18.1.08

Minuto de sabedoria persa

Brincadeiras bestas... Abrir aleatoriamente um livro de sabedorias. Hoje não foi o Bandeira, mas os pensamentos de Omar Khayyam...

Nenhum poder sobre o destino
Te foi dado, sabes
Que adianta a ansiedade em que ficas
Pela incerteza do amanhã?

Então, se és um sábio, procura
Tirar do momento presente
O maior proveito possível.
O futuro o que te trará?

Rubaiyat

Salve, salve...
E depois a gente vê.

16.1.08

O sol voltou....



Os Pingo Da Chuva
- Os Novos Baianos

Quando o céu estiver preto e das nuvens até as sombras assombram. (bis)

É só o reflexo do que está acontecendo. Só está faltando fósforo. Me dê aí!

Não esqueça que nesse momento o vento sacode as árvores e o clima que fica e o ar agitado.

Dizendo tudo o que pode acontecer. Não escureça nem esquente a cabeça. Eu sei que você tem argumentos de querer.

O sol pra pegar sua praia, pra bater sua bola. E a lua pra ver sua mina, ou só pra ir ali na esquina.

Sem rima, sem rima!

Faça como eu que vou como estou, porque só o que pode acontecer...

É os pingo da chuva me molha, é os pingo da chuva me molha!
É os pingo da chuva me molha, é os pingo da chuva me molha!


15.1.08


Será que o amor é sempre um fardo? Bonito, mas sempre um fardo?
Fiquei um tempo olhando a imagem, enlouquecendo sozinha e pensando que talvez , mais fácil mesmo é assumir a solidão.
Só então olhei direito, e pude reparar que atrás do fardo, existe uma mão que ajuda a moça do primeiro plano a carregar o peso que paira sob suas costas.
Pensei então que o amor deveria ser isso: O companheirismo que deixa a vida menos pesada e dolorida.

14.1.08

Vivendo em um caixote

Impressionante como a noção de espaço foi completamente moldada pela necessidade de que muita gente more no mesmo lugar, nas rebarbas do capital, seguindo seu caminho e ritmo. Os escravos sempre acompanham...E essa doidera toda de capitalismo tosco tardio e meia boca, deixa os subdesenvolvidos a cada dia mais perdidos, fazendo mais e mais pataguadas querendo ser modernos. Enfim, coisas sem pé nem cabeça, arquitetura esquisita, e um bando de capiras morando em caixinhas empilhadas. Tipo eu na fase 1 do estágio: Como morar em apartamento.

Sinceramente, e é bem feio admitir, mas com relação a espaço, tenho um raciocínio em favor do senso aristocrático. Ora, na minha terra, o poder ainda tem relação territorial e não apenas virtual e financeiro. Gente rica mora em casas grandes com enormes quintais e pronto. Fiquei realmente espantada quando entrei em um apartamento super harahara (segundo os daqui), 1 por andar e traus. Achei pequeno. Não entendi a graça de ter dinheiro aqui, se não se pode ter uma casa gigante, isolada, piscina, escravos servindo suas mínimas vontades por todos os lados. Não é assim?
Pois bem, os ricos do dito capitalismo emergente são medíocres como todo burguês emergente. Acham o máximo morar em um apartamento no Morumbi, por exemplo. E a classe média é infeliz pra caralho tentando seguir o padrão de vida... Hoje em dia, as pessoas senso-comum-zé povinho arregalam os olhos de pavor quando te ouvem dizer que sua moradia é uma casa.
Enfim, mas aqui no estágio de apartamento, rolaram algumas engraçadas. Com a cqs e agora sem ela.
Cena 1
Eu chego. Uma lata de cerveja na mão, outras algumas na sacola. Esqueci de novo o número do apartamento. O porteiro me diz que é o 43. Quando estou entrando, ele, o porteiro protestante me intercepta:
-Olha mocinha, vou ter que pedir para você terminar essa cerveja lá fora. Não pode entrar bebendo coisas alcólicas no prédio.
Eu, como um olhar de vítima e ar de inocente, bebendo na rua em uma terça-feira lá pelas duas da tarde.
-Mas eu acabei de abrir. Está cheia, gelada.
Um porteiro protestante é incapaz de se sensibilizar com esse tipo de apelo.
-Mas não pode. A senhora termina e sobe.
-Mas daí as outras esquentam, é para a minha amiga... Olha, e se eu colocar aqui no cantinho da sacola, de pé apoiada nas outras, aberta mas escondidinha, tudo bem?
-Tuuuddooo bem.
-Certo.
A essa altura eu já estava rindo na cara do sujeito. Vai bater?

