cara feia. Cansa.
Mas tem dias que não dá. A vida está meio chata e não dá pra se esconder atrás de um sorriso meia boca. Não dá para escrever nada sério, parece que nunca mais uma paixão vai me pegar como aquela que está lá longe e o ser humano me dá uma preguiça enorme... Aí fico aqui, atormentando o vizinho com meus brinquedos de fazer barulho, olhando umas besteiras, olhando para o teto, escrevendo em blog.... Eita vida besta, meu deus!
Pelo menos no sossego do lar ninguém está olhando. Ser rabujenta sozinha é um direito inalienável de toda pessoa. E ainda por cima, se der sorte, vira mais um protopretensosamba.


Cachaça e amor

Tristeza chega
quando abro a morada
Só a solidão me aguarda
Solidão na multidão
Saio pra rua
Cruzo só pezinhos sujos
Pequeninos olhos mudos
Espalhados pelo chão
E sossega o samba
Todos correm pro metrô
Risco meu caminho torto
Caminho e rio da dor
E nesse mundo
A alegria anda para poucos
resta mesmo é de consolo
A cachaça e o amor

E seu puder
Eu te levo pro cafofo
Me escondo no teu corpo
Pra desse mundo esquecer...

E se eu puder
Eu te levo pro cafofo
Me escondo no teu corpo
E finjo do mundo esquecer.....

8.3.09

Das conversas com as amigas....

... nos intervalos dos sambas e dos amores da vida...

- Não é que só pandeiro e violão dá uma mistura boa... fica bonito vai...
- É que pandeiro e violão se complementam... eles se bastam...
- Será isso então?

Risos e bora pegar mais uma cerveja que o samba é mais pra frente, não é não nega?

Para a parceira juju....

4.3.09

Eu quero é botar meu bloco na rua!








O carnaval se foi e a vida voltou... O carnaval mais vermelho e bonito que já pulei. A cidade se levantou para dançar e ver como existe um jeito mais divertido de se viver.
Dancei, pulei, ri. Fiz do meu carnaval tudo o que ele pode ser. Chorei de alegria em pensar como a vida pode ser bonita perto das pessoas que a gente gosta, confia e gosta de dividir os carnavais. Cada um com suas mãos para ajudar como dava e o coração inteiro para ser um pouquinho feliz... mesmo que por apenas alguns dias.

16.2.09

As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender...

Domingo de noite, São Pedro descendo a lenha e o Paulinho da Viola encantando uns poucos para quem a chuva era só parte do cenário...


Coisas Do Mundo, Minha Nega
(Paulinho Da Viola)

Hoje eu vim minha nega
Como venho quando posso
Na boca as mesmas palavras
No peito o mesmo remorso
Nas mãos a mesma viola onde gravei o teu nome
Venho do Samba há tempo, nega
Venho parando por ai
Primeiro achei Zé Fuleiro que me falou de doença
Que a sorte nunca lhe chega
Que está sem amor e sem dinheiro
Perguntou se não dispunha de algum que pudesse dar
Puxei então da viola
Cantei um Samba para ele
Foi um Samba sincopado
Que zombou de seu azar

Hoje eu vim, minha nega
Andar contigo no espaço
tentar fazer em teus braços um samba puro de amor
Sem melodia ou palavra para não perder o valor

Depois encontrei seu Bento, nega
Que bebeu a noite inteira
Estirou-se na calçada
Sem ter vontade qualquer
Esqueceu do compromisso que assumiu com a mulher
Não chegar de madrugada e não beber mais cachaça
Ela fez até promessa
Pagou e se arrependeu
Cantei um Samba para ele que sorriu e adormeceu

Hoje eu vim, minha nega
Querendo aquele sorriso
Que tu entregas para o céu
Quando eu te aperto em meus braços
Guarda bem minha viola, meu amor e meu cansaço

Por fim achei um corpo, nega
Iluminado ao redor
Disseram que foi bobagem
Um queria ser melhor
Não foi amor nem dinheiro a causa da discussão
Foi apenas um pandeiro
Que depois ficou no chão
Não tirei minha viola
Parei, olhei, fui-me embora
Ninguem compreenderia um Samba naquela hora

Hoje eu vim, minha nega
Sem saber nada da vida
Querendo aprender contigo a forma de se viver
As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender

13.2.09

Queimem bruxas!

"A mulher é um animal que não é seguro nem estável; é odienta para tormento do marido, é cheia de maldade e é o princípio de todas as demandas e disputas, via e caminho de todas as iniqüidades"
Santo Agostinho
" Eliminai as mulheres públicas do seio da sociedade, e a devassidão a perturbará com desordens de toda a espécie. São as prostitutas, numa cidade, a mesma coisa que uma cloaca num palácio: suprimi a cloaca e o palácio tornar-se-á um lugar sujo e infecto".
Santo Tomás de Aquino
Companheiro Sabotage trocando uma idéia no começo de uma de suas múisicas solta a seguinte frase: Vai saber o que passa na cabeça desses boy. Ele fala com uma ar de impotência, como quem diz que na dúvida é melhor sair de perto. Ou ir para as cabeças de vez.
Lembro dessa frase quando vejo o outro, o que é evidentemente diferente de mim fazendo ou dizendo alguma coisa que simplesmente foge da minha esfera de compreensão do mundo. Esses dias me veio na cabeça: Vai saber o que passa na cabeça desses homens.
É uma pretensão besta generalizante tentar deduzir a linha de raciocínio de qualquer outro ser. Mas fenômenos sociais como o machismo nos obrigam, mesmo que a gente não queira, a pensar sobre a agressão, o embate cotidiano entre homens e mulheres . Daí é difícil não generalizar e acabar criando a categoria "os homens".
Sinceramente não tenho perdido muito tempo listando as xaropices do sexo oposto. Até porque não dá para ser heterossexual na maior parte do tempo e sair dando butinada em todos aqueles moços que deslizam e soltam uma pérola que te magoa. Os moços são muito legais em milhões de outros coisas. O famoso: Tu é legal mas vacila.
O lance é que vez por outra o negócio é tão gritante que não dá para não queimar a pestana e beber umas cervejinhas com as companheiras "prá frentonas" pensando sobre.
No mundo das moças "prá frentonas" (como diz a companheirinha prá frentona de Piedade), nem entra em discussão se é moralmente condenável transar com um sujeito na primeira vez em que saem juntos. Transar não é uma questão moral, é uma questão de vontade.
Só que esse mundinho da galera prá frentona é bem pequeno. É só colocar o focinho para fora da tenda e ... susto. Fora da tenda é absolutamente normal que algo prazeroso seja um problema sério. Tomamos um tapa na cara quando escutamos no meio de um churrasco que as mulheres que transam por tesão quando tem vontade não servem para serem companheiras. Esse sujeito falou, não tem vergonha. Mas daí sempre fico pensando que muitos outros tem. Sabem que é vergonhoso - e por isso não falam publicamente - mas no fundo também não sabem lidar com a equidade de possibilidades. O homem transa sempre que pode. A mulher transa quando se apaixona, quando acha um namorado.
Depois vi na capa da Claúdia, Nova ou coisa assim : O dilema de transar na primeira noite. Caralho! Socorro! Se é um dilema é porque tem muita gente que acha errado. Mulheres que seguem seus desejos são as bruxas ou putas medievais. Desgraçam a vida de todos. Por isso devem ser controladas. As que fogem das regras devem ser queimadas. Se não mais literalmente ao menos queimadas no jogo podrão das relações sociais.
Regra mais importante para a moça boa:
A moça boa de hoje gosta de transar mas não muito. Primeiro ela quer um rapaz bonito, legal, carinhoso, que pelo menos trabalhe e depois a gente vê se além de tudo "os corpos se entendem" parafrasenando o poeta. Para as mulheres o sexo tem que vir depois de outro valores e necessidades. Quem valoriza sexo é homem. E mulher com comportamento de homem é puta. O desejo é sempre só masculino. Quando demonstramos o nosso, somos parecidas com os homens.
Em tempo e para fechar o dia. Converso com um casal de meninos e eles falam de ciúme. Um diz que quando sai sem o namorado, é só em companhia dos heteros. E cobra que o namorado faça o mesmo.
- Ué por que?
- Porque imagine um monte de bicha junto. Homem quer transar o tempo todo. Só não transa porque as mulheres são diferentes, não são tão volúveis. Se homem quer transar sempre, está sempre disposto, pensa um monte de homens juntos. O que vira? Orgia, claro.
Ou seja, o mundo gay é animado porque são homens, criados para não terem vergonha ou pudor de fazerem sexo e que gostam de outros homens com a mesma moral de liberadade.
Diante disso, os rapazes heterossexuais deveriam agradecer a forma de pensar das prá frentonas. Emancipando seu desejo, as mulheres também libertam os homens, agradam a eles também. Com relações menos tensas todo mundo se diverte muito mais. Não é o que todo mundo quer?
Pior é que não. Todo mundo não digo mas uma boa parte está mais preocupada com o que os outros seres sociais vão pensar do que em tentar viver do jeito mais pleno de amores e prazeres.
Vai saber o que passa na cabeça desses doidos...

