Ontem, depois de um dia um pouco infernal, tive uma noite em Piedade sem bebida, regada a coca-cola e pouco assunto. Com uma dor de cabeca que nao da para saber de onde vem (eu que nunca tenho nada, so dor de cabeca de ressaca e olhe la). Percebi que a bebida me encanta e ludibria os olhos (ava!). Ta, eu sei que essa e a ideia quando se bebe. Mas me incomodou perceber que em determinados espacos, so me divirto com ela, nao com as pessoas. E a cerveja que me deixa feliz, nao o mundo. Voltei para casa cedo. Triste. Querendo algo mais do que encher a cara e beijar alguem no fim da noite. Voltei careta que so vendo...
Alias, voltei achando que quero que meu lado ebrio seja despertado por outros sentidos. Pelo toque. Pela convivencia e encantamento. Por conversas que terminam na cama. Pelo amor por esse mundo torto.
E Olhe que minha alegria e bem besta.
Hoje por exemplo, so de saber que o ACM morreu, me deu um surto incrivel de esperanca e bem estar. Um Vamo ai!
Eu estava e acordei ainda com dor e um pouco triste. Mas no dia em que se comemora a morte de um escroto master plus hara-hara, tem de se reviver a esperanca. E agora, que morra tambem o Carlismo maldito!
Mesmo com a melancolia de quem sonhou o que queria acordada. Vou tomar meu cafe e ver o sol.
O dia, a certeza de que os filhas da puta tambem sao mortais, e eu, merecemos.
Diretamente de um sabadao com um computador sem acentuacao
21.7.07
19.7.07
Podia né...
Dias lindos e azuis. Uma das melhores companhias que conheço. Cachaça e carne de porco. Finos cheirosos que satisfazem. A vida podia ser assim...
Conversando com um alguém que mexeu com meu coração, ele diz que a vida podia ser uma casinha alugada em Minas Gerais, com uma horta e uns pezinhos de maconha. Só de construir a imagem na minha cabeça, meus olhos marejaram. Eu disse que era uma linda utopia. Ele me diz que não é utopia. Eu digo que é, porque quero para todo mundo.
A vida podia mesmo ser assim. Tranquila. Com pessoas se respeitando e se tratando bem. Sem dizer não quando querem dizer sim. Nem dizendo sim quando querem dizer não. Nem magoando ninguém.
Voltando, tudo volta a simplesmente ser. De coração apertado por ter negado algo a alguém, mesmo sabendo não se tratar de sacanagem. Lembrei que tenho dificuldade em colocar minha vontade acima da dos outros, mesmo que seja justo. Lembrei que tenho que treinar isso para sobreviver aqui. Lembrei que a cidade é dura e com salário no fim do mês.
E ninguém me esperava....
E sinto saudades do alguém para quem não contei que, na minha imagem, na que eu construi, na casinha alugada em Minas Gerais, enquanto eu fazia um cigarrinho colhido do pé, era ele quem regava a horta....
Conversando com um alguém que mexeu com meu coração, ele diz que a vida podia ser uma casinha alugada em Minas Gerais, com uma horta e uns pezinhos de maconha. Só de construir a imagem na minha cabeça, meus olhos marejaram. Eu disse que era uma linda utopia. Ele me diz que não é utopia. Eu digo que é, porque quero para todo mundo.
A vida podia mesmo ser assim. Tranquila. Com pessoas se respeitando e se tratando bem. Sem dizer não quando querem dizer sim. Nem dizendo sim quando querem dizer não. Nem magoando ninguém.
Voltando, tudo volta a simplesmente ser. De coração apertado por ter negado algo a alguém, mesmo sabendo não se tratar de sacanagem. Lembrei que tenho dificuldade em colocar minha vontade acima da dos outros, mesmo que seja justo. Lembrei que tenho que treinar isso para sobreviver aqui. Lembrei que a cidade é dura e com salário no fim do mês.
E ninguém me esperava....
E sinto saudades do alguém para quem não contei que, na minha imagem, na que eu construi, na casinha alugada em Minas Gerais, enquanto eu fazia um cigarrinho colhido do pé, era ele quem regava a horta....
4.7.07
“Não há bem que sempre dure, nem há mal que não se acabe”
Talvez o grande consolo - e também por vezes, a grande tristeza - é saber que as coisas passam. Ou ainda, ter a plena sensação de que tudo, no fim das contas, não passa de uma versão criada a partir da forma em que estamos inseridos na situação, da nossa realidade particular. Como quando estamos tomadas por uma fúria que não se explica, uma raiva cega que só permite que o todo seja avaliado a partir de uma violência tão forte, que chutar o balde parece uma solução inevitável, a única possível. Mas a fúria passa. A cabeça acalma, e a versão pode já não ser a mesma. Me conto a história de outra forma. Penso em outras possibilidades. Já não estou tão certa de que aquilo exigia tamanha reação. Cai a diabinha ensandecida, e, como um fim de TPM, meu mar se acalma, já dá para novamente prestar atenção no horizonte. Esses picos de raiva, me deixam a sensação de que determinadas explosões me encurtam a visão. Sabe aquela famosa do Manuel Bandeira?
“ Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
Talvez o grande consolo - e também por vezes, a grande tristeza - é saber que as coisas passam. Ou ainda, ter a plena sensação de que tudo, no fim das contas, não passa de uma versão criada a partir da forma em que estamos inseridos na situação, da nossa realidade particular. Como quando estamos tomadas por uma fúria que não se explica, uma raiva cega que só permite que o todo seja avaliado a partir de uma violência tão forte, que chutar o balde parece uma solução inevitável, a única possível. Mas a fúria passa. A cabeça acalma, e a versão pode já não ser a mesma. Me conto a história de outra forma. Penso em outras possibilidades. Já não estou tão certa de que aquilo exigia tamanha reação. Cai a diabinha ensandecida, e, como um fim de TPM, meu mar se acalma, já dá para novamente prestar atenção no horizonte. Esses picos de raiva, me deixam a sensação de que determinadas explosões me encurtam a visão. Sabe aquela famosa do Manuel Bandeira?
“ Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
- O que eu vejo é o beco.”
Mas quando clareia, e se volta a enxergar além do beco, cumpre-se o ciclo da esperança. Depois de uma fase ruim, sempre vem uma boa, assim como depois de uma boa, sempre vem uma ruim. Ando gostando de pensar a vida em ciclos. E ainda, nós mulheres somos biologicamente organizadas de forma cíclica, nunca estamos da mesma forma durante todo o mês.
