22.5.07

Por que quando a gente já desistiu, já tá achando que a vida é assim mesmo, e que o melhor é se conformar, o telefone toca e a vida volta a ter um colorido capaz de fazer com que a gente dê risada até para o cachorro insuportável do vizinho?

E por que quando no meio desse encanto, passamos a esperar loucamente que o fenômeno capaz de causar tanto bem estar se repita... o telefone simplesmente fica mudo. E quando alguém te liga é do trabalho, ou alguma amiga passando pelo mesmo desespero?

Será que a Clarice tem razão? Será que o segredo é sempre estar distraída?

Mas então, não posso mais ficar com cara de boba quando o sorriso bonito do "alguém" me vier... Quando fica difícil ler romances porque você não consegue tirar o enredo literário da sua vida da cabeça, não posso perder tempo pensando e torcendo para que tudo seja lindo como outrora? Senão dá tudo errado?

Queria que algúém me ensinasse uma fórmula... A da Clarice eu não quero. Na verdade, eu não consigo.

Então a grande dança dos erros, das
palavras desacertadas (...). Tudo errou (...)
e quanto mais erravam, mais com
aspereza queriam, sem um sorriso.
Tudo só porque tinham prestado atenção,
só porque não estavam bastante distraídos.
Só porque, de súbito exigentes
e duros, quiseram ter o que já tinham.
Tudo porque quiseram dar um nome;
porque quiseram ser, eles que eram.
Foram então aprender que, não se
estando distraído, o telefone não toca,
e é preciso sair de casa para que a carta
chegue, e quando o telefone, finalmente,
toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos".

(Clarice Lispector)

18.5.07

Intensidade...

Detesto a intensidade com que vejo as coisas. Tenho dormido pouco, pensado muito e resolvido quase nada. Tenho mais me angustiado do que vivido....
Aí me pergunto se precisa...
Aí leio algo assim:

O mesmo,parece,se passa com a angústia do amor: ela é o temor de um luto que já ocorreu, desde a origem do amor, desde o momento em que fiquei encantado. Seria preciso que alguem pudesse me dizer: "Nao fique mais angustiado, voce já o perdeu." (Fragmentos de um discurso amoroso)

E quero pensar assim para sofrer menos. Ou passar o dia lendo Manuel Bandeira e ouvindo Itamar Assumpção para sofrer de um jeito mais bonito...


DESENCANTO


Eu faço versos como quem chora

De desalento... de desencanto...

Fecha meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.



Meu verso é sangue. Volúpia ardente...

Tristeza esparsa... remorso vão...

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai gota a gota, do coração.



E nestes versos de angústia rouca

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.



__ Eu faço versos como quem morre.


Manuel Bandeira




Apaixonite Aguda

Itamar Assumpção

Quando estou longe
Quero ficar perto
Quando estou perto
Quero ficar dentro
Quando estou dentro
Quero ficar mudo
Quando estou mudo
Quero dizer tudo

ps- E para aliviar um pouco, porque afinal de contas ,precisa sobrar tempo na vida para as coisinhas e o nóis (as belas pessoas que me cercam), acabei de abandonar um curso da licenciatura. A angústia melhorou... e agora posso dormir mais um pouquinho...

11.5.07

Inspiração....