11.2.09

Viver de amor...

Os estados de paixão são aqueles momentinhos de sentir tudo demais. Intenso e que dói para te lembrar como é estar vivo. Apaixonar-se por homens, mulheres, situações, músicas, lugares... Tudo cria um ar de graça e contemplação que só os amores recentes são capazes de propiciar. O suspiro pela vida que se mostra por outro prisma, outro olhar, outra sensibilidade. Perceber a beleza do que é externo a mim... da arte, da vida, do amor.
E ver beleza no outro é tudo o que mais me encanta. Eu taurina passional e chorona. Que choro em final de filme triste. Choro de comoção ao ouvir e ver o Evo Morales. E que choro de saudades de uma paixão que é tão absurda e sem lógica quanto devem ser as boas coisas da vida.


Madrigal Melancólico - Manuel Bandeira

O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.

A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento,
Graça que perturba e que satisfaz.

O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E meu pai.

O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti - lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.

5.2.09

Égua!


Queria escrever tanta coisa.... Mas acho que ainda estou ruminando as andanças....

O Fórum me deu a sensação de que para que um outro mundo seja possível, as Ong´s não podem mais ser a fonte de emprego possível para resolver a questão do desemprego na Europa. Primeiro eles exportavam produtos industrializados e agora exportam gente besta querendo viver de cuidar de pobre no subdesenvolvimento. E por falar em pobres, achei que ia para o Fórum Social Mundial, mas os movimentos sociais não puderem comparecer. Em compensação a polícia, quer dizer a Força Nacional, ocupou Bélem e pacificou a favela gigante que ficava do lado do mundo maravilhoso dos hippies felizes que era o acampamento da juventude ( mais de 200 pessoas presas antes do Fórum começar) e permitiu que não acontecesse um arrastão. Ou os seus gualdas ficavam por todos os lados ou a chapa ia esquentar. Bélem não é para principiantes....
Fiquei cansada da juventude. Me sentindo meio o Caetano Veloso defendendo os Mutantes no discurso de 1968... É essa juventude que quer tomar o poder? Se vocês forem bons de política como são de estética nós estamos bem... Vocês não estão entendendo nada...
Assustador... Acho que agora eu tenho muito medo das drogas em larga escala. Acabou a subversão. A rapaziada quer mais é chapar o cabeção e tocar um foda-se. Me parecia que nem sexo tirava a galera da chapação. E de quebra ainda excluindo as pessoas que não estão fantasiadas de qualquer coisa: hippie, punk chique, anarco chato, vegetariano europeu comedor de soja, gays, feministas... Traga sua beca engajada. Nada de aparecer com um visual comum no estilo Casas Pernambucanas porque isso implica ser visto como alienado. Ninguém vai te chamar para brincar e nem para dançar carimbó...

Mas em compensação o Pará é lindo, égua! Além de ser um lugar que permite experiências sociais, históricas e geográficas e de ter um povo maravilhoso, o Pará é místico. Muito místico. Voltei mandingueira que só vendo. O materialismo histórico não dá conta de explicar muita coisa desse povo meio urbano e meio da floresta. E o calor dá uma preguiça... Virei a própria Macunaíma...
Aliás, entendi porque o povo trabalha tanto em sampa. Porque é burro e mora em um lugar muito feio. Quero ver se aqui tivesse um sol maravilhoso, uma gente bonita, corada e uma praia de rio limpinha para a gente nadar e namorar. Quero só ver quem ia ser o vagabundo.
Lá tudo é muito. Muito bonito, muito colorido, muito sensual, muito violento.... É o povo mais passional que eu já vi... E mais sexualizado também. O paulista é um ser casto e assexuado perto do paraense... O lado ruim é que os homens me assustaram. Minha vida paulistana de rolê e uma certa liberdade de andar por aí não rola lá não.
Bom, só para mandar notícias para as seis fiéis leitoras do brog... Voltei, minha vida paulistana já está me asfixiando, minha tosse voltou e acho que quero parar de fumar cigarro industrializado. E realmente percebi como eu moro em uma cidade suja e que debilita o corpinho...
Acho que meu tempo de paulicéia está mesmo acabando...

22.1.09

Belém do Pará
Manuel Bandeira

Bembelelém
Viva Belém!

Belém do Pará porto mordeno integrado na equatorial
Beleza eterna da paisagem
Bembelelém
Viva Belém!

Cidade pomar
(Obrigou a polícia a classificar um tipo novo de deliquente:
O apedrejador de mangueiras.)

Bembelelém
Viva Belém!

Belém do Pará onde as avenidas se chamam Estradas:
Estrada de São Jerônimo
Estrada de Nazaré

Onde a banal Avenida Marechal Deodoro da Fonseca de todas as cidades do Brasil
Se chama liricamente
Brasileiramente
Estrada do Generalíssimo Deodoro

Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.

Terra da castanha
Terra da borracha
Terra de biribá bacuri sapoti
Terra de fala cheia de nome indígena
Que a gente não sabe se é de fruta pé de pau ou ave de plumagem bonita.

Nortista gostosa
Eu quero bem.

Me obrigarás a novas saudades
Nunca mais me esquecerei do teu Largo de Sé
Com a fé maciça das duas maravilhosa igreja barrocas
E o renque ajoelhado de sobradinhos coloniais tão bonitinhos

Nunca mais me esquecerei
Das velas encarnadas
Verdes
Azuis
Da doca de Ver-o-Peso
Numa mais

E foi pra me consolar mais tarde
Que inventei esta cantiga:

Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.



20.1.09

E por falar em samba e mulher

Poxa, isso aqui está repetitivo mas dias atrás ouvi uma música jóia da Leci Brandão e hoje ela me pegou de novo. Bom, que a Leci é de luta todo mundo já sabe...

Nessa letra ela fala um pouco do mundo das moças que estão guardadas. Se o Mano Brow diz que cadeia é para homem, ela fala um pouco das zicas das mulheres que não apenas estão detidas como conseguem ter ainda menos direitos do que os homens, como por exemplo o de ter visitas íntimas. Isso quando existe um parceiro que vá visitar.

