3.4.09
Ele...
O confortável tantas vezes parece o ninho quentinho de quando se está morrendo de inanição. Você passa um frio, um desconforto do caralho e... do além tudo fica quentinho.
Não, a temperatura não mudou e nada melhorou. É você que está morrendo.
Se fechar os olhos, o povo joga terra.
É dessa intensidade que sofria. Que sofro.
Não é culpa do João Bosco. Nem dele.
Memória da Pele
João Bosco
Eu já esqueci você
Tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre
A sonhar em vão
Cor vermelha carne da sua boca, coração
Eu já esqueci você, tento crer
Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor
Sua casa, sua cama
Sua carne, seu suor
Eu pertenço a raça da pedra dura
Quando enfim juro que esqueci
Quem se lembra de você em mim
Em mim
Não sou eu sofro e sei
Não sou eu finjo que não sei, não sou eu
Sonho bocas que murmuram
Tranço em pernas que procuram enfim
Não sou eu sofro e sei
Quem se lembra de você em mim
Eu sei, eu sei
Bate é na memória da minha pele
Bate é no sangue que bombeia
Na minha veia
Bate é no champanhe que borbulhava
Na sua taça e que borbulha agora na taça da minha cabeça
Eu já esqueci você, tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre Busco sempre a sonhar em vão
Cor vermelha, carne da sua boca, coração
2.4.09
Nossas crianças...
Mas quando soube que era uma menina tudo fez sentido também. Fiquei viajando em como nós seriamos as "tias" que de certa forma, acabariam sendo uma pouco da referência de mulher para a pequenina. Fiquei vaidosa. Gostei da idéia. Tenho um orgulho danado das minhas mulheres. E agora a Dianinha é mais uma delas...
A Zóe do Carnaval já chegou... Agora falta a Bianca para se pendurar nas barbas do papai Barba.
1.4.09
31.3.09
Roendo as unhas
Roendo As Unhas
Meu samba não se importa que eu esteja numa
De andar roendo as unhas pela madrugada
De sentar no meio fio não querendo nada
De cheirar pelas esquinas minha flor nenhuma
Meu samba não se importa se eu não faço rima
Se pego na viola e ela desafina
Meu samba não se importa se eu não tenho amor
Se dou meu coração assim sem disciplina
Meu samba não se importa se desapareço
Se digo uma mentira sem me arrepender
Quando entro numa boa ele vem comigo
E fica desse jeito se eu entristecer
30.3.09
Companheiro é companheiro...
Com todos os elementos absurdos e desconexos que formam o cenário onde nossa vida se desenrola. Com toda a cretinice da submissão ao trabalho e à sobrevivência. Com a sempre presente filhadaputice diária. Com suportar tudo isso se nesse cenário, além de tudo, o espetáculo for feito por uma pessoa só?
20.3.09
Ser feliz...
Passar um dia útil tomando cerveja com um grande amigo, comendo porção de calabresa acebolada e descobrindo uns sambinhas novos pra alegrar o coraçãozinho que é mais besta ainda....
18.3.09
Coisa bonita que ouvi por aí...
12.3.09
Não reclama que piora...
Cachaça e amor
Tristeza chega
quando abro a morada
Só a solidão me aguarda
Solidão na multidão
Saio pra rua
Cruzo só pezinhos sujos
Pequeninos olhos mudos
Espalhados pelo chão
E sossega o samba
Todos correm pro metrô
Risco meu caminho torto
Caminho e rio da dor
E nesse mundo
A alegria anda para poucos
resta mesmo é de consolo
A cachaça e o amor
E seu puder
Eu te levo pro cafofo
Me escondo no teu corpo
Pra desse mundo esquecer...
E se eu puder
Eu te levo pro cafofo
Me escondo no teu corpo
E finjo do mundo esquecer.....
8.3.09
Das conversas com as amigas....
- Não é que só pandeiro e violão dá uma mistura boa... fica bonito vai...
- É que pandeiro e violão se complementam... eles se bastam...
- Será isso então?
Risos e bora pegar mais uma cerveja que o samba é mais pra frente, não é não nega?
Para a parceira juju....
4.3.09
Eu quero é botar meu bloco na rua!



O carnaval se foi e a vida voltou... O carnaval mais vermelho e bonito que já pulei. A cidade se levantou para dançar e ver como existe um jeito mais divertido de se viver.
19.2.09
16.2.09
As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender...
Coisas Do Mundo, Minha Nega
(Paulinho Da Viola)
Hoje eu vim minha nega
Como venho quando posso
Na boca as mesmas palavras
No peito o mesmo remorso
Nas mãos a mesma viola onde gravei o teu nome
Venho do Samba há tempo, nega
Venho parando por ai
Primeiro achei Zé Fuleiro que me falou de doença
Que a sorte nunca lhe chega
Que está sem amor e sem dinheiro
Perguntou se não dispunha de algum que pudesse dar
Puxei então da viola
Cantei um Samba para ele
Foi um Samba sincopado
Que zombou de seu azar
Hoje eu vim, minha nega
Andar contigo no espaço
tentar fazer em teus braços um samba puro de amor
Sem melodia ou palavra para não perder o valor
Depois encontrei seu Bento, nega
Que bebeu a noite inteira
Estirou-se na calçada
Sem ter vontade qualquer
Esqueceu do compromisso que assumiu com a mulher
Não chegar de madrugada e não beber mais cachaça
Ela fez até promessa
Pagou e se arrependeu
Cantei um Samba para ele que sorriu e adormeceu
Hoje eu vim, minha nega
Querendo aquele sorriso
Que tu entregas para o céu
Quando eu te aperto em meus braços
Guarda bem minha viola, meu amor e meu cansaço
Por fim achei um corpo, nega
Iluminado ao redor
Disseram que foi bobagem
Um queria ser melhor
Não foi amor nem dinheiro a causa da discussão
Foi apenas um pandeiro
Que depois ficou no chão
Não tirei minha viola
Parei, olhei, fui-me embora
Ninguem compreenderia um Samba naquela hora
Hoje eu vim, minha nega
Sem saber nada da vida
Querendo aprender contigo a forma de se viver
As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender
13.2.09
Queimem bruxas!