O meu analfabetismo digital não me permitiu colocar aí na teia o blog da companheirinha Aline. Faço aqui por enquanto (www.deuseumgatilho.blogspot.com) enquanto tento aprender com os amigos e leitores blogueiros (apesar de achar que dos seis fieis leitores, cinco, já conhecem). Digo isso agora porque o último lindo post, no melhor estilo viva a pankisse, trouxe um ar de adolescência que me tomou... me obrigou a lembrar. Lembrei do provocar por provocar... com pouca razão e retórica ruim.... mas um coração e um companheirismo enormes. Falo isso pelos amigos que fizeram parte dessa fase desgraçada que é o virar mulher, que é ter 14 anos e peitinhos aflorando junto com o seu ser, que busca autonomia e respostas. Ai que difícil. E como tudo doía de uma forma nova, intensa, como se a descoberta do mundo nos rasgasse, nos desse tapas na cara para ele ser percebido. Um dia após o outro, descobria preconceito, descobria homossexualismo, aprendia política, politicagem, sacanagem. Descobria o puteiro da cidade, o primeiro porre, a primeira transa, o amor, o desamor, a primeira traição, abandono.... tudo isso numa curto espaço de tempo, a ponto de parecer que tudo acontecia ao mesmo tempo agora. Uma temporalidade que hoje enxergo de uma forma tão intensa, que não sei como agüentava, como não explodia.
Como já disse outro dia aí, por aqui mesmo, a Casa da Cultura era o reduto de tudo. De coisas sérias às festinhas clandestinas graças ao privilégio de sempre ter um agente infiltrado trabalhando na secretaria e garantindo o livre acesso para ensaios e sextas-feiras tediosas no interior. Quanto aos ensaios, fizemos um espetáculo, acho que um dos primeiros com a formação que durou por tempos e que dura até hoje, mesmo que eles morem um pouco longe ... e que eu não suba num placo há anos. Não consigo mais me lembrar como se chamava (por favor amigos, algum de vocês lê isso aqui de vez em quando?), mas se tratava de adolescentes tortos privados de liberdade, numa espécie de Febem. Era tão ruim que hoje é engraçado. Quatro jovenzinhos transviados: eu uma puta com cara de criança, Paulo e Aline irmãos alucinados que se amavam sexualmente e eram assassinos, o Du, um moleque gay que matou o amante. Ah, esqueci, a puta matou seu cafetão. Texto caseiro e roupas de algodão cru com números no peito, meio irmãos metralha. Ensaios e mais ensaios para que os irmãos Paulo e Aline, gêmeos, conseguissem se agarrar e se beijar numa cena desesperada. Porra, beijar o Paulo na boca é foda..... sempre as risadas e um vamo de novo.... quase crianças com seus cigarrinhos em cima do palco. E um vinho quando o dinheiro dava.
Estréia. Público em polvorosa.... mães chocadas, um senhor que se retirou no meio indignado, moças de fama ímpar que vinham me aconselhar a não me expor tanto numa cidade tão pequena.... E a gente adorava! Essa era a graça. A gente ria, imitava os comentários, achou que o velho chato conservador sair foi um elogio, estávamos mesmo convincentes...
Gosto de pensar e lembrar dessas experiências porque sei o quanto elas foram fundamentais para me pensar, para lembrar o que sou, do gosto. A vida andou, as coisas e as cabeças mudaram. Mas a vontade de provocar, de fazer digníssimos senhores filhas da puta se retirarem, continua. E agora, depois de ter ficado cinco anos vendo gente fazer isso na Universidade, ainda melhorei a retórica....

ps- Lembrei, lembrei...se chamava “Depoimentos”... acho que eu já gostava de histórias contadas....

3.5.07

Contar os anos....

A idade nunca me pressionou muito. Sempre gostei da minha idade. Com exceção de um episódio da infância, em que me lembro que esbravejei e disse: Quando eu já tiver assim (mostrando uma mão aberta) mais assim (mostrando a outra mão), ninguém mais vai mandar em mim.
Todo mundo riu. E hoje eu rio quando penso que algum dia, já fui ingênua a ponto de achar que algum dia seria livre... e mais, que seria livre aos 10 anos.
Agora já fiz 25 e surpresa!!!! A minha liberdade é poder comprar como o meu dinheiro, que eu ganho com o meu trabalho, um Renew da Avon que atenua as marcas da idade. E mais, posso até chegar em casa a qualquer horário,tenho contas de verdade para pagar, posso me estragar, me drogar...uhuhuhuh...sou adulta!
Muito bem, além de adulta, a partir de agora estou mais próxima dos 30 do que dos 20. Agora ninguém mais vai me dizer: -Nossa.... tão novinha e já assim... morando sozinha e trabalhando...que belezinha.
Agora, a manicure me olha e diz: Nossa, 25? Não parece.... mas dá uma olhada no catálogo....
E me dizem para usar filtro solar.
E me dizem que tem fé, porque um dia eu vou casar.

E o mundo continua não me dizendo nada. A não ser que o plano de saúde é mais caro. E que não posso mais me indignar, porque isso não é coisa de gente grande.

Mas o pior mesmo, é pensar que cada ano a mais na minha vida, é um ano a mais que tudo continua tudo na mesma.Tudo caótico. Com a diferença que agora eu li mais e sei dar mais nomes as coisas.
E eu que aos 14 achava que aos 20 anos estaria mais ou menos tudo bem, que mais ou menos eu estaria um pouco mais resolvida, que bem ou mal veria a revolução antes de morrer.
Agora, não acho nem que algum dia estarei mais ou menos resolvida, nem que verei a revoluçao....
Aliás, do jeito que as coisas vão, tenho medo do que estarei escrevendo nos próximos 25 anos...

Más notícias amiga, más notícias....

23.4.07

ai ai ai....