Claro que existe uma certa vitimização. Dependendo das condições, é um bom negócio passar como uma mulher coitada e dizer que não sabia de nada. Mas ainda assim, independentemente da razão, a música fala da desumanização que se finge de redentora. Sabe-se lá quem são e que vai ser dessas pessoas que estão sendo deformadas por essas penúrias. E sabe lá quem são essas mulheres que andam por aí tentando sustentar sua vida e seus filhos de algum jeito. De qualquer jeito.


O Bagulho do amante

Não matou nem roubou
Mas foi presa em flagrante
Escondeu no chateau
O bagulho do amante
O amante saiu e largou o embrulho
Quando a casa caiu tava lá o bagulho

Lelelelelelele Lelelelelelele
Lelelelelelele Lelelele

[refrão]
Hoje a vida é na cela
Toma banho de sol
Acompanha a novela e também futebol
No dia de visita
Sua mãe vai levar a criança bonita para ela abraçar
O amante saudoso nunca mais foi lhe ver
E ela nem tem direito um pouco de prazer
E que venha o alvará pra essa pobre mulher
Que um dia sairá se Deus quiser

Lelelelelelele Lelelelelelele
Lelelelelelele Lelelele

Pagode pode?

Olha só... Quando alguma coisa toca na rádio 105 fm o negócio é pagode e indústria cultural alienante para o povão. Mas daí vem uma mocinha bem vista pelos meios "meio intelectuais meio de esquerda", grava a mesma música e coloca na Nova Brasil Fm e ... temos uma mágica... Ela automaticamente deixa de ser um pagodão fuleiro e vira MPB. E não adianta falar que o Arlindo Cruz não é pagodeiro porque é. Faz várias parcerias, toca com a rapaziada e tudo mais... Sua trajetória pode não ser parecida, mas hoje ele está muito mais próximo da rapazeada que toca um pagodão aqui no centro, do que da galera "samba de raiz". Na minha opinião, prefiro milhões de vezes um grupo como o Exaltasamba cantando Arlindo Cruz do que a chata da Maria Rita...
Desculpa querida Maria Rita, mas você nunca vai conseguir circular em todos os meios como a mamãe... Ela pode cantar caipira pirapora, mas você cantando pagode é duro de engolir. Eu sei que é cult gostar do povo e traus, mas o barato é um pouco mais difícil. Tem que ter pegada. E pare de inventar moda. Deixe o pagode em paz e volte a gravar o Marcelo Camelo...


O que é o amor
Maria Rita

Composição: Arlindo Cruz / Maurição / Fred Camacho

Se perguntar o que é o amor pra mim
Não sei responder
Não sei explicar
Mas sei que o amor nasceu dentro de mim
Me fez renascer
Me fez despertar
Me disseram uma vez
Que o danado do amor
Pode ser fatal
Dor sem ter remédio pra curar
Me disseram também
Que o amor faz bem
E que vence o mal
E até hoje ninguém conseguiu definir
O que é o amor

Quando a gente ama, brilha mais que o sol
É muita luz
É emoção
O amor
Quando a gente ama, é um clarão do luar
Que vem abençoar
O nosso amor

18.1.09

Nega véia

O povo aqui da minha terra vive procurando um bar para ser esconder depois das 11 da noite. O moralismo do psiu também chegou aqui, então o jeito é ir parar lá no fundão, no meio do nada com o lugar nenhum, beber cerveja e ouvir uns causos no bar da Nega Véia.

Ela é uma figura que particularmente me intriga: Sabe aquele tipo de gente que parece que já sofreu tanto nessa vida que não esquenta a cabeça com muita coisa? Pois é a Nega véia...

A Nega não tem casa, só tem um butina que acabou de rasgar, um balcão e uma foto com o Pelé. A Nega foi cozinheira do Rei.

A Nega não cobra a cerveja o tanto que deveria cobrar. Acho que ela prefere mil vezes os amigos do que o dinheiro. Ah, e ainda dá um docinho de leite para cada um.
E se não aceitar ela faz cara feia. Só assim eu vejo a Nega brava.
A Nega sorri e me dá um abração quando eu chego no bar.
A Nega me dá um doçura no peito enorme, mesmo sem doce de leite.


Mas a Nega me lembra também que nessa terra, quem mais trabalhou sempre foi quem mais se fudeu.
E sei lá como - mas isso é o Brasil- é também quem mais ri, tira sarro dos perrengues e ajuda todo mundo sem perguntar nada. Sem nem esperar que Deus lhe pague.


A Nega é isso. Uma brasileirona forte, preta, sorridente e que faz a gente ter vontade de continuar na vida...

14.1.09

Sai do meu canto do balcão


O último rolê ainda está na minha garganta. Tanta coisa na cabeça... Tudo divertido, ótimo, mas sempre tem alguma coisa que incomoda porque afinal estamos no mundo. Até porque o que aconteceu acontece o tempo todo. E olha que já faz um tempo que não vou para o bar sozinha... Quando muito no pagode.

Bom, acontece que tomar uma cerveja tranqüila e sozinha no balcão ou na mesa continua sendo uma missão Magaiver. Principalmente se chegou o fim da noite e temos o agravante de um certo espírito “último dia de carnaval”. Tudo bem o moço chegar, conversar, estamos aí... O problema é que quando as mulheres dizem não obrigada, os moços entendem que é um sim com charminho...

Aí está armado o problema: o sujeito começa a pesar, sua paciência está curta e a língua solta...

Acontece é que o número de mulheres que freqüentam o bar sozinhas ou com as amigas está aumentando. E os rapazes vão ter que se acostumar com isso e aprender a serem bacanas. Entender que galanteios podem ser gentis e bem vindos desde que não sejam invasivos e persistentes. A gente obviamente também gosta de paquerar desde que seja uma relação entre duas pessoas e não entre um homem e um bife.

Essa escrivinhada, um pretenso-proto-samba, é mais ou menos sobre isso. Contou com a colaboração de Che Serguei, o gato punk (que inclusive achou a letra bunda mole... o Che acha que a gente tem que cuspir na cara desses moços mal educados).

Substituí o forró, a trilha sonora original da situação, por um samba porque ainda não me meti a ter um triângulo em casa. Talvez eu tenha problemas com os vizinhos.

O título foi alterado acatando a sugestão da cuqs..

A musa inspiradora é a Juju, companheira de samba e de viagens. Ela, como tantas outras companheiras, sabe do que estou falando e estava comigo quando tiramos a foto dessa pixação genial em Buenos Aires mi querida ...

Salve a mulherada que está na luta e não desanima de conquistar seus espaços no mundão...


Sai do meu canto do balcão.


Não pense moço que eu vim pro samba

Porque fujo do amor ou minha vida é procurá-lo

Eu não vim aqui atrás de um marido

Nem de um caixa –forte

Nem de um otário


Estou bem tranqüila para ouvir um samba

Beber uma cerveja

Dar a graça e um rebolado


Quem sabe até trombar algum parceiro

Pra tomar uma saideira

Ou virar meu namorado


Sei que às vezes sou mal educada

Mas quando eu digo não

Eu quero dizer não

Se o moço ganha o meu coração

Não hei de preferir passar a noite no balcão


E se acostume a dividir o espaço

A roda

A alegria

E o violão

Que entrar no jogo do salário é nada

Mas pago minha cerveja

E não quero confusão


Sai do meu canto do balcão!