11.2.09
Viver de amor...
E ver beleza no outro é tudo o que mais me encanta. Eu taurina passional e chorona. Que choro em final de filme triste. Choro de comoção ao ouvir e ver o Evo Morales. E que choro de saudades de uma paixão que é tão absurda e sem lógica quanto devem ser as boas coisas da vida.
Madrigal Melancólico - Manuel Bandeira
O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento,
Graça que perturba e que satisfaz.
O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E meu pai.
O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti - lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.
5.2.09
Égua!

Queria escrever tanta coisa.... Mas acho que ainda estou ruminando as andanças....
22.1.09
Viva Belém!
Belém do Pará porto mordeno integrado na equatorial
Beleza eterna da paisagem
Bembelelém
Viva Belém!
Cidade pomar
(Obrigou a polícia a classificar um tipo novo de deliquente:
O apedrejador de mangueiras.)
Bembelelém
Viva Belém!
Belém do Pará onde as avenidas se chamam Estradas:
Estrada de São Jerônimo
Estrada de Nazaré
Onde a banal Avenida Marechal Deodoro da Fonseca de todas as cidades do Brasil
Se chama liricamente
Brasileiramente
Estrada do Generalíssimo Deodoro
Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
Terra da castanha
Terra da borracha
Terra de biribá bacuri sapoti
Terra de fala cheia de nome indígena
Que a gente não sabe se é de fruta pé de pau ou ave de plumagem bonita.
Nortista gostosa
Eu quero bem.
Me obrigarás a novas saudades
Nunca mais me esquecerei do teu Largo de Sé
Com a fé maciça das duas maravilhosa igreja barrocas
E o renque ajoelhado de sobradinhos coloniais tão bonitinhos
Nunca mais me esquecerei
Das velas encarnadas
Verdes
Azuis
Da doca de Ver-o-Peso
Numa mais
E foi pra me consolar mais tarde
Que inventei esta cantiga:
Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
20.1.09
E por falar em samba e mulher
Nessa letra ela fala um pouco do mundo das moças que estão guardadas. Se o Mano Brow diz que cadeia é para homem, ela fala um pouco das zicas das mulheres que não apenas estão detidas como conseguem ter ainda menos direitos do que os homens, como por exemplo o de ter visitas íntimas. Isso quando existe um parceiro que vá visitar.
Claro que existe uma certa vitimização. Dependendo das condições, é um bom negócio passar como uma mulher coitada e dizer que não sabia de nada. Mas ainda assim, independentemente da razão, a música fala da desumanização que se finge de redentora. Sabe-se lá quem são e que vai ser dessas pessoas que estão sendo deformadas por essas penúrias. E sabe lá quem são essas mulheres que andam por aí tentando sustentar sua vida e seus filhos de algum jeito. De qualquer jeito.
O Bagulho do amante
Não matou nem roubou
Mas foi presa em flagrante
Escondeu no chateau
O bagulho do amante
O amante saiu e largou o embrulho
Quando a casa caiu tava lá o bagulho
Lelelelelelele Lelelelelelele
Lelelelelelele Lelelele
[refrão]
Hoje a vida é na cela
Toma banho de sol
Acompanha a novela e também futebol
No dia de visita
Sua mãe vai levar a criança bonita para ela abraçar
O amante saudoso nunca mais foi lhe ver
E ela nem tem direito um pouco de prazer
E que venha o alvará pra essa pobre mulher
Que um dia sairá se Deus quiser
Lelelelelelele Lelelelelelele
Lelelelelelele Lelelele
Pagode pode?
Desculpa querida Maria Rita, mas você nunca vai conseguir circular em todos os meios como a mamãe... Ela pode cantar caipira pirapora, mas você cantando pagode é duro de engolir. Eu sei que é cult gostar do povo e traus, mas o barato é um pouco mais difícil. Tem que ter pegada. E pare de inventar moda. Deixe o pagode em paz e volte a gravar o Marcelo Camelo...
O que é o amor
Maria Rita
Composição: Arlindo Cruz / Maurição / Fred Camacho
Se perguntar o que é o amor pra mim
Não sei responder
Não sei explicar
Mas sei que o amor nasceu dentro de mim
Me fez renascer
Me fez despertar
Me disseram uma vez
Que o danado do amor
Pode ser fatal
Dor sem ter remédio pra curar
Me disseram também
Que o amor faz bem
E que vence o mal
E até hoje ninguém conseguiu definir
O que é o amor
Quando a gente ama, brilha mais que o sol
É muita luz
É emoção
O amor
Quando a gente ama, é um clarão do luar
Que vem abençoar
O nosso amor
18.1.09
Nega véia
Ela é uma figura que particularmente me intriga: Sabe aquele tipo de gente que parece que já sofreu tanto nessa vida que não esquenta a cabeça com muita coisa? Pois é a Nega véia...