Mas e se um dia a fase ruim for tão grande, a ponto de não passar? Não se superar, de forma a parecer que o ciclo se quebrou e que agora, a vida é linear, rumo ao pior. Ela tem direção em linha reta. Em determinado momento, o beco será definitivo. Não haverá mais saída, não existe para onde correr. Acabou.
Nisso, me pega especular sobre como decidir viver é uma decisão filosófica. Se decidir pelo sim é constatar que existe algo que faz sentido em meio a todo o resto que não faz, enxergar algum encanto, ser atraído por coisas que fazem todas as outras valerem. E com isso, ter a certeza de que, daqui a pouco, tudo vai ficar mais calmo, e que suspirarei aliviada pensando que agora aquilo não é mais o meu presente, agora é uma experiência como tantas outras. Ou seja, o tempo se realiza. Não existe eternidade em nada. Assim sempre se pode ser diferente. Por pior que seja, não se trata do cenário do inferno em que passaremos a eternidade, mas de apenas um momento. É bem verdade que condicionará os próximos, mas ele, em si, é único.
E numa manhã fria, meio gripada e meio sozinha, salve o tempo. Já que só ele possui a proeza de transformar o amargo em aprendizagem, e o doce em substrato da existência, e de dar esperança para o daqui a pouco.
Mas quando clareia, e se volta a enxergar além do beco, cumpre-se o ciclo da esperança. Depois de uma fase ruim, sempre vem uma boa, assim como depois de uma boa, sempre vem uma ruim. Ando gostando de pensar a vida em ciclos. E ainda, nós mulheres somos biologicamente organizadas de forma cíclica, nunca estamos da mesma forma durante todo o mês.
Mas e se um dia a fase ruim for tão grande, a ponto de não passar? Não se superar, de forma a parecer que o ciclo se quebrou e que agora, a vida é linear, rumo ao pior. Ela tem direção em linha reta. Em determinado momento, o beco será definitivo. Não haverá mais saída, não existe para onde correr. Acabou.
Nisso, me pega especular sobre como decidir viver é uma decisão filosófica. Se decidir pelo sim é constatar que existe algo que faz sentido em meio a todo o resto que não faz, enxergar algum encanto, ser atraído por coisas que fazem todas as outras valerem. E com isso, ter a certeza de que, daqui a pouco, tudo vai ficar mais calmo, e que suspirarei aliviada pensando que agora aquilo não é mais o meu presente, agora é uma experiência como tantas outras. Ou seja, o tempo se realiza. Não existe eternidade em nada. Assim sempre se pode ser diferente. Por pior que seja, não se trata do cenário do inferno em que passaremos a eternidade, mas de apenas um momento. É bem verdade que condicionará os próximos, mas ele, em si, é único.
E numa manhã fria, meio gripada e meio sozinha, salve o tempo. Já que só ele possui a proeza de transformar o amargo em aprendizagem, e o doce em substrato da existência, e de dar esperança para o daqui a pouco.
2.7.07
Para o tempo. Para a vida em ciclos que consola com a certeza de que tudo passa. Para a esperança de que tudo é construído e, portanto, pode mudar. Para a vida que se manisfesta em mim e que por vezes me assusta. Para aquela que sou e para aquela que ainda serei....
Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa
12.6.07
29.5.07
“Vai cuidar da sua vida, diz o dito popular. Quem cuida da vida alheia da sua não pode cuidar.”
Tomando meu café esfumaçado pela manhã fria de segunda-feira, assistindo um dos meus companheiros de vida e moradia se apressar para tomar o ônibus, mesmo ainda faltando uma hora e meia para sua aula começar, me veio pensar sobre o que significa a vida alheia em um lugar tão carente de tudo. Onde os direitos, na prática, são quase nada, o capitalismo é tosco e pouco desenvolvido com mão-de-obra saindo pelo ladrão, o estado é praticamente absolutista para a maioria da população já que parou ainda no âmbito da repressão, e a moral ainda está longe de ser liberalizante. Ou seja, falta muita coisa e sobram tantas outras merdas, como senhoras católicas e fofoqueiras. Nesse espaço, cuidar do outro está muito distante de práticas que visem atender e contemplar dignamente a todos. O bem público, realiza-se como bem privado, no sentido de propriedade. Assim, cuidar do outro se restringe ao campo da moral. Significa zelar para que todos cumpram as leis criadas e impostas para a maioria com o intuito de manter o bem estar da minoria.
Tomando meu café esfumaçado pela manhã fria de segunda-feira, assistindo um dos meus companheiros de vida e moradia se apressar para tomar o ônibus, mesmo ainda faltando uma hora e meia para sua aula começar, me veio pensar sobre o que significa a vida alheia em um lugar tão carente de tudo. Onde os direitos, na prática, são quase nada, o capitalismo é tosco e pouco desenvolvido com mão-de-obra saindo pelo ladrão, o estado é praticamente absolutista para a maioria da população já que parou ainda no âmbito da repressão, e a moral ainda está longe de ser liberalizante. Ou seja, falta muita coisa e sobram tantas outras merdas, como senhoras católicas e fofoqueiras. Nesse espaço, cuidar do outro está muito distante de práticas que visem atender e contemplar dignamente a todos. O bem público, realiza-se como bem privado, no sentido de propriedade. Assim, cuidar do outro se restringe ao campo da moral. Significa zelar para que todos cumpram as leis criadas e impostas para a maioria com o intuito de manter o bem estar da minoria.
Essa minoria, no entanto, na tentativa de justificar a absurdez de sua própria alocação no mundo, se presta a cuidar do outro, quando se presta, seguindo preceitos de um darwismo social arcaico: Nós classes superiores e desenvolvidas, temos que zelar pelos menos evoluídos, principalmente na base moral, porque dessa forma, esses bárbaros chegaram a retidão que precisam para alcançar o progresso material.” E dá-lhe chá de senhores batistas para pensar o próximo evento beneficente. E mais um Rotary Club para que os homens não se sintam de fora da graça de deus que lhes abençoa diariamente para que sejam o que são.
Enquanto ouvia a música, a questão que me vinha era: Por que nesse mundo, cuidar da vida alheia é ruim? O mundo também é o que é por conta da construção do super sujeito egoísta e centrado no seu mundo, pessoas que não enxergam o outro, que se centram na vida orientados apenas pela realização do eu. Mas eu já vivi muito no interior, entendo exatamente qual é o problema colocado por Geraldo Filme. Na grande Piedade, com todos os seus aproximadamente 70.000 habitantes, sendo a maioria moradores da zona rural, eu costumo dizer que o lema é “Cuide da vida de alguém, porque da sua alguém esta cuidando.” O teor negativo desse “cuidar” vem justamente do fato de que o conceito se realiza na moral. A consciência do cuidar público não existe, como em todos os outros lugares.