12.1.09

Um salve para os passarinhos ....


...que animaram minha insônia. Não sei o que aconteceu. Talvez a estranheza com a cama, com o silêncio, com o mimo de mãe, com o beijo na boca... Talvez preocupação com a vida que por vezes continua tão ordinária. Acho que eu não mudo muito faz muito tempo. Mas agora posso acordar em uma segunda -feira em Piedade com café da manhã na mesa e caminhada matinal para compensar a bebedeira de ontem... Beber domigo em Piedade, com a companhia de muitas das pessoas que eu realmente levo a sério nesse mundo é realmente um grande evento. Aliás, não trabalhar na segunda-feira é para deixar qualquer um de bom humor.

Eu não mudei mas as coisas se aliviaram. A dor não sumiu mas já é quase só mais uma parte da vida. Ficar gente grande acalma a alma. Talvez tenha sido isso o que mais pensei enquanto ouvia os passarinhos...
Além disso ficar gente grande dá outro tom para as mesmas coisas. Não bebo mais nem menos do que antes. Aliás, acho que bebo menos. Já nem gosto mais de rabo de galo. Mas agora posso até chegar evidentemente sapecada (essa também é para os leitores locais) em casa porque as pessoas já se acostumaram. Se preocupam mas se acostumaram.

Cheguei cedo em casa mas cercando frango... Minha mãe me esperando. E eu esperando a bronca porque ela viu que eu fui para o bar às onze da manhã. Eram onze da noite.

Faladeira e respondona... feliz e reclamando. E a mãe ouviu e deu risada. Me obrigou a comer um lanche e beber alguma coisa não alcólica. Medidas de mãe que salvaram minha vida.
Ela riu tanto... Eu ria e chorava.

Hoje quando enjoei dos passarinhos fui tomar café... tinha até mamão cortado. Há quanto tempo ninguém corta o meu mamão? Aliás, eu nem como mamão...

Estranho ser mimada depois de velha. Da minha vida só eu cuido faz muito tempo. Quando muito a mamãe companheira Raquel me comprava coca-cola quando eu acordava triste de ressaca.

Aqui a vida parece tão calma e tranquila que me assusta. Minha mãe me mima, a vida é barata, os passarinhos cantam e já encontrei um monte de gente só indo tomar um café e comprar jornal. Agora tem até café expresso. O bar é o mais legal do mundo e tem sambistas amigos para tocar as músicas da minha vida e me deixar com vontade de chorar. Do que mais que eu preciso?

Não sei... Não sei mesmo. Hoje estou tão feliz aqui que ando esquecida de que eu não fui embora de Piedade.
Eu fugi.
Fugi de lembranças e de fantasmas.
Hoje eles sumiram. Mas se eu ficar por aqui muito tempo, eles me acham de novo.

Sinto Piedade... Mas acho que vou ser sempre a filha que vai te levar no nome para onde for. Mas que não vai ter coragem de voltar para o teu conforto.
Sinto Piedade... Mas se hoje você é boa comigo é porque em muitas outras vezes você já me fez chorar muito.
Agora não precisa mais gostar de mim. Porque agora eu também gosto do mundo. O mundão grande que não me acolheu tão bem mas me deixou ficar.

Mas apesar de tudo Piedade, vezes e vezes penso em fazer as pazes. Quem sabe ... Quem sabe isso aconteça um dia e aí eu trago os meus filhos para você criar.



7.1.09

O que é bom para todo mundo


Na Segunda Guerra Mundial uma das críticas mais óbvias que se fazem às grandes potências mundiais é na verdade uma pergunta. Uma única pergunta que poderia mudar o rumo das coisas: Por que vocês deixaram a Alemanha chegar onde chegou para depois intervir?

Em 1938, a tal da política de apaziguamento levado a cabo pela Inglaterra permitiu na Conferência de Munique que Hitler anexasse os sudetos na Tchecoslováquia com a benção da diplomacia internacional. Diz a lenda que o se esperava era que se ele não parasse ali, entraria em choque com a U.R.S.S e o camarada do bigode disputando a Polônia.
Aí tudo bem, ficou bom para todo mundo, já que todo mundo quer dizer E.U.A, Inglaterra e França.
Com o pacto de não- agressão entre os bigodudos, a Alemanha invadiu a fudida da Polônia e daí o pessoal do ocidente começou a cagar de medo e resolveu se mexer.... E dessa negligência, desse silêncio diante do monstro produziu-se uma das maiores tragédias da humanidade: O homem contra o homem e sua ciência.

Os que hoje se advogam as maiores vítimas dessa tragédia são os que hojem pedem o silêncio do mundo. E o mundo continua sendo os E.U.A, a Inglaterra e a prima pobre da França.

Israel está massacrando o terrorismo, não dá para reclamar muito não é?

Se Hitler matar os comunistas é melhor pra todo mundo...
Se Israel massacrar árabes muçulmanos terroristas também fica bom para todo mundo...

E deus? Onde está deus meu deus?
A luta entre a aliança judaico-cristã e o islamismo divide o mesmo deus monoteísta em três. Até agora já entendemos de que lado ele tem ficado...


5.1.09

Olha essa vida meu nego....



Você era um menino engraçadinho e bom
Um dia chegou na porta da minha casa
Eu muito mais velha do que você
Já então com todos os meus 13 anos
Você com 12 e um ano a menos de escola
Ganhei um cartão
Meu presente de dia dos namorados
As palavras que eram para parecerem rebuscadas
hoje me fizeram rir quando olhei para aquele papel
no fundo da caixinha, meio amarelo
com uma letra infantil escreveu extremamente
extremamente apaixonado
sonhando todo dia
sem coragem de falar comigo nos bailinhos
(e eu gostando apenas dos mais velhos...
adorava um rapaz de 14 anos)
Me pediu
- com a mesma humildade que te faz gente até hoje-
para que pensasse bem e daí quem sabe um dia...

Esse um dia demorou 14 anos para acontecer
O menino engraçadinho virou um homem encantador
que agora se vinga um pouquinho rindo do meu desprezo
ao amor jovenzinho de outros tempos
Sabe que a vida rodou
- Olha só. Se eu pensava que ia ser assim...
Ele me diz depois que eu, bêbada de amor, de samba
e de cynar digo que quero casar com ele
Ele ri....
Só ri...
Eu só olho
Agora sou eu que espero



Quem sabe um dia

29.12.08

Que venha 2009!

Esse ano, como eu e as companheiras andamos refletindo por aí, parece que não vai terminar nunca... Mas agora que eu joguei o biquini na mochila, finalmente tenho um marco, a sensação de que o ciclo está se fechando mais uma vez de acordo com o tempo de Deus...
Dentre as perspectivas para o ano que vem - trabalhar muito, beber e fumar menos, praticar esportes regularmente e me apaixonar menos para ter tempo de fazer o resto- a que mais está me empolgando é a prefeitura petista que está começando uma página nova na história da política piedadense. Mesmo sabendo que estruturalemente tudo vai continuar a mesma merda, o clima politizado que as filas de banco tem adquirido é impressionante. Outra idéia de política, ainda que sonhando com as realizações de um partido de centro- esquerda europeu.

Sempre que a rapaziada vai para algum lugar de caravana, rola a viagem de tomar o pico e instituir um governo popular. Tenho na memória pelo menos uns quatro gabinetes de governo montados... com todos os meus amigos e suas respectivas áreas de afinidade e trabalho.