Por mais que eu me esforce, e que hoje seja dia de São Jorge, ando bem chata... talvez cansada de minha própria cabeça norteada por apenas dois temas há dias....
Amor,e o individualismo que fomenta o mundo como está.
Um falta, o outro sobra.
Um me anima, me faz acreditar no humano.
O outro me faz pensar de um jeito fatalista, me traz perguntas...onde vamos parar? Pisando um na cabeça do outro? Esquecendo que existe a esfera pública, preocupando-se apenas com o EU, EU, EU...
E disso resulta fenômenos coletivos, absurdamente massificados, travestidos de "realização do indivíduo". Que realização? Do que estamos falando realmente?
Ou simplesmente, que merda é essa?
Grupos de executivos andando de bicicleta, afinal, o super-homem do capitalismo também é saudável.... Mulheres se tornando eficientes, executivas, e que ainda são lindas e resolvidas sexualmente... dado que a mulher moderna não precisa de ninguém, nem de homens, nem de crianças...apenas de sua empregada doméstica e seu analista. Sexo, ela também pode comprar, só precisa ficar um pouco mais velha e resolver suas crises morais.
Arght...raiva, vontade de riscar carros na rua, só para ver a extensão da individualidade paulistana de alguém profundamente ferida.
Ou de chutar a cabeça de algum escritor de auto-ajuda, daqueles que dizem: Vai lá campeão, tudo depende de você.
Ou incendiar a globo que mostra um pobre estudante carente do nordeste, mas que, muito esforçado, entrou na faculdade e hoje é modelo para muitos vagabundos fracassados....
Ou simplesmente, de ter um belo amor que me acolha e para quem um dia, sem pudor ou vergonha, eu possa dizer:
Preciso sim, e muito, de você.

17.4.07

Reforma agrária quando? Daqui a pouco...





Em meio aos fatos e loucuras em que me enfiei, e a visível fase "eu" desses escritos virtuais, ou seja, quando a cabeça parece que vai dar um nó, eis que o mundo me lembra que ele é muito mais e maior do que minha única, porém banal existência. Mais uma ocupação de terras. Mais pessoas lutando pela vida digna. Mais esperança de que um dia, as coisas podem ser diferentes.
E enquanto o mundo não muda, enquanto o óbvio, o sensato continua sendo a exceção, resta-nos esses pontos de boniteza e luta espalhados por aí, propagados pelo MST e por tantos outros movimentos que combatem a loucura de uma lógica que privilegia a propriedade e não as pessoas. Pessoas que como eu, tem suas vidas, seus universos, suas crises e suas decepções. E que também como eu, tem suas alegrias, amores e expectativas.
Triste viver em um mundo onde constantemente, temos que lembrar, a todos, que todos nós simplesmente SOMOS.

16.4.07

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

C.D.A


"Quem por esta vida, passou em branca nuvem e em plácido repouso adormeceu. Quem não sentiu o frio da desgraça. Quem passou pela vida e não sofreu. Foi espectro de homem, não foi homem. Só passou pela vida, não a viveu."
(Francisco Otaviano)

E uma minha....

Dos amores dessa vida, ficam as lembranças, os sabores, os calos mais grossos e uma ou outra referência bibliográfica...

12.4.07

Eu X Cidade

Eu queria falar mais sobre o amor, contar sobre os livros que estou lendo, falar mais ainda de amor, ser malvada com a ilustre academia e mais especificamente com o Departamento de puxa-sacos históricos (deveriam ser historiadores?), ver mais meus amigos... contar para um casal muito bonito e que foram os melhores vizinhos de rua e de companheirismo nos perrengues da vida, que eu sinto muita falta do café prolongado e filosófico de todo dia, queria falar da vida, queria falar do ponto de ônibus, queria postar minhas angústias e retratar, em poucas linhas, como é bom uma paixão para deixar tudo isso aqui menos feio. Queria também contar das peripécias dos meus gatinhos lindos que agora já são adolescentes e comemoraram 1 aninho de preta e linda existência. Queria tentar discutir a imensa loucura que é uma grande favela de lona preta criada em Itapecerica da Serra, para quê existe? Mas então, não deveria existir? Não sei... tantas dúvidas, tantas coisas, tantas postagens que passam pela cabeça e eu não escrevo.....
Mas agora não dá, virei a louquinha que corre o dia todo, que faz 30 coisas ao mesmo tempo e que ainda gosta de tomar uma para esquecer que se esqueceu dela mesma....
Agora não dá...virei a cidade, tenho o ritmo da cidade, a cidade me engoliu....
Pois bem, a partir de agora portanto, vou brigar com ela. Talvez eu não ganhe a guerra agora. Mas estou preparando a terra arrasada, para que da próxima vez, ela, quando me invadir, não encontre nada que possa lhe corresponder na frieza de sua existência. Eu não serei mais como ela.
E ela, quando chegar, desapontada, irá perceber que não há mais nada a fazer ali. Que eu fui embora. Que fugi para a tranquilidade. E se sentirá usada, como eu me sinto agora. E eu, estarei do outro lado, dando risada de sua decadência.
Hoje ela me engoliu. Eu deixei. Eu quis.
Amanhã, se tudo der certo, eu dou o troco.