Nessa separação criada entre a moral e a vida material, em que uma instância mantém o desarranjo da outra, logo, logo assistiremos, de forma ainda mais acirrada o debate em torno da legalização do aborto. Qual é o argumento para o não? Moral. Qual o argumento para o sim? O direito do indivíduo de realizar seus próprios princípios e possuir respaldo do estado, para que a liberdade não continue sendo um privilégio dos que podem pagar pelo citotec e pelas clínicas clandestinas (e veja bem que o termo clandestino não necessariamente remete ao imaginário do mal feito).
Enquanto ouvia a música, a questão que me vinha era: Por que nesse mundo, cuidar da vida alheia é ruim? O mundo também é o que é por conta da construção do super sujeito egoísta e centrado no seu mundo, pessoas que não enxergam o outro, que se centram na vida orientados apenas pela realização do eu. Mas eu já vivi muito no interior, entendo exatamente qual é o problema colocado por Geraldo Filme. Na grande Piedade, com todos os seus aproximadamente 70.000 habitantes, sendo a maioria moradores da zona rural, eu costumo dizer que o lema é “Cuide da vida de alguém, porque da sua alguém esta cuidando.” O teor negativo desse “cuidar” vem justamente do fato de que o conceito se realiza na moral. A consciência do cuidar público não existe, como em todos os outros lugares.
Nessa separação criada entre a moral e a vida material, em que uma instância mantém o desarranjo da outra, logo, logo assistiremos, de forma ainda mais acirrada o debate em torno da legalização do aborto. Qual é o argumento para o não? Moral. Qual o argumento para o sim? O direito do indivíduo de realizar seus próprios princípios e possuir respaldo do estado, para que a liberdade não continue sendo um privilégio dos que podem pagar pelo citotec e pelas clínicas clandestinas (e veja bem que o termo clandestino não necessariamente remete ao imaginário do mal feito).
Então a minha grande pergunta é, por que não? O que, dentro dessa lógica, vai interferir na vida daqueles que, pessoalmente, individualmente, por questões morais ou religiosas, são contra? Quando me perguntam se eu faria um aborto, mesmo que assistido dignamente, digo sinceramente que não sei, porque nunca passei pela situação de forma concreta. Mas então por que o defendo? Exatamente porque não posso decidir isso pelo “alheio”, não sei quais são as necessidades desse indivíduo. E que o fato de existir a possibilidade legal e estruturada, definitivamente não me obriga a fazê-lo. Ou seja, cuidemos do que serve para todos, e o que esse todo vai fazer com isso, não me interessa. Dessa forma, me importa a vida alheia no que me cabe, na compaixão e na luta para que tudo seja para todos, na realização efetiva de direitos. Quanto a moral, combato a hegemônica burra porque me afeta, porque todo o resto é agredido por ela. Porque existem alheios e alheios, portanto, entre uma escrota ferida em sua fé cristã diante do direito de outra, e essa outra que só quer resolver uma questão que só lhe diz respeito (o que já não é pouca coisa), a minha próxima, com quem me identifico, obviamente é a segunda. E quanto a primeira, só cuido da moral da vida alheia, se for para que ela não interfira mais da forma negativa como o faz. Afinal, cada um com seus santos, desde que eu e minhas companheiras também possamos rezar pelos nossos....
22.5.07
Por que quando a gente já desistiu, já tá achando que a vida é assim mesmo, e que o melhor é se conformar, o telefone toca e a vida volta a ter um colorido capaz de fazer com que a gente dê risada até para o cachorro insuportável do vizinho?
E por que quando no meio desse encanto, passamos a esperar loucamente que o fenômeno capaz de causar tanto bem estar se repita... o telefone simplesmente fica mudo. E quando alguém te liga é do trabalho, ou alguma amiga passando pelo mesmo desespero?
Será que a Clarice tem razão? Será que o segredo é sempre estar distraída?
Mas então, não posso mais ficar com cara de boba quando o sorriso bonito do "alguém" me vier... Quando fica difícil ler romances porque você não consegue tirar o enredo literário da sua vida da cabeça, não posso perder tempo pensando e torcendo para que tudo seja lindo como outrora? Senão dá tudo errado?
Queria que algúém me ensinasse uma fórmula... A da Clarice eu não quero. Na verdade, eu não consigo.
Então a grande dança dos erros, das
palavras desacertadas (...). Tudo errou (...)
e quanto mais erravam, mais com
aspereza queriam, sem um sorriso.
Tudo só porque tinham prestado atenção,
só porque não estavam bastante distraídos.
Só porque, de súbito exigentes
e duros, quiseram ter o que já tinham.
Tudo porque quiseram dar um nome;
porque quiseram ser, eles que eram.
Foram então aprender que, não se
estando distraído, o telefone não toca,
e é preciso sair de casa para que a carta
chegue, e quando o telefone, finalmente,
toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos".
(Clarice Lispector)
E por que quando no meio desse encanto, passamos a esperar loucamente que o fenômeno capaz de causar tanto bem estar se repita... o telefone simplesmente fica mudo. E quando alguém te liga é do trabalho, ou alguma amiga passando pelo mesmo desespero?
Será que a Clarice tem razão? Será que o segredo é sempre estar distraída?
Mas então, não posso mais ficar com cara de boba quando o sorriso bonito do "alguém" me vier... Quando fica difícil ler romances porque você não consegue tirar o enredo literário da sua vida da cabeça, não posso perder tempo pensando e torcendo para que tudo seja lindo como outrora? Senão dá tudo errado?
Queria que algúém me ensinasse uma fórmula... A da Clarice eu não quero. Na verdade, eu não consigo.
Então a grande dança dos erros, das
palavras desacertadas (...). Tudo errou (...)
e quanto mais erravam, mais com
aspereza queriam, sem um sorriso.
Tudo só porque tinham prestado atenção,
só porque não estavam bastante distraídos.
Só porque, de súbito exigentes
e duros, quiseram ter o que já tinham.
Tudo porque quiseram dar um nome;
porque quiseram ser, eles que eram.