Bom, foi isso o que meus companheiros de churrasco fizeram. São pessoas que já trabalham pela cidade e agora vão para a prefeitura. A merda que isso pode dar? Não sei direito, mas pode ser enorme.
Mesmo assim boto fé que vai ser um experiência interessante. Quero estar perto deles para ver e puxar a orelha no bar do Mineiro... Eu continuo não sendo governo.

17.12.08

O beijo

Nas leituras aleatórias de Manuel Bandeira que me alegram o dia e me aconselham como um tarô, essa foi a poesia do dia. A saudade que na noite ébria me apavorou veio no outro dia me dizer que o que foi bonito já existe, já é meu e agora pode ser guardado na paz das minhas lembranças...

Quando a moça lhe estendeu a boca
(A idade da inocência tinha voltado,
Já não havia na árvore maçãs envenenadas),
Ele sentiu, pela primeira vez, que a vida era um dom fácil
De insuportáveis possibilidades.

Ai dele!
Tudo fora pura ilusão daquele beijo.
Tudo tornou a ser cativeiro, inquietação, perplexidade:

- No mundo só havia de verdadeiramente livre aquele beijo.

12.12.08

Divino maravilhoso

A vida em si é muito zica... cada momentinho de alegria é o que faz a gente andar mais um bom tempo na lama da tristeza. E se a gente perde esses momentos? O que sobra dessa vida mal servida? Tem mesmo é que prestar atenção. Ou uma pessoa maravilhosa que pode nos oferecer muitos momentos de alegria pode estar do lado e a gente nem perceber nem ser percebida. Tudo não por estar distraída, mas por estar escondida por uma lama de tristeza.


Atenção ao dobrar uma esquina
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte (2x)
Atenção para a estrofe e pro refrão
Pro palavrão, para a palavra de ordem
Atenção para o samba exaltação
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte (2x)
Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão
AtençãoTudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte

25.11.08

Só para animar


Olha que tirinha bacana para quem, como eu, é uma feliz e praticamente desempregada professora de história. Ando pensando cada vez mais seriamente em virar manicure...

17.11.08

Amor - Por secos e molhados

Leve, como leve pluma
Muito leve, leve pousa.
Muito leve, leve pousa.

Na simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma
Suave coisa nenhuma.
Sombra, silêncio ou espuma.
Nuvem azul
Que arrefece.

Simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma.
Que em mim amadurece


O confuso e sempre presente amor. Normalmente se associa amor ao relacionamento institucional, o namoro "firme" ou o casamento. Particularmente faz muito tempo, anos, que eu não namoro. Apenas namoro na ação. Vez por outra é claro que faz falta, mas quando olho para os lados, minha impressão é que em grande parte dos relacionamentos as pessoas mais se punem do que se amam. Estão mais preocupadas com o status moral do amor do que com o companheirismo que lhe dá sentido. Sempre acreditei que "estar namorando" significa ser companheira de alguém. Por isso não acho que tive algum namorado nos últimos anos: nunca senti esse companheirismo. Nesse caminho machuquei corações que queriam amar o meu, e fui machucada por outros que não me queriam. E assim se vive.
Lembrei de uma frase bonita que vi outro dia: A paixão é monogâmica, mas o amor tem outros caminhos.
O amor não é suave, não é enquadrado e muito menos pode ser moldado aos modelos de relacionamento evolutivo. Quem precisa de uma relação estável como atestado de maturidade e sucesso pessoal, perde o melhor do amor.
E é por esse melhor sempre buscado que ele me amadurece.

12.11.08

11.11.08

De vez em quando tenho saudades do Cid Moreira...


... narrando a Bíblia. Ando achando que, ultimamente, ser católico é mais barato. Morte ao R.R. Soares!!!!




7.11.08

Olha o velhinho de barbas brancas em alta de novo....



"A história acontece duas vezes, a primeira como tragédia, a segunda como farsa."




Tudo bem, eu sei que a frase é manjada. Mas vamos admitir: ela é boa. E nos últimos tempos, além de profética, ela é engraçada.


Saca só - Frases que poderiam ser ditas:

1929- 1933

Hebert Hoover - O republicano - "Eu tenho um sonho: que o mercado resolverá tudo. Homens de pouca fé é só esperar mais um pouquinho."

F.D. Roosevelt - O democrata - "Bom, eu já sou paralítico mesmo, qualquer coisa que eu fizer vai ser um milagre. Levanta -te e anda! Ops, quer dizer, Estado estatize!

2008

Bushinho - O republicano - Crise do quê? Ahn? Lá no Texas minhas vacas estão todas de pé. Ei Jão essa era da boa hein? Põe dessa pá mim!

Obama Bin Laden - O democrata - Eu que já achava difícil ser preto nessa bosta, agora sou preto e presidente. Tô fudido.

31.10.08

Minha primeira morte


Nesses dias por aí, depois do trabalho, estava assistindo “Todo mundo odeia o Cris”, um seriado genial que passa na Record geralmente no meu horário de almoço. Gosto por alguns motivos, como me lembrar pessoas. E a discussão é boa: é um seriado cujos protagonistas são pobres ou, sendo mais bonitinho, classe média baixa. A questão é que ser classe média baixa nos Estados Unidos da década de 80 é muito parecido em diversas instâncias com o ser classe média média no Brasil. Os perrengues, a luta da classe média para não ser quem ela é: o limbo social que quer consumir a aparência como um rico, nem que para isso tenha que aumentar as outras privações de pobre. A típica gente besta que gasta com cabeleireiro e roupas nem que para isso passe o resto do mês contando moeda. Ou pior, endividada pelas próximas encaranações a ponto de quando terminar de pagar tudo, o cabelo já estar uma merda de novo e a roupa já estragada ou fora de moda, o que dá no mesmo. Enfim, foi mais ou menos com isso que eu sempre convivi. A tal da medíocre classe média renner – chapinha. Mas o presidente diz que esse é o caminho...

Hoje em especial, fiquei meio nostálgica com um episódio: O avô do Cris morreu jantando na frente dele. Sofreu um enfarto e caiu de cara no prato. Lembrei do meu avô porque ele também morreu jantando na nossa frente. Na hora (como o Cris) não entendi o que estava acontecendo, mas lembro de tudo: Ele caído e seu prato espatifado porque estava na mão. Tínhamos a mania detestável (segundo minha vó) de jantar com o prato na mão, na sala vendo jornal com o meu vô. Depois disso levaram a gente para a casa do vizinho e enquanto eu via um monte de gente chegando em casa, o vizinho fritava umas coxinhas e nós assistíamos “O rapto do menino dourado”, que na época ainda era um filme novo. Não lembro de como me contaram que meu vô não voltaria do hospital, mas lembro de ter visto ele no caixão, no meio da mesma sala da qual ele saiu carregado algumas horas antes e de ter ficado desesperada. Se ele não voltasse, ninguém mais contaria histórias (todas terrivelmente moralizantes, mas isso eu não sabia na época e achava tudo importante) pela manhã quando estávamos na cama esperando minha vó chamar para o café. Além disso, tinha muito arroz, milho e feijão plantado e ele precisava colher. E a horta? Quem iria regar a horta e tirar os matinhos todo dia? E tem outra, a gente ia caçar e aprender a fazer tapera de sape, ele já tinha prometido. Não me conformava: eu achava que ninguém podia morrer se tivesse prometido algo para alguém e não tivesse cumprido.