5.4.07


E parece tão normal, que só me lembro que não é tão simples como todo amorzinho nascendo, porque você diz de repente: Preciso ir.
Não, não precisa.
Precisa. Eu sei que precisa. E sei por que precisa.
E você não diz que, em alguma hora, por algum desatino, não precisará mais.
Aliás, você não diz nada.
Só diz: Linda...
Eu só rio. Os três pontinhos do final do teu chamado não pedem complemento.
Pedem beijo.
Mas também não vá tão longe.
Não me ligue assim tão rápido. Estou brigando para não derreter o gelo.
E não quero te esperar ligar.
Quero sempre a surpresa, já que o imprevisto improviso é a beleza disso tudo
Já que dividiremos sempre a cerveja e a cama de vez em quando
O meu dia
O meu acordar
Continuará só meu
Até onde eu aguentar
Até onde você conseguir
Até onde nosso desejo chegar
Ou apenas, até onde ainda valer a pena.

27.3.07

Fosse fácil....

Um dia a gente acaba constatando que é assim.
Assim como?
Assim, desse jeito meio esquisita, meio torta, meio alegre, meio triste
E percebe que perdeu mais tempo tentando ser meio certa, do que aproveitando o meio de fianco.
E entende que ama desse jeito. E que assim como não adianta ficar brava porque esqueceu o cigarro ao lado do café, porque não terminou de ler a tempo o que deveria, porque deliciosamente ficou de pernas pro ar e não lavou roupa.
Também não precisa emburrar por dias e esvaziar mais garrafas
tentando rir
Vai é acabar chorando e andando.

Como num consolo, é bom saber que se é assim.
Que gosta de pagode, e Cartola, por favor, prefiro em casa.
que choro muito em filme,
falar sobre ele, só ser for necessário,
ou a companhia muito boa
Que moço bonito demais, geralmente sabe que é bonito demais
e que sua vida foi mais fácil por conta disso
Então não gosto.
Que café é bom mesmo sem açúcar. Isso aprendi.
Principalmente de ressaca, que por vezes, pode não ser tão ruim, mas um importante momento pra se pensar na eterna luta eu e o mundo
E gosto de muita farinha no feijão,
molhado, prefiro beijos

e amo o que não é perfeito, nem se esforça pra ser
e que tem, do alto da soberba, aquela pedância orgulhosa que só o que é dito
feio pode ter.

Pra você? Só se eu quiser.

E acabei de perceber/saber que esqueci a chave no portão.....

25.3.07

Domingo no meu mundo

Coisa estranha essa de caminhar pela vida. Estranho essa de se ver, de se olhar, e perceber-se alheia e descolada de todo o contexto a sua volta. Os historiadores, aliás, adoram essa palavra: contexto. Teoricamente, dialogamos com o "onde" estamos inseridas. Pode ser um lugar, pode ser uma situação com pressupostos x, pode ser uma situação o com pressupostos y, enfim, tudo varia de acordo com os elementos que se confrontam naquele momento. Quase um jogo matemático. Probabilidade.
Pode ser que eu deteste alguma coisa, mas naquele momento harahara de harmonia e encontro dos astros, aquilo pareça / seja bom, não é isso?
Não se o lugar for a Vila Madalena. Ela é devastadoramente desesperante. Ela reúne o que há de pior e melhor no mesmo espaço . E eu? Por que eu estou ali? O que me aproxima desse lugar, dessas pessoas,o que nesse cenário específico, permite que eu faça parte da alegoria? Por que eu sou aceita, enquanto tantos não são ? Por que eu posso, o que em mim me aproxima da calhordice dessa casta? Da massificação e padronização travestida de diferente? Na Vila, diferente é ser igual. Quanto mais diferente mais igual. Quanto mais se luta pela diferenciação, individualização e exclusividade do indivíduo, mais esses se assemelham a um grande rebanho colorido....
Eles? E eu? Não estava lá?
Estava. Enchi a cara. Dei risada. Fiquei absurdada. Detestei tudo. Mas adorei a música e o músico. Pedimos o resgate. Fomos para casa. Eu e Raquel. Com uma leve ressaca moral dos surtos de espontaneidade insuflada pelo álcool. Mas tudo bem. Ele não vai ligar mesmo. Ele é de lá, estava perfeitamente encaixado.
Mas e eu? Por que eu insistia em me achar diferente? Por que eu não estava? Por que eu achava que não fazia parte do mundo dos ursinhos carinhosos e coloridos que ouvem samba?

Delícia tomar café. Dar risada de ontem. Saber que falou demais. Ressaca, tonteira.
E então, a frase cabalística que me situou. A frase com a qual me sentia em casa. Alocada. Que me libertou do meu desconhecimento e sensação de flutuar e não fazer parte do mundo. De algum lado. E de algum mundo....

- Meu filho não vai estudar em nenhuma escola que tenha QUALQUER projeto pedagógico.

Sai de lá e flutuei. Mas agora de contente. Contente por ser essa, e não aquela, a minha gente.