Foram então aprender que, não se
estando distraído, o telefone não toca,
e é preciso sair de casa para que a carta
chegue, e quando o telefone, finalmente,
toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos".
(Clarice Lispector)
18.5.07
Intensidade...
Detesto a intensidade com que vejo as coisas. Tenho dormido pouco, pensado muito e resolvido quase nada. Tenho mais me angustiado do que vivido....
Aí me pergunto se precisa...
Aí leio algo assim:
O mesmo,parece,se passa com a angústia do amor: ela é o temor de um luto que já ocorreu, desde a origem do amor, desde o momento em que fiquei encantado. Seria preciso que alguem pudesse me dizer: "Nao fique mais angustiado, voce já o perdeu." (Fragmentos de um discurso amoroso)
E quero pensar assim para sofrer menos. Ou passar o dia lendo Manuel Bandeira e ouvindo Itamar Assumpção para sofrer de um jeito mais bonito...
DESENCANTO
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
__ Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira
Apaixonite Aguda
Itamar Assumpção
Quando estou longe
Quero ficar perto
Quando estou perto
Quero ficar dentro
Quando estou dentro
Quero ficar mudo
Quando estou mudo
Quero dizer tudo
ps- E para aliviar um pouco, porque afinal de contas ,precisa sobrar tempo na vida para as coisinhas e o nóis (as belas pessoas que me cercam), acabei de abandonar um curso da licenciatura. A angústia melhorou... e agora posso dormir mais um pouquinho...
Aí me pergunto se precisa...
Aí leio algo assim:
O mesmo,parece,se passa com a angústia do amor: ela é o temor de um luto que já ocorreu, desde a origem do amor, desde o momento em que fiquei encantado. Seria preciso que alguem pudesse me dizer: "Nao fique mais angustiado, voce já o perdeu." (Fragmentos de um discurso amoroso)
E quero pensar assim para sofrer menos. Ou passar o dia lendo Manuel Bandeira e ouvindo Itamar Assumpção para sofrer de um jeito mais bonito...
DESENCANTO
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
__ Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira
Apaixonite Aguda
Itamar Assumpção
Quando estou longe
Quero ficar perto
Quando estou perto
Quero ficar dentro
Quando estou dentro
Quero ficar mudo
Quando estou mudo
Quero dizer tudo
ps- E para aliviar um pouco, porque afinal de contas ,precisa sobrar tempo na vida para as coisinhas e o nóis (as belas pessoas que me cercam), acabei de abandonar um curso da licenciatura. A angústia melhorou... e agora posso dormir mais um pouquinho...
11.5.07
Inspiração....
O meu analfabetismo digital não me permitiu colocar aí na teia o blog da companheirinha Aline. Faço aqui por enquanto (www.deuseumgatilho.blogspot.com) enquanto tento aprender com os amigos e leitores blogueiros (apesar de achar que dos seis fieis leitores, cinco, já conhecem). Digo isso agora porque o último lindo post, no melhor estilo viva a pankisse, trouxe um ar de adolescência que me tomou... me obrigou a lembrar. Lembrei do provocar por provocar... com pouca razão e retórica ruim.... mas um coração e um companheirismo enormes. Falo isso pelos amigos que fizeram parte dessa fase desgraçada que é o virar mulher, que é ter 14 anos e peitinhos aflorando junto com o seu ser, que busca autonomia e respostas. Ai que difícil. E como tudo doía de uma forma nova, intensa, como se a descoberta do mundo nos rasgasse, nos desse tapas na cara para ele ser percebido. Um dia após o outro, descobria preconceito, descobria homossexualismo, aprendia política, politicagem, sacanagem. Descobria o puteiro da cidade, o primeiro porre, a primeira transa, o amor, o desamor, a primeira traição, abandono.... tudo isso numa curto espaço de tempo, a ponto de parecer que tudo acontecia ao mesmo tempo agora. Uma temporalidade que hoje enxergo de uma forma tão intensa, que não sei como agüentava, como não explodia.
Como já disse outro dia aí, por aqui mesmo, a Casa da Cultura era o reduto de tudo. De coisas sérias às festinhas clandestinas graças ao privilégio de sempre ter um agente infiltrado trabalhando na secretaria e garantindo o livre acesso para ensaios e sextas-feiras tediosas no interior. Quanto aos ensaios, fizemos um espetáculo, acho que um dos primeiros com a formação que durou por tempos e que dura até hoje, mesmo que eles morem um pouco longe ... e que eu não suba num placo há anos. Não consigo mais me lembrar como se chamava (por favor amigos, algum de vocês lê isso aqui de vez em quando?), mas se tratava de adolescentes tortos privados de liberdade, numa espécie de Febem. Era tão ruim que hoje é engraçado. Quatro jovenzinhos transviados: eu uma puta com cara de criança, Paulo e Aline irmãos alucinados que se amavam sexualmente e eram assassinos, o Du, um moleque gay que matou o amante. Ah, esqueci, a puta matou seu cafetão. Texto caseiro e roupas de algodão cru com números no peito, meio irmãos metralha. Ensaios e mais ensaios para que os irmãos Paulo e Aline, gêmeos, conseguissem se agarrar e se beijar numa cena desesperada. Porra, beijar o Paulo na boca é foda..... sempre as risadas e um vamo de novo.... quase crianças com seus cigarrinhos em cima do palco. E um vinho quando o dinheiro dava.
Estréia. Público em polvorosa.... mães chocadas, um senhor que se retirou no meio indignado, moças de fama ímpar que vinham me aconselhar a não me expor tanto numa cidade tão pequena.... E a gente adorava! Essa era a graça. A gente ria, imitava os comentários, achou que o velho chato conservador sair foi um elogio, estávamos mesmo convincentes...
Gosto de pensar e lembrar dessas experiências porque sei o quanto elas foram fundamentais para me pensar, para lembrar o que sou, do gosto. A vida andou, as coisas e as cabeças mudaram. Mas a vontade de provocar, de fazer digníssimos senhores filhas da puta se retirarem, continua. E agora, depois de ter ficado cinco anos vendo gente fazer isso na Universidade, ainda melhorei a retórica....
ps- Lembrei, lembrei...se chamava “Depoimentos”... acho que eu já gostava de histórias contadas....