Minha vó e minha mãe cuidaram de fazer tudo que ele tinha deixado por fazer. Mas nos quase 20 anos que se passaram desde que ele morreu, ninguém nunca mais prometeu me levar para caçar e dormir no mato. E eu sei que foi depois que ele morreu que tudo desandou na minha vida.
O vô Juvêncio era meio pai assim como a vó Maria era meio mãe de todas nós. Meu pai era muito distante, muito ocupado em ser classe média. Além disso era chucro mesmo, não sabia que ser pai era algo mais do que ser provedor e repressão. Meu avô também não sabia ser muito carinhoso quando era pai da minha mãe. Mas a idade amolece as pessoas, deixa todo mundo mais maleável. E ele não era meu pai, era meu avô a figura masculina mais carinhosa e certa da minha vida. Eu adorava quando as pessoas falavam que eu me parecia com ele: meio moleque e que vivia pelos matos. Lembro dele como seu Juvêncio do bar, como seu Juvêncio caçador, como seu Juvêncio encarregado de fábrica porque tinha aprendido a ler e escrever praticamente sozinho. Lembro dele voltando do mato com um passarinho morto debaixo do braço dizendo que era para mim. Eu era pequena e chamava o passarinho morto de carninha branca: era carne de nhambú, muito mais branca que carne de frango. Ele chegava contente e eu ficava esperando a vó limpar o bicho e fritar.

Meu vô aprendeu a ser carinhoso sendo vô. Ele era um homem rústico, mateiro, que virou operário por acaso e depois dono de bar.E quando penso nele, naquele ogrão branquelo e vermelho de sol voltando do mato com um passarinho para a neta “pretinha” como ele me chamava, penso que meu pai também vai ser um avô legal. Ele só precisa aprender e disso talvez o tempo se encarregue.

28.10.08

Longos 4 anos anos...






Eita porra... achei bonita a vitória da diversidade contra o preconceito. Bacana ver a classe média que não é nem nunca foi homofóbica defendendo a causa. Onde esse povo do PT está com a cabeça? O que tem de mais a opção sexual do rapaz? Onde está a igualdade de direitos?

Depois do movimento "CANSEI" contra o mensalão, voltei a ter orgulho dessa cidade que tão bem me acolheu. Que ama seus nordestinos, seus pretos, suas minorias sexuais, seus grupos oprimidos. O próximo prefeito, se tudo continuar bem assim, deverá ser tudo isso: Preto, pobre, nordestino e gay.

Viva a democracia dos bandeirantes! Viva a locomotiva que carrega o Brasil!

22.10.08

Um salve para as primas


Olha a mulherada se organizando... E para os curiosos, vale dar uma olhada na revista "Beijo da Rua" e no site da ong DAVIDA.
Os nomes são ótimos e as frases de luta também: Sem vergonha garota. Você tem profissão.

21.10.08

Coragem muié...

Lembram de uma música do Raul, bem breguinha auto-ajuda chamada "Quando os sinos dobram"?


"Nunca se vence uma guerra lutando sozinho
Cê sabe que a gente precisa entrar em contato
Com toda essa força contida e que vive guardada
O eco de suas palavras não repercutem em nada
É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possivel aliado, é...
Convence as paredes do quarto, e dorme tranquilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo

Coragem, coragem, se o que voce quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, que eu sei que voce pode mais."


Engraçada. Também da série: músicas para quem não sabe tocar violão. Mas enfim, ando tão corajosa que tenho tido até medo de tanta vontade de meter o pé na porta e dar umas voltas por aí só para ver o que acontece.
Essa história de querer dar conta de deus e sua obra é furada. Bem vinda ao simples, porque só ele faz sentido. Vez por outra na vida a gente precisa é pensar quer perdeu tudo, para enfim ganhar alguma coisa verdadeira.

Coragem que a vida é mais. Perdi o medo até do que não passa, como o passado que vira e mexe volta e assombra. Ou o amor que vez por outra teima ainda em me queimar.

Vi no final de um filme lindo do Domingos de Oliveira chamado "Amores", uma frase que resolve muita coisa. Basta ser simples:

Tem coisa que não é para entender. É só para decorar.

16.10.08

Dia dos Profê

Pois é minha gente... Eu sei que foi ontem, mas a vida anda bem corrida.
Tripla jornada, e olha que eu nem entrei no baby boom mais conhecido como efeito "Lulão". Mas enfim, ontem recebi recadinhos, minha mãe me ligou dando parabéns, o pessoal do grupo de estudo mandando parabéns para todo mundo... daquele jeito.

Bom, aproveito então para lembrar de um puta professor que me deu aula quando eu estava na sexta série: o Claitão japonês. Professor de inglês. Nunca aprendi grande coisa, sempre odiei aprender inglês, como odeio do fundo do meu coração até hoje. Mas ele era jovem, legal e trazia um monte de músicas bacanas. Foi nos ensaios de uma apresentação de fim de ano no qual, para meu desespero, teríamos que cantar em inglês que ele nos intervalos tocava músicas do Língua de Trapo. Ele me ensinou a tirar sarro da bossa nova, que é muito mais útil do que saber inglês. Cantava em ritmo de João Gilberto uma musiquinha qua começava "cagar é bom, quando a gente está em paz..."

Alguns aninhos depois, comecei a namorar um amigo dele, parceiro de banda. E o Língua de Trapo continuou animando minha vida mas agora nas rodas de fogueira em algum fundo de mato em Piedade. Com vinho vagabundo, claro.

Bom acho que já falei disso aqui, mas o fato é que de todas as músicas que ele cantava, a mais legal de todas era Deusdéti. Ele fazia um sotaque a la Piedade impagável. Muito pior do que o meu.
Saudades do Claitão. Casou, ficou um pouco atrapalhado em decorrência do tempo vivido no toyotismo in loco... mais um imigrante. Mas agora está lá em Piedade. O mesmo anjo da depressão, como costumávamos chamá-lo.

E o melhor, peguei a cifra de Deusdéti. É a típica música de roda de violão e fogueira, ou seja, músicas para quem não sabe tocar violão. Só tem 3 acordes. Apesar de já ter passado um pouco da idade, lá estou eu com meu violão tentando tirar a música. O Che adora.

Deusdéti

1ªparte (Falada)

Acho que foi num dia de São João Batista que conheci Deusdéti
Nesse tempo eu já era Marquexista e ela ainda ia em discoteque
Tentei de tudo, até lavagem cerebrár, meu saco tá que não guenta
Mas nem o Pinochet é tão radicar.Êta muiézinha lazarenta
Igual Deudéti, juro por Deus, não existe
A marvada só lê Capricho e livro da Agatha Cristie
Além do mais é metida a grã-fina, adora homem com
Fedor de gasolina que sina, que sina,
Em veis de ela estudá os pobrema da guerrilha urbana
só quer saber de escuitar música americana estrambólica
Também, a mãe é da liga das Senhoras Católicas
E o bode véio do pai é da Opus Dei
Não sei, não sei
Como é que eu vou sair dessa enrascada
Só se eu pegar o pai e mãe da danada e fazer papér de fachistão:
vendar os óios e carcá fogo num paredão
Só que eu tô ficando cheio de fole, virando um caboclo de coração mole
No lugar de apoiar a luta armada, fico fazendo verso pra namorada
Mas pra encurtar o caso, que nóis aqui temo prauzo prá terminar vamo cantar.