A Nega não tem casa, só tem um butina que acabou de rasgar, um balcão e uma foto com o Pelé. A Nega foi cozinheira do Rei.
A Nega não cobra a cerveja o tanto que deveria cobrar. Acho que ela prefere mil vezes os amigos do que o dinheiro. Ah, e ainda dá um docinho de leite para cada um.
E se não aceitar ela faz cara feia. Só assim eu vejo a Nega brava.
A Nega sorri e me dá um abração quando eu chego no bar.
A Nega me dá um doçura no peito enorme, mesmo sem doce de leite.
Mas a Nega me lembra também que nessa terra, quem mais trabalhou sempre foi quem mais se fudeu.
E sei lá como - mas isso é o Brasil- é também quem mais ri, tira sarro dos perrengues e ajuda todo mundo sem perguntar nada. Sem nem esperar que Deus lhe pague.
A Nega é isso. Uma brasileirona forte, preta, sorridente e que faz a gente ter vontade de continuar na vida...
14.1.09
Sai do meu canto do balcão
O último rolê ainda está na minha garganta. Tanta coisa na cabeça... Tudo divertido, ótimo, mas sempre tem alguma coisa que incomoda porque afinal estamos no mundo. Até porque o que aconteceu acontece o tempo todo. E olha que já faz um tempo que não vou para o bar sozinha... Quando muito no pagode.
Bom, acontece que tomar uma cerveja tranqüila e sozinha no balcão ou na mesa continua sendo uma missão Magaiver. Principalmente se chegou o fim da noite e temos o agravante de um certo espírito “último dia de carnaval”. Tudo bem o moço chegar, conversar, estamos aí... O problema é que quando as mulheres dizem não obrigada, os moços entendem que é um sim com charminho...
Aí está armado o problema: o sujeito começa a pesar, sua paciência está curta e a língua solta...
Acontece é que o número de mulheres que freqüentam o bar sozinhas ou com as amigas está aumentando. E os rapazes vão ter que se acostumar com isso e aprender a serem bacanas. Entender que galanteios podem ser gentis e bem vindos desde que não sejam invasivos e persistentes. A gente obviamente também gosta de paquerar desde que seja uma relação entre duas pessoas e não entre um homem e um bife.
Essa escrivinhada, um pretenso-proto-samba, é mais ou menos sobre isso. Contou com a colaboração de Che Serguei, o gato punk (que inclusive achou a letra bunda mole... o Che acha que a gente tem que cuspir na cara desses moços mal educados).
Substituí o forró, a trilha sonora original da situação, por um samba porque ainda não me meti a ter um triângulo em casa. Talvez eu tenha problemas com os vizinhos.
O título foi alterado acatando a sugestão da cuqs..
A musa inspiradora é a Juju, companheira de samba e de viagens. Ela, como tantas outras companheiras, sabe do que estou falando e estava comigo quando tiramos a foto dessa pixação genial em Buenos Aires mi querida ...
Salve a mulherada que está na luta e não desanima de conquistar seus espaços no mundão...
Sai do meu canto do balcão.
Não pense moço que eu vim pro samba
Porque fujo do amor ou minha vida é procurá-lo
Eu não vim aqui atrás de um marido
Nem de um caixa –forte
Nem de um otário
Estou bem tranqüila para ouvir um samba
Beber uma cerveja
Dar a graça e um rebolado
Quem sabe até trombar algum parceiro
Pra tomar uma saideira
Ou virar meu namorado
Sei que às vezes sou mal educada
Mas quando eu digo não
Eu quero dizer não
Se o moço ganha o meu coração
Não hei de preferir passar a noite no balcão
E se acostume a dividir o espaço
A roda
A alegria
E o violão
Que entrar no jogo do salário é nada
Mas pago minha cerveja
E não quero confusão
Sai do meu canto do balcão!
12.1.09
Um salve para os passarinhos ....

Eu não mudei mas as coisas se aliviaram. A dor não sumiu mas já é quase só mais uma parte da vida. Ficar gente grande acalma a alma. Talvez tenha sido isso o que mais pensei enquanto ouvia os passarinhos...
Além disso ficar gente grande dá outro tom para as mesmas coisas. Não bebo mais nem menos do que antes. Aliás, acho que bebo menos. Já nem gosto mais de rabo de galo. Mas agora posso até chegar evidentemente sapecada (essa também é para os leitores locais) em casa porque as pessoas já se acostumaram. Se preocupam mas se acostumaram.
Cheguei cedo em casa mas cercando frango... Minha mãe me esperando. E eu esperando a bronca porque ela viu que eu fui para o bar às onze da manhã. Eram onze da noite.
Faladeira e respondona... feliz e reclamando. E a mãe ouviu e deu risada. Me obrigou a comer um lanche e beber alguma coisa não alcólica. Medidas de mãe que salvaram minha vida.
Ela riu tanto... Eu ria e chorava.
Hoje quando enjoei dos passarinhos fui tomar café... tinha até mamão cortado. Há quanto tempo ninguém corta o meu mamão? Aliás, eu nem como mamão...
Estranho ser mimada depois de velha. Da minha vida só eu cuido faz muito tempo. Quando muito a mamãe companheira Raquel me comprava coca-cola quando eu acordava triste de ressaca.