Como já disse outro dia aí, por aqui mesmo, a Casa da Cultura era o reduto de tudo. De coisas sérias às festinhas clandestinas graças ao privilégio de sempre ter um agente infiltrado trabalhando na secretaria e garantindo o livre acesso para ensaios e sextas-feiras tediosas no interior. Quanto aos ensaios, fizemos um espetáculo, acho que um dos primeiros com a formação que durou por tempos e que dura até hoje, mesmo que eles morem um pouco longe ... e que eu não suba num placo há anos. Não consigo mais me lembrar como se chamava (por favor amigos, algum de vocês lê isso aqui de vez em quando?), mas se tratava de adolescentes tortos privados de liberdade, numa espécie de Febem. Era tão ruim que hoje é engraçado. Quatro jovenzinhos transviados: eu uma puta com cara de criança, Paulo e Aline irmãos alucinados que se amavam sexualmente e eram assassinos, o Du, um moleque gay que matou o amante. Ah, esqueci, a puta matou seu cafetão. Texto caseiro e roupas de algodão cru com números no peito, meio irmãos metralha. Ensaios e mais ensaios para que os irmãos Paulo e Aline, gêmeos, conseguissem se agarrar e se beijar numa cena desesperada. Porra, beijar o Paulo na boca é foda..... sempre as risadas e um vamo de novo.... quase crianças com seus cigarrinhos em cima do palco. E um vinho quando o dinheiro dava.
Estréia. Público em polvorosa.... mães chocadas, um senhor que se retirou no meio indignado, moças de fama ímpar que vinham me aconselhar a não me expor tanto numa cidade tão pequena.... E a gente adorava! Essa era a graça. A gente ria, imitava os comentários, achou que o velho chato conservador sair foi um elogio, estávamos mesmo convincentes...
Gosto de pensar e lembrar dessas experiências porque sei o quanto elas foram fundamentais para me pensar, para lembrar o que sou, do gosto. A vida andou, as coisas e as cabeças mudaram. Mas a vontade de provocar, de fazer digníssimos senhores filhas da puta se retirarem, continua. E agora, depois de ter ficado cinco anos vendo gente fazer isso na Universidade, ainda melhorei a retórica....
ps- Lembrei, lembrei...se chamava “Depoimentos”... acho que eu já gostava de histórias contadas....
3.5.07
Contar os anos....
A idade nunca me pressionou muito. Sempre gostei da minha idade. Com exceção de um episódio da infância, em que me lembro que esbravejei e disse: Quando eu já tiver assim (mostrando uma mão aberta) mais assim (mostrando a outra mão), ninguém mais vai mandar em mim.
Todo mundo riu. E hoje eu rio quando penso que algum dia, já fui ingênua a ponto de achar que algum dia seria livre... e mais, que seria livre aos 10 anos.
Agora já fiz 25 e surpresa!!!! A minha liberdade é poder comprar como o meu dinheiro, que eu ganho com o meu trabalho, um Renew da Avon que atenua as marcas da idade. E mais, posso até chegar em casa a qualquer horário,tenho contas de verdade para pagar, posso me estragar, me drogar...uhuhuhuh...sou adulta!
Muito bem, além de adulta, a partir de agora estou mais próxima dos 30 do que dos 20. Agora ninguém mais vai me dizer: -Nossa.... tão novinha e já assim... morando sozinha e trabalhando...que belezinha.
Agora, a manicure me olha e diz: Nossa, 25? Não parece.... mas dá uma olhada no catálogo....
E me dizem para usar filtro solar.
E me dizem que tem fé, porque um dia eu vou casar.
E o mundo continua não me dizendo nada. A não ser que o plano de saúde é mais caro. E que não posso mais me indignar, porque isso não é coisa de gente grande.
Mas o pior mesmo, é pensar que cada ano a mais na minha vida, é um ano a mais que tudo continua tudo na mesma.Tudo caótico. Com a diferença que agora eu li mais e sei dar mais nomes as coisas.
E eu que aos 14 achava que aos 20 anos estaria mais ou menos tudo bem, que mais ou menos eu estaria um pouco mais resolvida, que bem ou mal veria a revolução antes de morrer.
Agora, não acho nem que algum dia estarei mais ou menos resolvida, nem que verei a revoluçao....
Aliás, do jeito que as coisas vão, tenho medo do que estarei escrevendo nos próximos 25 anos...
Más notícias amiga, más notícias....
Todo mundo riu. E hoje eu rio quando penso que algum dia, já fui ingênua a ponto de achar que algum dia seria livre... e mais, que seria livre aos 10 anos.
Agora já fiz 25 e surpresa!!!! A minha liberdade é poder comprar como o meu dinheiro, que eu ganho com o meu trabalho, um Renew da Avon que atenua as marcas da idade. E mais, posso até chegar em casa a qualquer horário,tenho contas de verdade para pagar, posso me estragar, me drogar...uhuhuhuh...sou adulta!
Muito bem, além de adulta, a partir de agora estou mais próxima dos 30 do que dos 20. Agora ninguém mais vai me dizer: -Nossa.... tão novinha e já assim... morando sozinha e trabalhando...que belezinha.
Agora, a manicure me olha e diz: Nossa, 25? Não parece.... mas dá uma olhada no catálogo....
E me dizem para usar filtro solar.
E me dizem que tem fé, porque um dia eu vou casar.
E o mundo continua não me dizendo nada. A não ser que o plano de saúde é mais caro. E que não posso mais me indignar, porque isso não é coisa de gente grande.
Mas o pior mesmo, é pensar que cada ano a mais na minha vida, é um ano a mais que tudo continua tudo na mesma.Tudo caótico. Com a diferença que agora eu li mais e sei dar mais nomes as coisas.
E eu que aos 14 achava que aos 20 anos estaria mais ou menos tudo bem, que mais ou menos eu estaria um pouco mais resolvida, que bem ou mal veria a revolução antes de morrer.
Agora, não acho nem que algum dia estarei mais ou menos resolvida, nem que verei a revoluçao....
Aliás, do jeito que as coisas vão, tenho medo do que estarei escrevendo nos próximos 25 anos...
Más notícias amiga, más notícias....
23.4.07
ai ai ai....
Por mais que eu me esforce, e que hoje seja dia de São Jorge, ando bem chata... talvez cansada de minha própria cabeça norteada por apenas dois temas há dias....
Amor,e o individualismo que fomenta o mundo como está.
Um falta, o outro sobra.
Um me anima, me faz acreditar no humano.
O outro me faz pensar de um jeito fatalista, me traz perguntas...onde vamos parar? Pisando um na cabeça do outro? Esquecendo que existe a esfera pública, preocupando-se apenas com o EU, EU, EU...
E disso resulta fenômenos coletivos, absurdamente massificados, travestidos de "realização do indivíduo". Que realização? Do que estamos falando realmente?