19.3.07

Sessão nostalgia

Pois é... fui obrigada a ler uma biografia inteira do camarada Renato Russo. De quebra acabei mexendo de novo naqueles cd´s do fundo da armário que a gente só guarda pensando que, no caso de ter filhos, é um documento importante da sua adolescência para mostrar para eles. Lembrei porque eu gostava tanto do cara. Era o mais próximo do romântico confuso com pitadas políticas que eu conhecia. Gostava mesmo. Ouvindo os discos, constatei que ainda sei a maioria das letras de cor. Eu era uma adolescente deprimida que gostava de fossa. O Renato também era uma adolescente deprimido... só que com 22 anos a mais do que eu.

Petróleo do Futuro

Legião Urbana

Ah, se eu soubesse lhe dizer o que eu sonhei ontem à noite
Você ia querer me dizer tudo sobre o seu sonho também
E o que é que eu tenho a ver com isso?

Ah, se eu soubesse lhe dizer o que eu vi ontem à noite
Você ia querer ver, mas não ia acreditar
E o que é que eu tenho a ver com isso?
Filósofos suicidas
Agricultores famintos
Desaparecendo
Embaixo dos arquivos

Ah, se eu soubesse lhe dizer qual é a sua tribo
Também saberia qual é a minha, mas você também não sabe
E o que é que eu tenho a ver com isso?

Ah, se eu soubesse lhe dizer o que fazer pra todo mundo ficar junto
Todo mundo já estava há muito tempo
E o que é que eu tenho a ver com isso?

Sou brasileiro errado
Vivendo em separado
Contando os vencidos
De todos os lados

2.3.07

Embriaguem-se


É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vega, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão:
“É hora de embriagar-se”! Para “não serem os escravos martirizados do tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso” Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Charles Baudelaire

28.2.07

Amores pela vida...

Ontem me emocionei ao conversar com um grande amor. Conversamos sobre a separação, sobre o romantismo dele e a minha frieza de racionalista louca... Ele não me perdoou por eu não ter acreditado em nós dois e casou. Está feliz e agora achando que louco era ele por acreditar, não eu por desistir. E eu ando em dúvida se o que fiz valeu a pena.
Nos chamávamos de amante-amigo, porque antes de amantes fomos muito amigos e depois de amantes, continuamos amigos. Pensamos em nos ver, mas desisti. Agora ele só quer a amiga, e eu não quero só a metade.
Hoje é aniversário de outro grande amor, que também cansou de só ser meu amante, e resolveu namorar uma mocinha bonitinha, comportada e que lhe dá trabalho. Acho que anda com saudade de nossa inconsequência, do nosso amor de anos sem se declarar amor, sem chamar de nada, sem rotular e sem cobrar... mas também sem viver junto, sem dividir os problemas, sem companheirismo.
E eu ando com saudades de todos eles...
Tomei cerveja com outro no sábado. Assisti a banda de outro tocar.
Tenho saudades de todos..... acho que não aguento perder nenhum deles. E sem ser a namorada, é mais fácil saber deles sem mágoa e sem que ninguém me cobre um desprendimento com minha própria vida que não sou capaz de ter. Nenhum deles conseguiu ser mais importante do que eu mesma. Nenhum dos meus mais belos amores conseguiu me suprimir. Sofria tanto por isso, que achava que não era amor, que eu nunca seria capaz de ter uma vida dedicada ao outro e por isso não amava a ninguém.
Amo sim. E muito.
Amo tanto, que não quero obrigá-los a me conhecer inteira, eles podem não gostar muito do que vão ver. Por enquanto não, e não sei se um dia acontecerá.
Acho que por agora, desisti do tal do grande amor de todo dia.
Porque não sei se eu quero mesmo, ou se o mundo me obriga a sentir falta de algo que nunca tive.
- Quem sabe um dia mulher.... quem sabe um dia....

23.2.07

Carnaval no barril de pólvora.....



Minha gente...o Rio de Janeiro é realmente lindo.... Não é a toa que aquele pessoal endinheirado da bossa nova só queria saber de beber um visqui e olhar pro mar.... E cada vez mais me convenço que moro na cidade mais feia, cinza e insalubre do mundo.
Além da paisagem, descobri que, lindamente, os cariocas são otemos em seu habitat natural. Gentis, simpáticos, de braços para o mundo e não odeiam loucamente os paulistas. Pelo contrário, apenas nos acham neuróticos e feios, brancos e com barriga. No fundo, o carioca tem pena da gente e por isso é até solidário....
Mas além de tudo, passar o carnaval em um barril de pólvora é no minímo uma experiência interessante. Tem muita coisa para pensar o tempo todo. Enquanto no bloco toca o bom e velho “chegou a turma do funil.... todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto...”, ao lado tem um gringo passa mal achando que realmente chegou na Babilônia colorida e com muito sol. São detestáveis e onde eles chegam, em lugares com atrativos para eles, para a gente só resta duas posições: odia-los ou se comportar idiotamente como os tais, tratando todos os pretos que vendem cerveja como seus escravos do subdesenvolvimento que deveriam agradecer pela mão estendida via consumo. São os imbecis que vem para cá procurar as belas putas cariocas e pisar em muleques pretos que se esgueiam para recolher uma latinha entre as pernas brancas.
Em outros lugares, o carnaval é dos cariocas e, nós, turistas, somos apenas o detalhe. Aí é um sururu lêlê! Divertido, esbórnia, como todo carnaval deveria ser.
Além do carnaval em si, a distribuição espacial da cidade merece bem algumas cervejas de discussão.