E outra hoje. Cena 2.
Esperando a Sandra, moça da faxina. Acordei mais cedo com medo de não escutar o interfone. Ele toca.
- Oi, é a Sandra, abre para mim.
-Claro, pode deixar.
Desligo, vou até a porta. Viro a chave.
Ela toca de novo.
-Então, você pode abrir para mim?
-Mas está aberta...
Ela desiste, desliga e em poucos minutos está na porta do ap., levemente inconformada.
-Viu, eu estava lá fora, era para abrir o portão porque estava sem porteiro. Fiquei um tempo lá, daí um velhinho abriu e eu entrei.
- Puts, desculpa Sandra, eu não estou acostumada com interfone.

Me senti uma anta de chapéu, claro. É isso aí. Logo, logo, mais uma caipira em um apartamento se atrapalhando. Aprender vá lá. Achar que é assim mesmo já é um pouco demais.

13.1.08

Moças e camas de casal

Domingo me parece um bom dia para devanear sobre besteiras absolutamente especulativas e sem nenhuma comprovação científica. Aproveito então para formalizar minha teoria baseada em observações de pouco alcance e no famigerado método noffs, ou seja, análises e generalizações baseadas em mim mesma. Acho que o título pode ser: " Moças sem marido com uma cama de casal. Uma faceta da mulher pós-moderna". Puts, acho que com um título desse ou algo assim, eu posso escrever qualquer merda dentro porque já venderia horrores na Livraria Cultura ou da Vila, por exemplo.

Poderia começar...

"Acordei e percebi que estava atravessada em posição diagonal sobre a minha cama, como há tempos não fazia. Naquele momento, percebi o espaço vazio que a pouco estava ocupado, e fiquei pensando o que significava aquela possibilidade, criada por mim e pelo meu tempo, de poder ocupar ou não um espaço que de qualquer forma é meu. Não me foi me dado por ninguém, muito menos por uma sombra de família e casamento que normalmente habita os quartos da sagrada e convencionada sociedade católica. Naquele quarto havia uma cama que sugeria um casal, mas que abrigava uma moça, e apenas eventualmente, um moço."



Eu me divertiria horrores. Mal saberiam os leitores da profundidade daquele momento, da cama antes ocupada e agora vazia: Fazia muitos e muitos dias que eu havia lavado uma quantidade astronômica de roupas que, depois de secas e recolhidas, passaram a habitar a metade da minha cama. Voltei a ter uma cama de solteira por puro esculacho. Mas isso foi em 2007, outra vida... Voltar a ter uma cama de casal foi o primeiro projeto já realizado em 2008.

Bom, penso que as moças sem marido e com uma cama de casal, constituem um grupo dentro do universo de mulheres diretamente beneficiado pela expansão do mercado de trabalho feminino mais ou menos qualificado e destinado ao nosso meio, a tal da classe média. Pagando suas contas, esse grupo conseguiu admitir que mulheres possuem sexualidade independente do fato de serem ou não casadas. Combatem o valor moral agregado ao tamanho da cama. Por exemplo um absurdo chamado cama de viúva, que não é nem estreita como a de solteiro e nem larga como a de casal. Ou seja, eu sei que você não é mais uma mocinha que sonha com seu amado em lençóis brancos do seu quarto que ainda preserva o ar infantil, mas também não venha me dar uma de putana e colocar um macho aí. E se colocar, tem que ser apertado, desconfortável já para não dormir. Ou alguém já viu uma cama de viúvo?

Não somos mais aquelas mocinhas que moram com os pais e ficam ansiosas para que o namorado possa, um dia desses, levá-las ao motel, a única possibilidade de transar tranquilamente, inclusive com o raro luxo de ter uma cama. E no caso de mulheres que já dividiram a cama, mas voltaram para seus latifúndios, este não representa apenas a marca de que ali já houve um casamento, nem passa a ser a cama de um dos filhos (obviamente não nos casos em que não existe outro lugar para um dos pequenos dormir, diga-se de passagem, o mais comum), e sim a cama de uma mulher que tem todo o direito de colocar seus namorados, quantos sua moralidade permitir e seu desejo chegar.

Claro que nem tudo são flores. Moças sem marido com uma cama de casal por vezes, acabam ficando um pouco egoístas e espaçosas. Um dos sintomas disso, é uma grande dificuldade em se adaptar à nova divisão do espaço propugnada obrigatoriamente por um relacionamento. Rola um inconformismo sincero quando se acorda com a cara na parede, observando os três palmos que lhe sobraram do seu latifúndio. Olha-se para o fulano ou fulana esparramado por todo o resto e só uma ternura profunda poderá ser o visto de permanência daquela pessoa que conseguiu se aboletar ali.