Ou simplesmente, que merda é essa?
Grupos de executivos andando de bicicleta, afinal, o super-homem do capitalismo também é saudável.... Mulheres se tornando eficientes, executivas, e que ainda são lindas e resolvidas sexualmente... dado que a mulher moderna não precisa de ninguém, nem de homens, nem de crianças...apenas de sua empregada doméstica e seu analista. Sexo, ela também pode comprar, só precisa ficar um pouco mais velha e resolver suas crises morais.
Arght...raiva, vontade de riscar carros na rua, só para ver a extensão da individualidade paulistana de alguém profundamente ferida.
Ou de chutar a cabeça de algum escritor de auto-ajuda, daqueles que dizem: Vai lá campeão, tudo depende de você.
Ou incendiar a globo que mostra um pobre estudante carente do nordeste, mas que, muito esforçado, entrou na faculdade e hoje é modelo para muitos vagabundos fracassados....
Ou simplesmente, de ter um belo amor que me acolha e para quem um dia, sem pudor ou vergonha, eu possa dizer:
Preciso sim, e muito, de você.
Amor,e o individualismo que fomenta o mundo como está.
Um falta, o outro sobra.
Um me anima, me faz acreditar no humano.
O outro me faz pensar de um jeito fatalista, me traz perguntas...onde vamos parar? Pisando um na cabeça do outro? Esquecendo que existe a esfera pública, preocupando-se apenas com o EU, EU, EU...
E disso resulta fenômenos coletivos, absurdamente massificados, travestidos de "realização do indivíduo". Que realização? Do que estamos falando realmente?
Ou simplesmente, que merda é essa?
Grupos de executivos andando de bicicleta, afinal, o super-homem do capitalismo também é saudável.... Mulheres se tornando eficientes, executivas, e que ainda são lindas e resolvidas sexualmente... dado que a mulher moderna não precisa de ninguém, nem de homens, nem de crianças...apenas de sua empregada doméstica e seu analista. Sexo, ela também pode comprar, só precisa ficar um pouco mais velha e resolver suas crises morais.
Arght...raiva, vontade de riscar carros na rua, só para ver a extensão da individualidade paulistana de alguém profundamente ferida.
Ou de chutar a cabeça de algum escritor de auto-ajuda, daqueles que dizem: Vai lá campeão, tudo depende de você.
Ou incendiar a globo que mostra um pobre estudante carente do nordeste, mas que, muito esforçado, entrou na faculdade e hoje é modelo para muitos vagabundos fracassados....
Ou simplesmente, de ter um belo amor que me acolha e para quem um dia, sem pudor ou vergonha, eu possa dizer:
Preciso sim, e muito, de você.
17.4.07
Reforma agrária quando? Daqui a pouco...




Em meio aos fatos e loucuras em que me enfiei, e a visível fase "eu" desses escritos virtuais, ou seja, quando a cabeça parece que vai dar um nó, eis que o mundo me lembra que ele é muito mais e maior do que minha única, porém banal existência. Mais uma ocupação de terras. Mais pessoas lutando pela vida digna. Mais esperança de que um dia, as coisas podem ser diferentes.
E enquanto o mundo não muda, enquanto o óbvio, o sensato continua sendo a exceção, resta-nos esses pontos de boniteza e luta espalhados por aí, propagados pelo MST e por tantos outros movimentos que combatem a loucura de uma lógica que privilegia a propriedade e não as pessoas. Pessoas que como eu, tem suas vidas, seus universos, suas crises e suas decepções. E que também como eu, tem suas alegrias, amores e expectativas.
Triste viver em um mundo onde constantemente, temos que lembrar, a todos, que todos nós simplesmente SOMOS.
16.4.07
Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
C.D.A
"Quem por esta vida, passou em branca nuvem e em plácido repouso adormeceu. Quem não sentiu o frio da desgraça. Quem passou pela vida e não sofreu. Foi espectro de homem, não foi homem. Só passou pela vida, não a viveu."
(Francisco Otaviano)
E uma minha....
Dos amores dessa vida, ficam as lembranças, os sabores, os calos mais grossos e uma ou outra referência bibliográfica...
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
C.D.A
"Quem por esta vida, passou em branca nuvem e em plácido repouso adormeceu. Quem não sentiu o frio da desgraça. Quem passou pela vida e não sofreu. Foi espectro de homem, não foi homem. Só passou pela vida, não a viveu."
(Francisco Otaviano)
E uma minha....
Dos amores dessa vida, ficam as lembranças, os sabores, os calos mais grossos e uma ou outra referência bibliográfica...
12.4.07
Eu X Cidade
Eu queria falar mais sobre o amor, contar sobre os livros que estou lendo, falar mais ainda de amor, ser malvada com a ilustre academia e mais especificamente com o Departamento de puxa-sacos históricos (deveriam ser historiadores?), ver mais meus amigos... contar para um casal muito bonito e que foram os melhores vizinhos de rua e de companheirismo nos perrengues da vida, que eu sinto muita falta do café prolongado e filosófico de todo dia, queria falar da vida, queria falar do ponto de ônibus, queria postar minhas angústias e retratar, em poucas linhas, como é bom uma paixão para deixar tudo isso aqui menos feio. Queria também contar das peripécias dos meus gatinhos lindos que agora já são adolescentes e comemoraram 1 aninho de preta e linda existência. Queria tentar discutir a imensa loucura que é uma grande favela de lona preta criada em Itapecerica da Serra, para quê existe? Mas então, não deveria existir? Não sei... tantas dúvidas, tantas coisas, tantas postagens que passam pela cabeça e eu não escrevo.....
Mas agora não dá, virei a louquinha que corre o dia todo, que faz 30 coisas ao mesmo tempo e que ainda gosta de tomar uma para esquecer que se esqueceu dela mesma....
Agora não dá...virei a cidade, tenho o ritmo da cidade, a cidade me engoliu....
Pois bem, a partir de agora portanto, vou brigar com ela. Talvez eu não ganhe a guerra agora. Mas estou preparando a terra arrasada, para que da próxima vez, ela, quando me invadir, não encontre nada que possa lhe corresponder na frieza de sua existência. Eu não serei mais como ela.
E ela, quando chegar, desapontada, irá perceber que não há mais nada a fazer ali. Que eu fui embora. Que fugi para a tranquilidade. E se sentirá usada, como eu me sinto agora. E eu, estarei do outro lado, dando risada de sua decadência.