Aqui a vida parece tão calma e tranquila que me assusta. Minha mãe me mima, a vida é barata, os passarinhos cantam e já encontrei um monte de gente só indo tomar um café e comprar jornal. Agora tem até café expresso. O bar é o mais legal do mundo e tem sambistas amigos para tocar as músicas da minha vida e me deixar com vontade de chorar. Do que mais que eu preciso?
Não sei... Não sei mesmo. Hoje estou tão feliz aqui que ando esquecida de que eu não fui embora de Piedade.
Eu fugi.
Fugi de lembranças e de fantasmas.
Hoje eles sumiram. Mas se eu ficar por aqui muito tempo, eles me acham de novo.
Sinto Piedade... Mas acho que vou ser sempre a filha que vai te levar no nome para onde for. Mas que não vai ter coragem de voltar para o teu conforto.
Sinto Piedade... Mas se hoje você é boa comigo é porque em muitas outras vezes você já me fez chorar muito.
Agora não precisa mais gostar de mim. Porque agora eu também gosto do mundo. O mundão grande que não me acolheu tão bem mas me deixou ficar.
Mas apesar de tudo Piedade, vezes e vezes penso em fazer as pazes. Quem sabe ... Quem sabe isso aconteça um dia e aí eu trago os meus filhos para você criar.
7.1.09
O que é bom para todo mundo

Em 1938, a tal da política de apaziguamento levado a cabo pela Inglaterra permitiu na Conferência de Munique que Hitler anexasse os sudetos na Tchecoslováquia com a benção da diplomacia internacional. Diz a lenda que o se esperava era que se ele não parasse ali, entraria em choque com a U.R.S.S e o camarada do bigode disputando a Polônia.
Os que hoje se advogam as maiores vítimas dessa tragédia são os que hojem pedem o silêncio do mundo. E o mundo continua sendo os E.U.A, a Inglaterra e a prima pobre da França.
Israel está massacrando o terrorismo, não dá para reclamar muito não é?
Se Hitler matar os comunistas é melhor pra todo mundo...
Se Israel massacrar árabes muçulmanos terroristas também fica bom para todo mundo...
E deus? Onde está deus meu deus?
A luta entre a aliança judaico-cristã e o islamismo divide o mesmo deus monoteísta em três. Até agora já entendemos de que lado ele tem ficado...
5.1.09
Olha essa vida meu nego....

Um dia chegou na porta da minha casa
Eu muito mais velha do que você
Já então com todos os meus 13 anos
Você com 12 e um ano a menos de escola
Ganhei um cartão
Meu presente de dia dos namorados
As palavras que eram para parecerem rebuscadas
hoje me fizeram rir quando olhei para aquele papel
no fundo da caixinha, meio amarelo
com uma letra infantil escreveu extremamente
extremamente apaixonado
sonhando todo dia
sem coragem de falar comigo nos bailinhos
(e eu gostando apenas dos mais velhos...
adorava um rapaz de 14 anos)
Me pediu
- com a mesma humildade que te faz gente até hoje-
para que pensasse bem e daí quem sabe um dia...
Esse um dia demorou 14 anos para acontecer
O menino engraçadinho virou um homem encantador
que agora se vinga um pouquinho rindo do meu desprezo
Sabe que a vida rodou
- Olha só. Se eu pensava que ia ser assim...
Ele me diz depois que eu, bêbada de amor, de samba
e de cynar digo que quero casar com ele
Ele ri....
Só ri...
Eu só olho
Agora sou eu que espero
29.12.08
Que venha 2009!
Dentre as perspectivas para o ano que vem - trabalhar muito, beber e fumar menos, praticar esportes regularmente e me apaixonar menos para ter tempo de fazer o resto- a que mais está me empolgando é a prefeitura petista que está começando uma página nova na história da política piedadense. Mesmo sabendo que estruturalemente tudo vai continuar a mesma merda, o clima politizado que as filas de banco tem adquirido é impressionante. Outra idéia de política, ainda que sonhando com as realizações de um partido de centro- esquerda europeu.
Sempre que a rapaziada vai para algum lugar de caravana, rola a viagem de tomar o pico e instituir um governo popular. Tenho na memória pelo menos uns quatro gabinetes de governo montados... com todos os meus amigos e suas respectivas áreas de afinidade e trabalho.
Bom, foi isso o que meus companheiros de churrasco fizeram. São pessoas que já trabalham pela cidade e agora vão para a prefeitura. A merda que isso pode dar? Não sei direito, mas pode ser enorme.
Mesmo assim boto fé que vai ser um experiência interessante. Quero estar perto deles para ver e puxar a orelha no bar do Mineiro... Eu continuo não sendo governo.
17.12.08
O beijo
Quando a moça lhe estendeu a boca
(A idade da inocência tinha voltado,
Já não havia na árvore maçãs envenenadas),
Ele sentiu, pela primeira vez, que a vida era um dom fácil
De insuportáveis possibilidades.
Ai dele!
Tudo fora pura ilusão daquele beijo.
Tudo tornou a ser cativeiro, inquietação, perplexidade:
- No mundo só havia de verdadeiramente livre aquele beijo.
12.12.08
Divino maravilhoso
Atenção ao dobrar uma esquina
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte (2x)
Atenção para a estrofe e pro refrão
Pro palavrão, para a palavra de ordem
Atenção para o samba exaltação
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte (2x)
Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão
AtençãoTudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
25.11.08
Só para animar
17.11.08
Amor - Por secos e molhados
Muito leve, leve pousa.