Entretanto a resistência para aí. Moças solteiras acostumadas com sua cama de casal também podem desacostumar, basta estarem dispostas ou não.No nosso entender a idéia de disposição, associa-se diretamente ao estar apaixonada. Entretanto, se vão querer dividir o espaço, saindo dessa forma da nossa categoria de estudo, não cabe às nossas especulações.

11.1.08

Sobrevivemos

Penso que todo mundo tem um pouco de sobrevivente da sua própria história. Nessa trajetória de acúmulos de experiências, ou seja, dores e alegrias, por mais que os momentos bons ou ruins passem, algo sempre fica com a gente. Vai nos moldando a existência e nossa forma de enxergar o mundo. O fato é que não é fácil para ninguém lidar com as próprias marcas, acho eu que, disso ninguém escapa.
O que vai sair disso, se pessoas ditas "normais" ou não, além de depender da referência do que é "normal", nem um caminho ou outro demonstra que se lidou bem com todas as informações e tragédias, seja do meio em que se nasceu, ou seja, a estrutura material e familiar, seja das escolhas proporcionadas por essa base que não foi por nós escolhida.
Portanto, parece que temos duas linhas que regem a vida: Uma que não escolhemos, que nos foi dado pela própria idéia de passar a existir em algum lugar e tempo. E outra linha regida por nós mesmos, por nossas escolhas, ainda que também profundamente condicionadas pelos pressupostos anteriores.
Bom, fiquei pensando nisso lendo "O Rio do meio" da moça que citei no post anterior. Tranquilo de verdade ninguém é. Mesmo aquele sujeito mais enquadrado, bestinha, que parece não ter cerébro a não ser um comprado em uma liquidação, também tem seus questionamentos e crises. Podem não ser as que considero mais profundas, mais isso é um critério meu, também criado a partir da minha vida.

Pois é, mas de verdade, apesar de saber que todos possuem um universo particular, me encantam os guerreiros. Acho que é porque tenho me sentido mais fraca do que de costume, mais suscetível, uma sobrevivente não tão digna, não tão esperta.
E admirando os guerreiros, tenho cada vez mais raiva de gente que anda com sua ferida exposta como se aquilo fosse o seu orgulho de existir e por isso, tivesse que ser desculpado por todos de todas as suas atitudes escrotas.
O sofrimento não é apenas o seu ser. É sua máscara. Sua justificativa para tudo.
Não sei se em todos os meios, mas tenho a impressão que no mundinho fflch, convivemos muito com gente louca para ser louca (citando a companheira Juju). Em geral são egoístas, acham que sua dor é maior do que a de todo mundo, são barriguinhas e desagrádáveis. Querem ser diferentes pelo sofrimento. E assim também se acham melhores. Pairam sobre uma humanidade, que consideram medíocre.
Por vezes também me sinto um pouco como esse tipo de gente. Mas penso nisso justamente porque não quero ser assim. A minha dor não pode me dar o direito de causar a dor no outro.
Me esforço. Tento não ser o que abomino. Aproveitar e aprender tudo o que der de situações quase surreais de tão absurdas e sem sentido.
A verdade é que desisti de entender.
Por hora, me contento em tentar não ser igual.

10.1.08

Convite

Lya Luft


Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.


E no meio das trapalhadas e desventuras da vida, cultivar os pequenos gostinhos de viver, torna-se quase um alívio frente a tantos desencontros. Encontrar outros tipos de encontro.

Dentre esses prazeres que deixam a vida menos árida, encontrar gente bacana que escreve bem é um dos que mais me contentam. Mais uma dos queridos amigos que mesmo longe estão perto. Mais uma para lembrar o quanto as pessoas são bonitas e podem nos acrescentar na existência. Assim, me contaram dessa moça de cabelos já branquinhos chamada Lya Luft, contista, poetisa, romancista e sobretudo mulher. E agora, tenho um lindo romance para me fazer companhia por mais uns dias.