Hoje ela me engoliu. Eu deixei. Eu quis.
Amanhã, se tudo der certo, eu dou o troco.
Mas agora não dá, virei a louquinha que corre o dia todo, que faz 30 coisas ao mesmo tempo e que ainda gosta de tomar uma para esquecer que se esqueceu dela mesma....
Agora não dá...virei a cidade, tenho o ritmo da cidade, a cidade me engoliu....
Pois bem, a partir de agora portanto, vou brigar com ela. Talvez eu não ganhe a guerra agora. Mas estou preparando a terra arrasada, para que da próxima vez, ela, quando me invadir, não encontre nada que possa lhe corresponder na frieza de sua existência. Eu não serei mais como ela.
E ela, quando chegar, desapontada, irá perceber que não há mais nada a fazer ali. Que eu fui embora. Que fugi para a tranquilidade. E se sentirá usada, como eu me sinto agora. E eu, estarei do outro lado, dando risada de sua decadência.
Hoje ela me engoliu. Eu deixei. Eu quis.
Amanhã, se tudo der certo, eu dou o troco.
5.4.07

E parece tão normal, que só me lembro que não é tão simples como todo amorzinho nascendo, porque você diz de repente: Preciso ir.
Não, não precisa.
Precisa. Eu sei que precisa. E sei por que precisa.
E você não diz que, em alguma hora, por algum desatino, não precisará mais.
Aliás, você não diz nada.
Só diz: Linda...
Eu só rio. Os três pontinhos do final do teu chamado não pedem complemento.
Pedem beijo.
Mas também não vá tão longe.
Não me ligue assim tão rápido. Estou brigando para não derreter o gelo.
E não quero te esperar ligar.
Quero sempre a surpresa, já que o imprevisto improviso é a beleza disso tudo
Já que dividiremos sempre a cerveja e a cama de vez em quando
O meu dia
O meu acordar
Continuará só meu
Até onde eu aguentar
Até onde você conseguir
Até onde nosso desejo chegar
Ou apenas, até onde ainda valer a pena.
Não, não precisa.
Precisa. Eu sei que precisa. E sei por que precisa.
E você não diz que, em alguma hora, por algum desatino, não precisará mais.
Aliás, você não diz nada.
Só diz: Linda...
Eu só rio. Os três pontinhos do final do teu chamado não pedem complemento.
Pedem beijo.
Mas também não vá tão longe.
Não me ligue assim tão rápido. Estou brigando para não derreter o gelo.
E não quero te esperar ligar.
Quero sempre a surpresa, já que o imprevisto improviso é a beleza disso tudo
Já que dividiremos sempre a cerveja e a cama de vez em quando
O meu dia
O meu acordar
Continuará só meu
Até onde eu aguentar
Até onde você conseguir
Até onde nosso desejo chegar
Ou apenas, até onde ainda valer a pena.
27.3.07
Fosse fácil....
Um dia a gente acaba constatando que é assim.
Assim como?
Assim, desse jeito meio esquisita, meio torta, meio alegre, meio triste
E percebe que perdeu mais tempo tentando ser meio certa, do que aproveitando o meio de fianco.
E entende que ama desse jeito. E que assim como não adianta ficar brava porque esqueceu o cigarro ao lado do café, porque não terminou de ler a tempo o que deveria, porque deliciosamente ficou de pernas pro ar e não lavou roupa.
Também não precisa emburrar por dias e esvaziar mais garrafas
tentando rir
Vai é acabar chorando e andando.
Como num consolo, é bom saber que se é assim.
Que gosta de pagode, e Cartola, por favor, prefiro em casa.
que choro muito em filme,
falar sobre ele, só ser for necessário,
ou a companhia muito boa
Que moço bonito demais, geralmente sabe que é bonito demais
e que sua vida foi mais fácil por conta disso
Então não gosto.
Que café é bom mesmo sem açúcar. Isso aprendi.
Principalmente de ressaca, que por vezes, pode não ser tão ruim, mas um importante momento pra se pensar na eterna luta eu e o mundo
E gosto de muita farinha no feijão,
molhado, prefiro beijos
e amo o que não é perfeito, nem se esforça pra ser
e que tem, do alto da soberba, aquela pedância orgulhosa que só o que é dito
feio pode ter.
Pra você? Só se eu quiser.
E acabei de perceber/saber que esqueci a chave no portão.....
Assim como?
Assim, desse jeito meio esquisita, meio torta, meio alegre, meio triste
E percebe que perdeu mais tempo tentando ser meio certa, do que aproveitando o meio de fianco.
E entende que ama desse jeito. E que assim como não adianta ficar brava porque esqueceu o cigarro ao lado do café, porque não terminou de ler a tempo o que deveria, porque deliciosamente ficou de pernas pro ar e não lavou roupa.
Também não precisa emburrar por dias e esvaziar mais garrafas
tentando rir
Vai é acabar chorando e andando.
Como num consolo, é bom saber que se é assim.
Que gosta de pagode, e Cartola, por favor, prefiro em casa.
que choro muito em filme,
falar sobre ele, só ser for necessário,
ou a companhia muito boa
Que moço bonito demais, geralmente sabe que é bonito demais
e que sua vida foi mais fácil por conta disso
Então não gosto.
Que café é bom mesmo sem açúcar. Isso aprendi.
Principalmente de ressaca, que por vezes, pode não ser tão ruim, mas um importante momento pra se pensar na eterna luta eu e o mundo
E gosto de muita farinha no feijão,
molhado, prefiro beijos
e amo o que não é perfeito, nem se esforça pra ser
e que tem, do alto da soberba, aquela pedância orgulhosa que só o que é dito
feio pode ter.
Pra você? Só se eu quiser.
E acabei de perceber/saber que esqueci a chave no portão.....
25.3.07
Domingo no meu mundo
Coisa estranha essa de caminhar pela vida. Estranho essa de se ver, de se olhar, e perceber-se alheia e descolada de todo o contexto a sua volta. Os historiadores, aliás, adoram essa palavra: contexto. Teoricamente, dialogamos com o "onde" estamos inseridas. Pode ser um lugar, pode ser uma situação com pressupostos x, pode ser uma situação o com pressupostos y, enfim, tudo varia de acordo com os elementos que se confrontam naquele momento. Quase um jogo matemático. Probabilidade.
Pode ser que eu deteste alguma coisa, mas naquele momento harahara de harmonia e encontro dos astros, aquilo pareça / seja bom, não é isso?