Muito leve, leve pousa.
Na simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma
Suave coisa nenhuma.
Sombra, silêncio ou espuma.
Nuvem azul
Que arrefece.
Simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma.
Que em mim amadurece
12.11.08
7.11.08
Olha o velhinho de barbas brancas em alta de novo....


31.10.08
Minha primeira morte
Nesses dias por aí, depois do trabalho, estava assistindo “Todo mundo odeia o Cris”, um seriado genial que passa na Record geralmente no meu horário de almoço. Gosto por alguns motivos, como me lembrar pessoas. E a discussão é boa: é um seriado cujos protagonistas são pobres ou, sendo mais bonitinho, classe média baixa. A questão é que ser classe média baixa nos Estados Unidos da década de 80 é muito parecido em diversas instâncias com o ser classe média média no Brasil. Os perrengues, a luta da classe média para não ser quem ela é: o limbo social que quer consumir a aparência como um rico, nem que para isso tenha que aumentar as outras privações de pobre. A típica gente besta que gasta com cabeleireiro e roupas nem que para isso passe o resto do mês contando moeda. Ou pior, endividada pelas próximas encaranações a ponto de quando terminar de pagar tudo, o cabelo já estar uma merda de novo e a roupa já estragada ou fora de moda, o que dá no mesmo. Enfim, foi mais ou menos com isso que eu sempre convivi. A tal da medíocre classe média renner – chapinha. Mas o presidente diz que esse é o caminho...
Hoje em especial, fiquei meio nostálgica com um episódio: O avô do Cris morreu jantando na frente dele. Sofreu um enfarto e caiu de cara no prato. Lembrei do meu avô porque ele também morreu jantando na nossa frente. Na hora (como o Cris) não entendi o que estava acontecendo, mas lembro de tudo: Ele caído e seu prato espatifado porque estava na mão. Tínhamos a mania detestável (segundo minha vó) de jantar com o prato na mão, na sala vendo jornal com o meu vô. Depois disso levaram a gente para a casa do vizinho e enquanto eu via um monte de gente chegando em casa, o vizinho fritava umas coxinhas e nós assistíamos “O rapto do menino dourado”, que na época ainda era um filme novo. Não lembro de como me contaram que meu vô não voltaria do hospital, mas lembro de ter visto ele no caixão, no meio da mesma sala da qual ele saiu carregado algumas horas antes e de ter ficado desesperada. Se ele não voltasse, ninguém mais contaria histórias (todas terrivelmente moralizantes, mas isso eu não sabia na época e achava tudo importante) pela manhã quando estávamos na cama esperando minha vó chamar para o café. Além disso, tinha muito arroz, milho e feijão plantado e ele precisava colher. E a horta? Quem iria regar a horta e tirar os matinhos todo dia? E tem outra, a gente ia caçar e aprender a fazer tapera de sape, ele já tinha prometido. Não me conformava: eu achava que ninguém podia morrer se tivesse prometido algo para alguém e não tivesse cumprido.
Minha vó e minha mãe cuidaram de fazer tudo que ele tinha deixado por fazer. Mas nos quase 20 anos que se passaram desde que ele morreu, ninguém nunca mais prometeu me levar para caçar e dormir no mato. E eu sei que foi depois que ele morreu que tudo desandou na minha vida.
O vô Juvêncio era meio pai assim como a vó Maria era meio mãe de todas nós. Meu pai era muito distante, muito ocupado em ser classe média. Além disso era chucro mesmo, não sabia que ser pai era algo mais do que ser provedor e repressão. Meu avô também não sabia ser muito carinhoso quando era pai da minha mãe. Mas a idade amolece as pessoas, deixa todo mundo mais maleável. E ele não era meu pai, era meu avô a figura masculina mais carinhosa e certa da minha vida. Eu adorava quando as pessoas falavam que eu me parecia com ele: meio moleque e que vivia pelos matos. Lembro dele como seu Juvêncio do bar, como seu Juvêncio caçador, como seu Juvêncio encarregado de fábrica porque tinha aprendido a ler e escrever praticamente sozinho. Lembro dele voltando do mato com um passarinho morto debaixo do braço dizendo que era para mim. Eu era pequena e chamava o passarinho morto de carninha branca: era carne de nhambú, muito mais branca que carne de frango. Ele chegava contente e eu ficava esperando a vó limpar o bicho e fritar.
Meu vô aprendeu a ser carinhoso sendo vô. Ele era um homem rústico, mateiro, que virou operário por acaso e depois dono de bar.E quando penso nele, naquele ogrão branquelo e vermelho de sol voltando do mato com um passarinho para a neta “pretinha” como ele me chamava, penso que meu pai também vai ser um avô legal. Ele só precisa aprender e disso talvez o tempo se encarregue.
28.10.08
Longos 4 anos anos...



Eita porra... achei bonita a vitória da diversidade contra o preconceito. Bacana ver a classe média que não é nem nunca foi homofóbica defendendo a causa. Onde esse povo do PT está com a cabeça? O que tem de mais a opção sexual do rapaz? Onde está a igualdade de direitos?
Depois do movimento "CANSEI" contra o mensalão, voltei a ter orgulho dessa cidade que tão bem me acolheu. Que ama seus nordestinos, seus pretos, suas minorias sexuais, seus grupos oprimidos. O próximo prefeito, se tudo continuar bem assim, deverá ser tudo isso: Preto, pobre, nordestino e gay.