No Rio, a praia,enquanto espaço público, horizontaliza as relações e permite maior harmonia entre as classes.

Hahahahahaha

Essa é a maior chacota da era. Os espaços, apesar de públicos e abertos, deixam bem claro quem é quem. Quem serve e quem é servido. Nós e eles. Sempre.
O fato é que a ideologia dominante, aquela que prega trabalho, seriedade e mais trabalho, funciona muito. Apesar do famoso jeitinho, da corrupção praticamente inerente as relações e presente em tudo ( já que tudo parece facilmente negociável), a galera quer muito trabalhar. De qualquer jeito. Se realmente, como apregoam os sociólogos positivistas que associam diretamente pobreza e barbárie, todos os pobres que não tivessem acesso a lenda da oportunidade, fossem se tornar traficantes, ladrões ou arrastadores de criancinhas para fora de carros.... meu irrrmão, aí a galera ia ver o que é a chapa ixquentar.
Se realmente o ser humano fosse um ser estúpido, sem escolhas e absolutamente determinados apenas por seu meio material, o barril de pólvora já tinha explodido e de um jeito muito feio. As favelas, os rastilhos de pólvora, estão incrustados dentro dos limites da cidade onde o dinheiro circula de fato, e não nas rebarbas como em São Paulo. São focos de miséria no meio da fartura ostensiva. Ou seja, a contenção (repressão policial e pensamento único baseado em uma moral escrota e burguesa) é muito eficiente, porque dado o grau de diferenciação social convivendo em espaços muito próximos.... Bom, fica a cargo do leitor pensar o que poderia ser o mundo (ou simplesmente o Rio) sem a rede globo e suas novelas que mostram os dramas da elite carioca e a subserviência dos empregados sem vida própria, limpos e felizes por terem a oportunidade de serem serviçais daquela gente tão bonita...
Ou apenas, sem o caveirão que metralha pessoas como se fossem pombas.

12.2.07

Aprender a olhar



"Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."

Cecília Meireles

Hoje estou tentando descobrir como olhar o mundo. Tudo tão esquisito, mal vivido, que não sei nem se estou contente ou triste. O cabelo nem enrolado nem liso, a vontade nem assumida nem escondida, e essa maldita espinha no queixo que não me permite olhar o que tem atrás. Não sei se é drama, ou se realmente tenho um problema sério. Não sei mais se devo me levar a sério, nem a quem levar a sério, nem se levo alguém a sério. Quando me olho, não percebo o errado, apenas o ser vivido, sem viver. Olho para mim e não percebo nada. E quando olho o mundo tenho percebido apenas um otimismo duro. Otimismo porque há muito o que fazer e duro pelo o que é ser humano, pelo trágico-belo existir.

Hoje não sei se as pequenas felicidades existem e eu não consigo enxergar. Não sei de nada, tão vazia, que parece que tenho que reapreender. A falar, a me relacionar, a pensar a vida cogitando a existência do amor. Esse que por vezes, deixa a paisagem da janela tão bonita.

Hoje, assumo que não tenho coerência. Nem eu, muito menos o que escrevo.

Hoje só queria ver tudo mais bonito. E me sentir menos sozinha no meio de todo mundo.

Da próxima vez, se eu puder escolher, quero é ser engraçada.

5.2.07

Quando se tem que ir....