Não se o lugar for a Vila Madalena. Ela é devastadoramente desesperante. Ela reúne o que há de pior e melhor no mesmo espaço . E eu? Por que eu estou ali? O que me aproxima desse lugar, dessas pessoas,o que nesse cenário específico, permite que eu faça parte da alegoria? Por que eu sou aceita, enquanto tantos não são ? Por que eu posso, o que em mim me aproxima da calhordice dessa casta? Da massificação e padronização travestida de diferente? Na Vila, diferente é ser igual. Quanto mais diferente mais igual. Quanto mais se luta pela diferenciação, individualização e exclusividade do indivíduo, mais esses se assemelham a um grande rebanho colorido....
Eles? E eu? Não estava lá?
Estava. Enchi a cara. Dei risada. Fiquei absurdada. Detestei tudo. Mas adorei a música e o músico. Pedimos o resgate. Fomos para casa. Eu e Raquel. Com uma leve ressaca moral dos surtos de espontaneidade insuflada pelo álcool. Mas tudo bem. Ele não vai ligar mesmo. Ele é de lá, estava perfeitamente encaixado.
Mas e eu? Por que eu insistia em me achar diferente? Por que eu não estava? Por que eu achava que não fazia parte do mundo dos ursinhos carinhosos e coloridos que ouvem samba?
Delícia tomar café. Dar risada de ontem. Saber que falou demais. Ressaca, tonteira.
E então, a frase cabalística que me situou. A frase com a qual me sentia em casa. Alocada. Que me libertou do meu desconhecimento e sensação de flutuar e não fazer parte do mundo. De algum lado. E de algum mundo....
- Meu filho não vai estudar em nenhuma escola que tenha QUALQUER projeto pedagógico.
Sai de lá e flutuei. Mas agora de contente. Contente por ser essa, e não aquela, a minha gente.
Pode ser que eu deteste alguma coisa, mas naquele momento harahara de harmonia e encontro dos astros, aquilo pareça / seja bom, não é isso?
Não se o lugar for a Vila Madalena. Ela é devastadoramente desesperante. Ela reúne o que há de pior e melhor no mesmo espaço . E eu? Por que eu estou ali? O que me aproxima desse lugar, dessas pessoas,o que nesse cenário específico, permite que eu faça parte da alegoria? Por que eu sou aceita, enquanto tantos não são ? Por que eu posso, o que em mim me aproxima da calhordice dessa casta? Da massificação e padronização travestida de diferente? Na Vila, diferente é ser igual. Quanto mais diferente mais igual. Quanto mais se luta pela diferenciação, individualização e exclusividade do indivíduo, mais esses se assemelham a um grande rebanho colorido....
Eles? E eu? Não estava lá?
Estava. Enchi a cara. Dei risada. Fiquei absurdada. Detestei tudo. Mas adorei a música e o músico. Pedimos o resgate. Fomos para casa. Eu e Raquel. Com uma leve ressaca moral dos surtos de espontaneidade insuflada pelo álcool. Mas tudo bem. Ele não vai ligar mesmo. Ele é de lá, estava perfeitamente encaixado.
Mas e eu? Por que eu insistia em me achar diferente? Por que eu não estava? Por que eu achava que não fazia parte do mundo dos ursinhos carinhosos e coloridos que ouvem samba?
Delícia tomar café. Dar risada de ontem. Saber que falou demais. Ressaca, tonteira.
E então, a frase cabalística que me situou. A frase com a qual me sentia em casa. Alocada. Que me libertou do meu desconhecimento e sensação de flutuar e não fazer parte do mundo. De algum lado. E de algum mundo....
- Meu filho não vai estudar em nenhuma escola que tenha QUALQUER projeto pedagógico.
Sai de lá e flutuei. Mas agora de contente. Contente por ser essa, e não aquela, a minha gente.
19.3.07
Sessão nostalgia
Pois é... fui obrigada a ler uma biografia inteira do camarada Renato Russo. De quebra acabei mexendo de novo naqueles cd´s do fundo da armário que a gente só guarda pensando que, no caso de ter filhos, é um documento importante da sua adolescência para mostrar para eles. Lembrei porque eu gostava tanto do cara. Era o mais próximo do romântico confuso com pitadas políticas que eu conhecia. Gostava mesmo. Ouvindo os discos, constatei que ainda sei a maioria das letras de cor. Eu era uma adolescente deprimida que gostava de fossa. O Renato também era uma adolescente deprimido... só que com 22 anos a mais do que eu.
Petróleo do Futuro
Legião Urbana
Ah, se eu soubesse lhe dizer o que eu sonhei ontem à noite
Você ia querer me dizer tudo sobre o seu sonho também
E o que é que eu tenho a ver com isso?
Ah, se eu soubesse lhe dizer o que eu vi ontem à noite
Você ia querer ver, mas não ia acreditar
E o que é que eu tenho a ver com isso?
Filósofos suicidas
Agricultores famintos
Desaparecendo
Embaixo dos arquivos
Ah, se eu soubesse lhe dizer qual é a sua tribo
Também saberia qual é a minha, mas você também não sabe
E o que é que eu tenho a ver com isso?
Ah, se eu soubesse lhe dizer o que fazer pra todo mundo ficar junto
Todo mundo já estava há muito tempo
E o que é que eu tenho a ver com isso?
Sou brasileiro errado
Vivendo em separado
Contando os vencidos
De todos os lados
Petróleo do Futuro
Legião Urbana
Ah, se eu soubesse lhe dizer o que eu sonhei ontem à noite
Você ia querer me dizer tudo sobre o seu sonho também
E o que é que eu tenho a ver com isso?
Ah, se eu soubesse lhe dizer o que eu vi ontem à noite
Você ia querer ver, mas não ia acreditar
E o que é que eu tenho a ver com isso?
Filósofos suicidas
Agricultores famintos
Desaparecendo
Embaixo dos arquivos
Ah, se eu soubesse lhe dizer qual é a sua tribo
Também saberia qual é a minha, mas você também não sabe
E o que é que eu tenho a ver com isso?
Ah, se eu soubesse lhe dizer o que fazer pra todo mundo ficar junto
Todo mundo já estava há muito tempo
E o que é que eu tenho a ver com isso?
Sou brasileiro errado
Vivendo em separado
Contando os vencidos
De todos os lados
2.3.07
Embriaguem-se
É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vega, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão:
“É hora de embriagar-se”! Para “não serem os escravos martirizados do tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso” Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Charles Baudelaire
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