22.10.08
Um salve para as primas
21.10.08
Coragem muié...
"Nunca se vence uma guerra lutando sozinho
Cê sabe que a gente precisa entrar em contato
Com toda essa força contida e que vive guardada
O eco de suas palavras não repercutem em nada
É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possivel aliado, é...
Convence as paredes do quarto, e dorme tranquilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo
Coragem, coragem, se o que voce quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, que eu sei que voce pode mais."
Engraçada. Também da série: músicas para quem não sabe tocar violão. Mas enfim, ando tão corajosa que tenho tido até medo de tanta vontade de meter o pé na porta e dar umas voltas por aí só para ver o que acontece.
Essa história de querer dar conta de deus e sua obra é furada. Bem vinda ao simples, porque só ele faz sentido. Vez por outra na vida a gente precisa é pensar quer perdeu tudo, para enfim ganhar alguma coisa verdadeira.
Coragem que a vida é mais. Perdi o medo até do que não passa, como o passado que vira e mexe volta e assombra. Ou o amor que vez por outra teima ainda em me queimar.
Vi no final de um filme lindo do Domingos de Oliveira chamado "Amores", uma frase que resolve muita coisa. Basta ser simples:
Tem coisa que não é para entender. É só para decorar.
16.10.08
Dia dos Profê
Tripla jornada, e olha que eu nem entrei no baby boom mais conhecido como efeito "Lulão". Mas enfim, ontem recebi recadinhos, minha mãe me ligou dando parabéns, o pessoal do grupo de estudo mandando parabéns para todo mundo... daquele jeito.
Bom, aproveito então para lembrar de um puta professor que me deu aula quando eu estava na sexta série: o Claitão japonês. Professor de inglês. Nunca aprendi grande coisa, sempre odiei aprender inglês, como odeio do fundo do meu coração até hoje. Mas ele era jovem, legal e trazia um monte de músicas bacanas. Foi nos ensaios de uma apresentação de fim de ano no qual, para meu desespero, teríamos que cantar em inglês que ele nos intervalos tocava músicas do Língua de Trapo. Ele me ensinou a tirar sarro da bossa nova, que é muito mais útil do que saber inglês. Cantava em ritmo de João Gilberto uma musiquinha qua começava "cagar é bom, quando a gente está em paz..."
Alguns aninhos depois, comecei a namorar um amigo dele, parceiro de banda. E o Língua de Trapo continuou animando minha vida mas agora nas rodas de fogueira em algum fundo de mato em Piedade. Com vinho vagabundo, claro.
Bom acho que já falei disso aqui, mas o fato é que de todas as músicas que ele cantava, a mais legal de todas era Deusdéti. Ele fazia um sotaque a la Piedade impagável. Muito pior do que o meu.
Saudades do Claitão. Casou, ficou um pouco atrapalhado em decorrência do tempo vivido no toyotismo in loco... mais um imigrante. Mas agora está lá em Piedade. O mesmo anjo da depressão, como costumávamos chamá-lo.
E o melhor, peguei a cifra de Deusdéti. É a típica música de roda de violão e fogueira, ou seja, músicas para quem não sabe tocar violão. Só tem 3 acordes. Apesar de já ter passado um pouco da idade, lá estou eu com meu violão tentando tirar a música. O Che adora.
Deusdéti
1ªparte (Falada)
Acho que foi num dia de São João Batista que conheci Deusdéti
Nesse tempo eu já era Marquexista e ela ainda ia em discoteque
Tentei de tudo, até lavagem cerebrár, meu saco tá que não guenta
Mas nem o Pinochet é tão radicar.Êta muiézinha lazarenta
Igual Deudéti, juro por Deus, não existe
A marvada só lê Capricho e livro da Agatha Cristie
Além do mais é metida a grã-fina, adora homem com
Fedor de gasolina que sina, que sina,
Em veis de ela estudá os pobrema da guerrilha urbana
só quer saber de escuitar música americana estrambólica
Também, a mãe é da liga das Senhoras Católicas
E o bode véio do pai é da Opus Dei
Não sei, não sei
Como é que eu vou sair dessa enrascada
Só se eu pegar o pai e mãe da danada e fazer papér de fachistão:
vendar os óios e carcá fogo num paredão
Só que eu tô ficando cheio de fole, virando um caboclo de coração mole
No lugar de apoiar a luta armada, fico fazendo verso pra namorada
Mas pra encurtar o caso, que nóis aqui temo prauzo prá terminar vamo cantar.
2ªParte (Cantada) Intro:(G D)
Se o nosso amor for logo, logo pras cucuia
A curpa é tua Deudéti
Enquanto eu falo o tempo todo em Che Guevara
Ocê freqüenta o "Tamatete"
Se o meu partido desconfiar qu'eu te namoro virge, porca miséria
Vamo passar toda nossa Lua-de-Mel quebrando gelo na Sibéria
Não pude, não pude
Não pude ir jantar com você no Maquesude
Ocê só pensa em champanhe, caviar e noutros produtos chiques
Esquece sempre que o seu futuro noivo é do Partido Bolchevique
Tem certos dias que me dá um nó na garganta
Daqueles bem morfético
Porque você rejeita o materialismo dialético
Não pude, não pude
Não pude ir jantar com você no Maquesude
7.10.08
Ronda
O que o inspirou a compor essa canção?