2ªParte (Cantada) Intro:(G D)

Se o nosso amor for logo, logo pras cucuia
A curpa é tua Deudéti
Enquanto eu falo o tempo todo em Che Guevara
Ocê freqüenta o "Tamatete"
Se o meu partido desconfiar qu'eu te namoro virge, porca miséria
Vamo passar toda nossa Lua-de-Mel quebrando gelo na Sibéria

Não pude, não pude
Não pude ir jantar com você no Maquesude

Ocê só pensa em champanhe, caviar e noutros produtos chiques
Esquece sempre que o seu futuro noivo é do Partido Bolchevique
Tem certos dias que me dá um nó na garganta
Daqueles bem morfético
Porque você rejeita o materialismo dialético

Não pude, não pude
Não pude ir jantar com você no Maquesude

7.10.08

Ronda

Fazem algumas semanas que não consigo tirar essa música da cabeça... Para mim, ela é sim uma síntese do espírito piegas, passional, cruel e profundamente poético do centro de São Paulo. A relação com esse pedacinho da cidade só pode ser visceral. De amor e ódio, de alegrias e noites depressivas nos bares da vida. Não dá para ser diferente. No centro, ou se vive.... Ou se vive.

O que o inspirou a compor essa canção?

Paulo Vanzolini - A coisa mais engraçada é que o povo acha que Ronda é um hino a São Paulo, mas na verdade ela é sobre uma mulher da vida (risos). Naquela época, servindo o Exército, eu patrulhava o baixo meretrício. Uma noite, na saída, eu estava tomando um chope ali pela avenida São João, quando vi uma mulher abrindo a porta do bar e olhando para dentro. Imaginei que ela estava procurando o namorado. Ele pensava que era para fazer as pazes, mas o que ela queria era passar fogo nele (risos).

De noite eu rondo a cidade
A te procurar sem encontrar
No meio de olhares espio em todos os bares
Você não está
Volto pra casa abatida
Desencantada da vida
O sonho alegria me dá
Nele você não está
Ah, se eu tivesse quem bem me quisesse
Esse alguém me diria
Desiste, esta busca é inútil
Eu não desistia
Porém, com perfeita paciência
Volto a te buscar
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres
Rolando um dadinho
Jogando bilhar
E neste dia então
Vai dar na primeira edição
Cena de sangue num bar
Da avenida São João

4.10.08

Quando o invariável se torna variável

"Os homens gostam das mulheres independentes. E também das que não são."
Maria Alice (Leila Diniz) - Todas as mulheres do mundo.

Não dá para negar que o casamento é um tema que perpassa constantemente a vida. Invariavelmente a conversa vem à tona. Invariavelmente alguém lembra e pergunta de alguém e invariavelmente alguém responde: casou. Tudo bem, se ficasse por aí. Mas até quando não é assunto, é assunto. Basta ligar a televisão é e sempre a mesma imagem cristalizada do que pode ser a vida de uma mulher. Invariavelmente elas estão na função de casar ou manter o casamento. Todas. Do jornalismo tosco da Alerta Geral na Record, passando por novelas, filmes e blá, blá... Os homens fazem peripécias, cantam, dançam, sapateiam e casam também. É só mais uma atividade, e não destino da vida.
Tudo bem, a boa e velha discussão de nossa amiga Simoninha Bevoir, a imanência para as mulheres e a transcendência do mundo para os homens.
Mas e hoje? A totalidade da imagem recriada e conservada pela senso comum do que é o caminho normal da vida, dá conta de explicar alguma coisa?

Provavelmente nunca se tenha conseguido recriar a realidade, nem pelo senso comum, nem pela ciência, porque isso é uma pretensão tão ingênua quanto impossível (os historiadores, que não primam ela modéstia, costumam ter essa ambição, mas tal desperdício de energia é outro problema). Mas também há de se pensar que o mundo mudou de uma forma mais radical, e as brechas são maiores. O senso comum, cada vez mais, dá menos conta de explicar o comportamento das pessoas. Reducionismos e argumentos ruins que procedem da idéia de que fodam-se essas novas realidades, de que não faz a menor diferença porque continuam a ser ricos e pobres, é preguiça de pensar e mantém a lógica binária do pensamento conservador de direita e de esquerda.
Bom, de um jeito rápido, lembrando que isso é um blog, fico pensando o quanto o capitalismo afasta as pessoas de deus, mais do catolicismo talvez. Tudo bem, tese manjada. Mas a classe média é o limbo de tudo. Todas as referências se perdem. Os muito fudidos se apegam ao Deus prático pela urgência da vida. Os ricos se apegam pela garantia de sua salvação e só, portanto se dão bem em qualquer discurso.
E a classe média? Ela é metida a instruída, ela rebola demais para se manter classe média, não dá tempo de perder tempo com essas bobaginhas místicas ... Quando muito lêem uns livros espíritas (mais racionalistas, se afastam do fanatismo bestial dos pobres). E como agora tem um mundo de gente (principalmente jovens do setor de serviços) comprando na Renner e nas Casas Bahia, muito mais gente anda estufando o peito e se sentindo classe média.
Bom, mas qual é a parte legal disso?
Afrouxa a moral.É uma puta mão na roda para as muitas mulheres que estão tentando, de algum jeito, tentar uma trajetória de vida diferente e menos medíocre do que a mera resignação ao que lhe foi historicamente imposto.Filhas do iluminismo. Poucas herdeiras e de certa forma, as únicas que se beneficiaram de algum jeito pelo desenvolvimento do capitalismo. Todos os sistemas exploraram homens e mulheres pobres. Mas só o liberalismo permitiu que mulheres e homens fossem explorados da mesma forma, podendo ter acesso a uma parte dos mesmos benefícios. Deus é uma nota de cem para homens e de cinqüenta para as mulheres.
Sujeita do capital, essas mulheres reconfiguraram a instituição do matrimônio.Para os homens, tanto faz.Ou melhor, piorou muito porque na verdade, são eles que não conseguem ficar sozinhos. E como existe mulher divorciada (desquitada era a melhor he he) nesse mundo... Algumas que abandonaram seus lares para serem felizes. Outras que ficaram para trás quando o outro alguém resolveu ser mais feliz. Mas de qualquer forma, emancipadas de uma relação merda e na balada... Talvez loucas para casar de novo, mas de qualquer forma tentando outra coisa.
E a pressão em cima das solteiras? Não é fácil não... O termo solteirona é o mais antigo e o mais escroto do mundo.
Não é um otimismo besta, sei que a base de tudo é mesma. As mulheres emancipadas estão em grande parte loucas para casar de qualquer jeito, a qualquer custo para não ficarem para tia. Mas ainda assim, acredito cada vez mais na mudança. O tempo acelerou e podemos perceber as transformações de um jeito muito gritante. O instante é o tempo presente. E daqui desse tempo, tem muita mulher mais preocupada em encontrar o amor, do em ter um homem. Perderam o medo de serem tratadas como elas merecem.

23.9.08

E no fim das contas, o que realmente importa?

Cada vez mais acho que é o amor. O amor em todas as suas revelações, principalmente pelas mulheres e homens maravilhosos que cruzaram e cruzam sempre minha vida. Seguindo o conselho da encantadora de gatos: ter paciência. Tanto nos dias e noites passadas nas esquinas da São João, quanto nos momentos tumultuados em que o amor imediato faz falta e agita o corpo. E assim perder o medo de se estrepar. Ou seja, de beber, cair e levantar....

O resto só aparece e move o mundo.


O Amor Bate na Aorta
C.D.A


Cantiga de amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.
Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.
O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.
Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.
Amor é bicho instruído.
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.
Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender...