Pois é... apesar do olhar que sorri na paisagem, essa foto, o indivíduo em aparente harmonia com o mundo que o cerca, me lembrou despedida, desencontro. Lembro quando chorei, da janela de um ônibus, apenas com o adeus de uma senhora que se despedia de um casal com duas criancinhas, e que enfrentariam, com muitas e muitas malas, tantas horas de viagem quanto eu. Apenas não consegui pensar que eles estavam de férias como eu. A senhora chorava e eles, ficaram na janela até a curva que definitivamente limparia as lágrimas da paisagem. Pensei que o casal parecia estar se mudando, procurando algo em algum outro lugar, já que ali não havia. Procurando emprego provavelmente, porque pessoas amadas estavam ali. A senhora chorando na saída da rodoviária, e eu chorando por todos aqueles que precisam deixar sua casa, sua cultura e seus amores, para buscar dinheiro, a suposta oportunidade de vida melhor e que geralmente não se realiza, apenas mais uma ilusão dentro dos muitos mitos de ascensão e mudança de vida.
Pensando um pouco nisso, e na máxima do mundo globalizado que é ver bolivianos, sendo explorados por coreanos em São Paulo, fui até a Cantuta, feira de imigrantes bolivianos. Vi comidas típicas, músicas tradicionais, pessoas se encontrando.... mas principalmente vi tristeza, acanhamento, dificuldade de lidar com a língua.... vi apenas estrangeiros deslocados e mal recebidos, mal tratados em meio as placas que anunciavam facilidades para fazer ligações e enviar dinheiro para casa. Enviar dinheiro? Daqui?
Muito mais triste e desolador do que imaginar as dificuldades que atravessam a vida dessa gente, é pensar que essa merda, muito provavelmente, ainda é melhor do que as condições de vida da qual saíram.
O maldito do dinheiro separa famílias não em nome de uma nova forma de ver o mundo, de novos valores de libertação, mas em nome da sobrevivência que ainda assim, permanece humilhante e indigna.
E enquanto isso, do alto da miséria humana que controla o mundo, permanece a proliferação da ideologia de que agora, não existem mais fronteiras, de que o mundo é livre para que circulemos por ele em busca das melhores oportunidades. Enquanto nas rodoviárias, só se vê sonhos ludibriados e fronteiras cada vez mais claras e impostas. Segregados não apenas pela origem de seus rostos e costumes, mas essencialmente, pela miséria que grita em todo o seu ser.

1.2.07

Ausência

(Itamar Assumpção e Ademir Assunção)

Bem que você podia
Pintar na sala
Da minha tarde vazia
Como a poesia

31.1.07

Para a esquerda e para frente.

Muita vontade de escrever mais. Mas o mais de um sempre quer dizer menos de outro, portanto nesses dias, fiquei ocupada com a vida pratica e nao pude escrever. Agora que ja voltei a trabalhar, tenho tempo porque sou muito boa em parecer ocupadissima quando estou escrevendo no blog aqui da sala dos professores. Pena que o teclado esta desconfigurado. Outra hora, escrevia em um teclado que nao tinha nossos acentos. E com muita pressa. Agora sem pressa porque tenho horas para cumprir, mas ainda sem acento. Ou seja, de volta a vidinha.
Queria escrever tanta coisa sobre Buenos Aires, gostei tanto de la, da forma como os padroes do que e a dignidade humana parecem melhores. Da relacao entre a populacao e os espacos e servicos publicos que, mesmo tambem deficientes em diversos aspectos, estao anos luz a frente de Sao Paulo, a capital do caos. O fato e que apesar de inumeros episodios que merecem ser lembrados aqui, o que mais tem ocupadao minha cabeca e a porra do Estado, do tal do governo, aquele la longe, abstrato e protegido em Brasilia. Realmente era muito impressionante para alguem que nao conhece a capital do seu proprio pais, lembrar diversas vezes durante o dia que o poder constituido estava ali, na minha frente ou a 15 minutos dali.
- Nossa, que linda a sede do Ministerio da Cultura.
- Deve ser porque e a sede do Ministerio e nao da Secretaria da Provincia.
- Puts, e mesmo.... e a nossa fica onde (pergunta em um teclado desconfigurado)
- Em Brasilia, ne. Ou seja, no meio do nada com lugar nenhum.
- E a necessidade de integrar o territorio, a nacao. (pode ser ou nao uma pergunta, fica ao gosto do leitor)
- Sei....
Alem da questao geopolitica, depois de passar duas semanas ao lado de um anarquista ortodoxo, que no meio de uma pizzaria me acusou de bolchevique, encontramos amigos recem chegados de mais um classico reduto de turismo politico. A bolha socialista perdida no turismo predador (existe outro tipo? aha, achei o ponto de interrogacao...progressos), ou seja, a Cuba do comandante Fidel.
- Porra, um puta Estado autoritario, sem noticias porque todo dia e alguma data memoravel dos tempos do inicio da Revolucao, mas que garante os direitos basicos do cidadao... No que isso difere do Estado do bem estar social?
- Na solidariedade e espirito de coletividade das pessoas.
Me emocionei um pouco quando ouvi isso.
E aqui? E no resto da America Latina? Onde a dobradinha assistencia e repressao nao existem, onde ficamos apenas no campo da porrada generalizada, com uma populacao que so ve o Estado como pulicia? Fiquei pensando que essa ideia de superar o Estado, de destrui-lo, e discussao para europeu e bons leitores da literatura anarquista. Como destruir o que nao existe para a maior parte da populacao?
- Poxa rapaz, voce sumiu, tava de role? (pergunta para um colombiano que depois de tentar me chutar no comercio ilicito do hostel, acabou virando um bom colega).
- Que nada. Estava internado. Fui picado no Brasil, fiquei com essa ferida que ficou feia porque os outros medicos me disseram que nao era nada. Ai o medico daqui raspou e fiquei tomando injecoes que precisavam de acompanhamento. E quer saber? Nao paguei nada no hospital. E sou estrangeiro. Se fosse na Colombia estava perdido porque me custaria x (nao lembro quanto) e nao tenho esse dinheiro. Se fosse estrangeiro, pior, ai e que estava ferrado mesmo.
O fato e que o atendimento nao foi gratuito. Foi publico. E isso a maior parte da populacao nao consegue conceber porque simplesmente nunca foi criado de fato. No caso do Brasil, o mais perto que chegamos da construcao de um Estado, foi a ditadura varguista. Depois, foi somente o desmonte liberal de uma tentativa timida e tosca do pacto conservador que buscava a anulacao das constradicoes de classes. E so isso.
Voltei pensando muito no quanto as politicas publicas sao importantes para que a ideia de ser assistido como retorno pelos impostos pagos faca sentido. Para que as pessoas sintam falta do atendimento publico quando ele piora. Para que briguem e se ofendam quando o onibus esta lotado, ou quando nao vem. Para que as escolas de qualidade possam por fim ser pensadas como um direito de todos, e nao apenas como um sistema paliativo para os pobres, como referencia do que e ruim para que aumentem as matriculas e os pais infelizes se matando de trabalhar e se privar para pagar a rede particular.
Enfim, para que uma hora possamos entender e enraizar em nossa cultura politica a ideia de cidadao, e todos os direitos basicos incutidos em tal conceito ainda tao vago para todos.
Precisamos ainda aprender que somos pessoas, e nao restos incapazes de um sistema falido, no qual aqueles que nao podem pagar pelos servicos privados ruins sao colocados como meros fracassados.
E para tanto, e preciso mostrar para esse poder que paira sobre nossas cabecas, que a demanda existe e esta mobilizada. Alias, nao esta, mas precisa estar. Nao se trata de eleger o cara que vai criar este Estado. Mas de fortalecer a populacao que vai bater de frente com essa estrutura amorfa. Antes disso, discutir se devemos ou nao ter um Estado e pura abstracao teorica que so faz sentido para nossas conversas, que apesar de muito qualificadas e essenciais para pensarmos nossas praticas locais e pessoais, eu, falando exclusivamente por mim e de minha pessoa, acho que definitivamente nao dialogam nem com a nossa realidade, nem com o atual momento historico do nosso pais e de alguns vizinhos bem interessantes.