Paulo Vanzolini - A coisa mais engraçada é que o povo acha que Ronda é um hino a São Paulo, mas na verdade ela é sobre uma mulher da vida (risos). Naquela época, servindo o Exército, eu patrulhava o baixo meretrício. Uma noite, na saída, eu estava tomando um chope ali pela avenida São João, quando vi uma mulher abrindo a porta do bar e olhando para dentro. Imaginei que ela estava procurando o namorado. Ele pensava que era para fazer as pazes, mas o que ela queria era passar fogo nele (risos).
De noite eu rondo a cidade
A te procurar sem encontrar
No meio de olhares espio em todos os bares
Você não está
Volto pra casa abatida
Desencantada da vida
O sonho alegria me dá
Nele você não está
Ah, se eu tivesse quem bem me quisesse
Esse alguém me diria
Desiste, esta busca é inútil
Eu não desistia
Porém, com perfeita paciência
Volto a te buscar
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres
Rolando um dadinho
Jogando bilhar
E neste dia então
Vai dar na primeira edição
Cena de sangue num bar
Da avenida São João
4.10.08
Quando o invariável se torna variável
Não dá para negar que o casamento é um tema que perpassa constantemente a vida. Invariavelmente a conversa vem à tona. Invariavelmente alguém lembra e pergunta de alguém e invariavelmente alguém responde: casou. Tudo bem, se ficasse por aí. Mas até quando não é assunto, é assunto. Basta ligar a televisão é e sempre a mesma imagem cristalizada do que pode ser a vida de uma mulher. Invariavelmente elas estão na função de casar ou manter o casamento. Todas. Do jornalismo tosco da Alerta Geral na Record, passando por novelas, filmes e blá, blá... Os homens fazem peripécias, cantam, dançam, sapateiam e casam também. É só mais uma atividade, e não destino da vida.
Tudo bem, a boa e velha discussão de nossa amiga Simoninha Bevoir, a imanência para as mulheres e a transcendência do mundo para os homens.
Mas e hoje? A totalidade da imagem recriada e conservada pela senso comum do que é o caminho normal da vida, dá conta de explicar alguma coisa?
Provavelmente nunca se tenha conseguido recriar a realidade, nem pelo senso comum, nem pela ciência, porque isso é uma pretensão tão ingênua quanto impossível (os historiadores, que não primam ela modéstia, costumam ter essa ambição, mas tal desperdício de energia é outro problema). Mas também há de se pensar que o mundo mudou de uma forma mais radical, e as brechas são maiores. O senso comum, cada vez mais, dá menos conta de explicar o comportamento das pessoas. Reducionismos e argumentos ruins que procedem da idéia de que fodam-se essas novas realidades, de que não faz a menor diferença porque continuam a ser ricos e pobres, é preguiça de pensar e mantém a lógica binária do pensamento conservador de direita e de esquerda.
Afrouxa a moral.É uma puta mão na roda para as muitas mulheres que estão tentando, de algum jeito, tentar uma trajetória de vida diferente e menos medíocre do que a mera resignação ao que lhe foi historicamente imposto.Filhas do iluminismo. Poucas herdeiras e de certa forma, as únicas que se beneficiaram de algum jeito pelo desenvolvimento do capitalismo. Todos os sistemas exploraram homens e mulheres pobres. Mas só o liberalismo permitiu que mulheres e homens fossem explorados da mesma forma, podendo ter acesso a uma parte dos mesmos benefícios. Deus é uma nota de cem para homens e de cinqüenta para as mulheres.
E a pressão em cima das solteiras? Não é fácil não... O termo solteirona é o mais antigo e o mais escroto do mundo.
Não é um otimismo besta, sei que a base de tudo é mesma. As mulheres emancipadas estão em grande parte loucas para casar de qualquer jeito, a qualquer custo para não ficarem para tia. Mas ainda assim, acredito cada vez mais na mudança. O tempo acelerou e podemos perceber as transformações de um jeito muito gritante. O instante é o tempo presente. E daqui desse tempo, tem muita mulher mais preocupada em encontrar o amor, do em ter um homem. Perderam o medo de serem tratadas como elas merecem.
23.9.08
E no fim das contas, o que realmente importa?
O resto só aparece e move o mundo.
O Amor Bate na Aorta
18.9.08
Me estranhando no mundo
Sartre
Está difícil escrever qualquer coisa. Sensação de que minha vida está parada. Tudo em suspenso. Momento de olhar para dentro. Dificil mesmo escrever qualquer coisa quando nada está fazendo muito sentido. Tudo estranho. Tentando olhar para as coisas, para o mundo, e entender qual é a minha parte de histeria no que vejo. Até que ponto elas, as situações, os fatos, o mundo, são de certa forma simples e sou eu que dramatizo. Podem as coisas serem assim? Algo em essência e separado do que o meu olhar constrói a partir de minhas próprias percepções e neuroses?
Ando duvidando de tudo que vejo e gostando pouco da minha participação nisso tudo.Construo o mundo a minha volta, para mim, de acordo com minhas premissas, do meu ser.
E a cada dia gosto menos do que vejo.
10.9.08
Ainda sobre a emancipação feminina
Se emancipação é pagar as próprias contas, segue a letra de uma das maiores feministas da música popular brasileira... Vai Tati... quebra tudo...9.9.08
O PT morreu... Viva o PT!
Explico: O discurso é ruim, a política é pior. Mas, antes o PT sendo manso, do que o PSDB sendo selvagem. E ele é, todos sabemos. O PSDB com o Estado na mão, é um trator que destrói e desmonta qualquer tipo de benefício que se possa oferecer para os fudidos em geral.