18.9.08

Me estranhando no mundo

"As coisas não existem. Elas existem para mim."
Sartre

Está difícil escrever qualquer coisa. Sensação de que minha vida está parada. Tudo em suspenso. Momento de olhar para dentro. Dificil mesmo escrever qualquer coisa quando nada está fazendo muito sentido. Tudo estranho. Tentando olhar para as coisas, para o mundo, e entender qual é a minha parte de histeria no que vejo. Até que ponto elas, as situações, os fatos, o mundo, são de certa forma simples e sou eu que dramatizo. Podem as coisas serem assim? Algo em essência e separado do que o meu olhar constrói a partir de minhas próprias percepções e neuroses?
Ando duvidando de tudo que vejo e gostando pouco da minha participação nisso tudo.Construo o mundo a minha volta, para mim, de acordo com minhas premissas, do meu ser.
E a cada dia gosto menos do que vejo.

10.9.08

Ainda sobre a emancipação feminina

Se emancipação é pagar as próprias contas, segue a letra de uma das maiores feministas da música popular brasileira... Vai Tati... quebra tudo...

Eta lele, eta lele
Eta lele, eta lele
Eta lele, eta lele
Eta lele, eta lele


Eu fiquei 3 meses sem quebrar o barraco,
Sou feia, mas tô na moda,
tô podendo pagar hotel pros homens
isso é que é mais importante.

Quebra meu meu barraco
Quebra meu barraco
Quebra meu barraco

9.9.08

O PT morreu... Viva o PT!

Tempos difíceis esses em que não há distinção efetiva entre os vários grupos em disputa. Eu estou em campanha pela Marta (Dona Marta, como dizem os raivosos), e talvez esse seja meu lado mais stalinista (ops, pragmático). Não estou comparando a radicalidade do capitalismo de Estado soviético, com a política social-democrata mansinha dos companheiros do PT. Mas o fato é que não consigo entender essa história de voto crítico, de correr o risco de perder uma eleição para o PSDB, fazendo beicinho de indignado e marido traído para o PT.

Explico: O discurso é ruim, a política é pior. Mas, antes o PT sendo manso, do que o PSDB sendo selvagem. E ele é, todos sabemos. O PSDB com o Estado na mão, é um trator que destrói e desmonta qualquer tipo de benefício que se possa oferecer para os fudidos em geral.

Com isso na cabeça, você engole os bundas do PT. Engole com uma cachaça para ver se desce melhor.
A companheira fala de seu programa de governo, como se ele fosse o máximo da coragem, da mudança estrutural. Com aquela ênfase de viva la revolucion, mas utilizando, por exemplo, a bandeira da revitalização do centro. Ora, nenhum companheiro avisou que o termo é ruim? Que ter muitos pobres, não quer dizer estar morto?

Pensei nisso passando pela Praça Roosevelt com as companheiras. Quando eu me mudei para São Paulo (e nem faz tanto tempo assim), nem os cachorros sentavam para tomar uma cerveja naquele lugar, porque era fedido e insalubre.
Hoje, graças ao fato de que "a vida voltou", a cerveja subiu (acho que 4,50, ou seja, preço de zona ou de otário). Não dá para tomar cerveja do mesmo jeito. E além disso, é pouco atraente pensar naquele bando de gente pau no cú fazendo cara de sabida, concentrado no mesmo lugar. É insalubre também. Ofende.

Esse é o espírito. Revitalizar significa agregar valor. Agrega valor na cerveja, e por tabela, nas pessoas que bebem sua cerveja ali.
Ou seja, quem bebe junto com a ala intelectualizada da cidade, deixa de ser apenas um rosto bonito e uma cabeça vazia. Beber ali, significa que você pode compartilhar da cultura, da inteligência. E é bom lembrar que para grande parte dos artistas, cultura é o que eles fazem nos espaços culturais, e o viver do cotidiano simples não faz parte disso.E agora, sentado ali você é um deles. Essa é a parte mais fabulosa do mundo das mercadorias no seu estágio atual. Consumimos cultura, cerveja e nos identificamos plenamente com os artigos que compramos. Compramos um livro, porque é coisa de gente inteligente e não pelo prazer. Pagamos um absurdo na cerveja, porque com ela, também compramos o que ela significa. Não é ela que vale, é o lugar onde ela é servida.
E não é cevada o que está dentro daquela garrafa.
É cultura.

Segue o diálogo:

- E aí gentes, vamos beber aqui mesmo?
Coro:
-Não....

E nessas prefiro os lugares que ainda estão mortos no centro, mas que assim, me dão a sensação de serem de verdade, e não um simulacro. Já tentei diversificar, mas nesse lugares vivos, não rola nem vontade de paquerar, porque não dá para prever o mala que vai sentar na sua mesa. Vai que o cara tenta me cantar passando a bibliografia sobre o expressionismo no cinema alemão...
Como sempre, terminamos bebendo uma e comendo a boa e velha porção de calabresa em um daqueles lugares que estão mortos há muito tempo. Esse tem até uma lápide: Servindo desde 1958.

Estar vivo é pouco. Antes morto e cheio dos defuntos do centro (como os bolivianos que estavam do nosso lado) do que vivo com aqueles que, vivendo, matam a arte em nome da tal cultura.


Mesmo assim, a vida anda difícil e a conjuntura grita:

Pau no cú da Marta... Viva a Marta!

2.9.08

Tomá um pingão...

Salve Tião Carreiro e Pardinho... Mais uma que me vem por Piedade. E não precisa ser caipira para se identificar... Afinal, quem é que nunca deu uma dessas?

Vou tomá um pingão
Tião Carreiro e Pardinho

Ô, vida amargurada
Quanta dor que sinto
Nesse momento em meu coração
Ô, que saudade dela
Não aguento mais
Vou lá na vendinha
Vou tomá um pingão

1.9.08

Companheiro é companheiro

Piedade, para mim, é sempre uma possibilidade a se buscar e um lugar do qual se afastar... Amo a cidade tanto quanto odeio.

Amo por sua caipirisse genuína. Em Piedade, nosso vocabulário básico tem algumas peculiaridades:

- Utilizamos verbos no diminutivo (como já bem percebeu meu companheiro blogueiro BIR)
Ex: Andandinho, comendinho, bebendinho, viajandinho... palavras essenciais.

- Mas também, utilizamos o diminutivo em adjetivos. Ex: Gostosinho, amarguinho, levianinho.

- E também colocamos ADA para expressar quantidade. Ex: Putaiada, carnaiada, coisaiada, homarada, muierada.


Mas gosto mesmo é do repetório do bar. Sempre aprendo uma música nova. Como a dessa semana. Salve os companheiros de Piedade. E os maravilhosos fins de semana que ele me dão.


Companheiro é Companheiro
César e Paulinho

Escolha bem seus amigos de conduta
Companheiro é companheiro
Filha da puta é filha da puta (4x)

Quem veste a nossa camisa
É companheiro
Quem põe nós na confusão
É filha da puta
Quem ajuda quem precisa
É companheiro
E quem deixa a gente na mão
É filha da puta
Quem devolve o que empresta
É companheiro
Quem enrola e não retrosa
É filha da puta
Quem convida nós pra festa
É companheiro
E quem deseja o mal pra nós
É filha da puta


Escolha bem seus amigos de conduta
Companheiro é companheiro
Filha da puta é filha da puta
(3x)
Quem trabalha honestamente
É companheiro
Quem rouba o nosso dinheiro
É filha da puta
Quem tá do lado da gente

É companheiro
E quem dá golpe à traiçoeira
É filha da puta
Quem vibra o nosso progresso
É companheiro
Quem tem inveja remota
É filha da puta
quem quer o nosso sucesso
É companheiro
E quem quer que a gente se afogue
É filha da puta

Escolha bem seus amigos de conduta
Companheiro é companheiro
Filha da puta é filha da puta (6x)