17.1.07

Buenos Aires por favor!!!!

Estou tentando atualizar isso aqui mas está bem dificil.Ainternet aqui do hostel ena faixa, mas sempre tem fila como agora. Tambem, basicamente já aconteceu de tudo. A viagem deveria durar 36 horas e durou 40 e algumas, com direito a onibus empurrado pelos passageiros e duas trocas de carro. Ah, e claro que sempre tem um imbecil que faz literalmente merda no banheiro acabando com a vida e o humor de todos os outro passageiros. Um casal portenho teve surtos de nacionalismo quando viu a entrada da cidade: Este es mi pais! Buenos Aires por favor!!!
Bom nao contente, tudo lindo, divertidissimo com espanhol de sotaque italiano, os companheiros sao os melhores do mundo. Mas resolvemos adentrar o mundo da burguesia portenha e ai fudeu. Como em todo lugar de gente escrota, aquilo nao era para nós. Pela primeira vez na minha vida, eu que apesar de algumas atividades ilicitas nunca tinha tomado um enquadro da policia, vim me batizar em Buenos Aires. Ridiculamente m um plaza. Bolsa revirada e documento na mao do pulicia. Bosta. Raiva. E o pior e que foi algum morador escroto que fez a denuncia de estavamos fumando um. E eles obviamnete vieram pra cima de nosso amigo Tim (um dos 3 negros que vi em toda a cidade, sendo que um outro deles tambem era brasileiro) , quando quem tinha la droga, era um boy branco que morava nas redondezas do higienopolis daqui. Vai America Latina!!!!!
Bom, alem do que, o hostel é lotado de gringos (inclusive nós), sendo que em sua maioria, ou sao uns hippies que passam a vida tentando passar a perna nos amiguinhos do lugar, ou fazem a funcao do trafico (mais especificamente os colombianos) e uns europeus que vem para cá porque é barato, tem mujeres lindas e acessíveis e tambem porque.... é barato mesmo. Estao pouco se fudendo para a America Latina querem mais que isso aqui continue na merda, para que eles possam continuar trabalhando 6 meses e viajando 1 ano para um lugar exótico onde nao correm o risco de morrer de tédio. Os noruegueses e suecos amam isso aqui! E os portenhos amam os gringos e vendem todo o seu artesanato em milhoes de feiras que demonstram como é lindo e criativo o subdesenvolvimento.
Bom, o pessoal da fila já está espumando aqui do lado. Mas só para nao parecer que sou muito, muito ranzinza..... Viva o Maradona!!!!