Com isso na cabeça, você engole os bundas do PT. Engole com uma cachaça para ver se desce melhor.
A companheira fala de seu programa de governo, como se ele fosse o máximo da coragem, da mudança estrutural. Com aquela ênfase de viva la revolucion, mas utilizando, por exemplo, a bandeira da revitalização do centro. Ora, nenhum companheiro avisou que o termo é ruim? Que ter muitos pobres, não quer dizer estar morto?
Pensei nisso passando pela Praça Roosevelt com as companheiras. Quando eu me mudei para São Paulo (e nem faz tanto tempo assim), nem os cachorros sentavam para tomar uma cerveja naquele lugar, porque era fedido e insalubre.
Hoje, graças ao fato de que "a vida voltou", a cerveja subiu (acho que 4,50, ou seja, preço de zona ou de otário). Não dá para tomar cerveja do mesmo jeito. E além disso, é pouco atraente pensar naquele bando de gente pau no cú fazendo cara de sabida, concentrado no mesmo lugar. É insalubre também. Ofende.
Esse é o espírito. Revitalizar significa agregar valor. Agrega valor na cerveja, e por tabela, nas pessoas que bebem sua cerveja ali.
Ou seja, quem bebe junto com a ala intelectualizada da cidade, deixa de ser apenas um rosto bonito e uma cabeça vazia. Beber ali, significa que você pode compartilhar da cultura, da inteligência. E é bom lembrar que para grande parte dos artistas, cultura é o que eles fazem nos espaços culturais, e o viver do cotidiano simples não faz parte disso.E agora, sentado ali você é um deles. Essa é a parte mais fabulosa do mundo das mercadorias no seu estágio atual. Consumimos cultura, cerveja e nos identificamos plenamente com os artigos que compramos. Compramos um livro, porque é coisa de gente inteligente e não pelo prazer. Pagamos um absurdo na cerveja, porque com ela, também compramos o que ela significa. Não é ela que vale, é o lugar onde ela é servida.
E não é cevada o que está dentro daquela garrafa.
É cultura.
Segue o diálogo:
- E aí gentes, vamos beber aqui mesmo?
Coro:
-Não....
E nessas prefiro os lugares que ainda estão mortos no centro, mas que assim, me dão a sensação de serem de verdade, e não um simulacro. Já tentei diversificar, mas nesse lugares vivos, não rola nem vontade de paquerar, porque não dá para prever o mala que vai sentar na sua mesa. Vai que o cara tenta me cantar passando a bibliografia sobre o expressionismo no cinema alemão...
Como sempre, terminamos bebendo uma e comendo a boa e velha porção de calabresa em um daqueles lugares que estão mortos há muito tempo. Esse tem até uma lápide: Servindo desde 1958.
Estar vivo é pouco. Antes morto e cheio dos defuntos do centro (como os bolivianos que estavam do nosso lado) do que vivo com aqueles que, vivendo, matam a arte em nome da tal cultura.
Mesmo assim, a vida anda difícil e a conjuntura grita:
Pau no cú da Marta... Viva a Marta!
2.9.08
Tomá um pingão...
Vou tomá um pingão
Tião Carreiro e Pardinho
Ô, vida amargurada
Quanta dor que sinto
Nesse momento em meu coração
Ô, que saudade dela
Não aguento mais
Vou lá na vendinha
Vou tomá um pingão
1.9.08
Companheiro é companheiro
Amo por sua caipirisse genuína. Em Piedade, nosso vocabulário básico tem algumas peculiaridades:
- Utilizamos verbos no diminutivo (como já bem percebeu meu companheiro blogueiro BIR)
Ex: Andandinho, comendinho, bebendinho, viajandinho... palavras essenciais.
- Mas também, utilizamos o diminutivo em adjetivos. Ex: Gostosinho, amarguinho, levianinho.
- E também colocamos ADA para expressar quantidade. Ex: Putaiada, carnaiada, coisaiada, homarada, muierada.
Mas gosto mesmo é do repetório do bar. Sempre aprendo uma música nova. Como a dessa semana. Salve os companheiros de Piedade. E os maravilhosos fins de semana que ele me dão.
Companheiro é Companheiro
César e Paulinho
Escolha bem seus amigos de conduta
Companheiro é companheiro
Filha da puta é filha da puta (4x)
Quem veste a nossa camisa
É companheiro
Quem põe nós na confusão
É filha da puta
Quem ajuda quem precisa
É companheiro
E quem deixa a gente na mão
É filha da puta
Quem devolve o que empresta
É companheiro
Quem enrola e não retrosa
É filha da puta
Quem convida nós pra festa
É companheiro
E quem deseja o mal pra nós
É filha da puta
Escolha bem seus amigos de conduta
Companheiro é companheiro
Filha da puta é filha da puta
(3x)
Quem trabalha honestamente
É companheiro
Quem rouba o nosso dinheiro
É filha da puta
Quem tá do lado da gente
É companheiro
E quem dá golpe à traiçoeira
É filha da puta
Quem vibra o nosso progresso
É companheiro
Quem tem inveja remota
É filha da puta
quem quer o nosso sucesso
É companheiro
E quem quer que a gente se afogue
É filha da puta
Escolha bem seus amigos de conduta
Companheiro é companheiro
Filha da puta é filha da puta (6x)