9.1.08

Aptidão

Segundo o dicionário, ter aptidão é ter disposição natural ou adquirida sobre qualquer coisa. Portanto, aptidão natural pode ser aquilo que mesmo sem estar manifestado, já existe naquela pessoa que a possui. Na verdade, não sei se acredito que existem coisas naturalmente incutidas nos seres, como se fosse um dom. Mas se existe, acho que por mais que nos esforcemos, podemos aprender, adquirir determinadas aptidões, mas talvez nunca sejamos tão bom naquilo da forma como o "naturalmente" apto é.
Não sei mesmo se existe a aptidão natural. A palavra me incomoda. Naturalmente, entre seres humanos, me lembra darwinismo social. Mas achar que todos temos a mesma facilidade com tudo, é homogeneizar o ser humano, desprezar talentos.

Fiquei pensando nisso porque conheci uma pessoa que me encantou profundamente. O encanto me tomou justamente porque perto dela, eu parecia uma amadora, uma pessoa sem aptidão para amar o outro e que, por mais que eu me esforçasse, por mais que adquira a aptidão, nunca terei aquela tranquilidade e desenvoltura de quem sabe que nasceu para amar, que não poderia ser de outro jeito.

Ela ama como quem respira. Ela abraça, beija, fala de amor com a mesma facilidade e docilidade de qualquer tarefa muito simples e elementar. Eu a observo e me deslumbro. Tenho vontade de chorar na sua frente porque sei que ela me consolaria com a mesma aptidão, me colocaria no colo e aninharia meus cabelos. Ela perceberia na mesma hora que isso me acalma. E não preciso ensiná-la. Ela sabe.


Esse ser que sabe amar lê o que escrevo por cima do meu ombro. Diz que escrevo bem. Seus elogios são tão sinceros que coro. Ela diz que já me conhecia antes de me conhecer, por outros meios, mas que tudo o que sabia era nada perto do que eu sou. Mas eu, tenho tanta angústia, saudade, tristeza e álcool dentro de mim, que só sei olhar para ela feito uma boba. Não digo nada. Não aspiro nada naquele momento.
Só me vem uma dor, uma pontada no peito de me saber incompetente. De saber que estou longe de tudo o que ela sabe e não ter certeza se sou capaz de aprender.


"Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã."
C.D.A

3.1.08

Mais um ano...

Particularmente não gosto tanto assim de rituais de passagem. Nesse ano, quando chegou o dia 31, fiquei ouvindo todo mundo fazendo pedidos, falando que ano que vem tudo será diferente... Como acabo sendo sem querer aquele tipinho de gente que leva tudo ao pé da letra e não entende piada, esses comentários me soavam quase como ofensas ao bom senso.
Não, as coisas não vão ser diferentes, o mundo não vai mudar muito, e normalmente o que muda é pra pior. E provavelmente as coisas mais emocionantes do ano serão as eleições municipais.
Admito que estava rolando um mal humor. Comunidade caiçara que quer ser capitalista e não consegue, muita gente acampando, menstruação fora de hora em um lugar que vende apenas o básico do básico para a sobrevivência, tipo gelo e repelente... E tinha acabado o gelo.
Enfim, a chatice toda era por não entrar no clima de euforia que reinava na praia afastada, porém lotada. Fico sem graça, me sentindo meio estúpida pedindo coisas para o sobrenatural, até porque pensei, pensei e não consegui pensar em listinhas para Iemanjá. A paz mundial e o fim da fome me parece absurdo demais para uma entidade só...

Bom, no meio de tudo isso, um garoto se afogou na praia. Nunca tinha visto alguém morrendo na minha frente. Ainda mais um menino que não devia nem ter 20 anos, e de um jeito absolutamente do além, com o mar calmo e os amigos todos em volta. Mas ele sumiu e quando o acharam, o mar já tinha vencido.

Na hora das sete ondinhas, só pensava nas pessoas que o amavam. Ele já não me importava mais porque simplesmente não havia o que fazer. Mas naquela festa toda, eu tinha visto a cena que acabou com as expectativas de um ano feliz para uma mãe, um pai, uma namorada, e sei lá mais quem aquele menino podia ter na vida.

Bom, depois da bebedeira, da saudade imensa de algumas pessoas que me tomou no meio de toda a comoção de terminar a noite sentada na praia olhando para o mar, consegui finalmente pensar que tudo o que eu quero para esse ano, é não perder nenhuma das pessoas que eu amo e continuar a viver com elas, do jeito que todos nós somos.

O resto a gente ajeita. Só não se arruma o que o mar leva, ou no coração se parte. Enfim, só não tem mais jeito, se o amor não der... hehe

25.12.07

Lembrancas de Natal...

Meio que sem querer, vem sempre na cabeca...




papai noel velho batuta

garotos podres


Papai Noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero mata-lo
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Papai Noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero mata-lo
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Pobres
Pobres

Mas nos vamos sequestrá lo
E vamos mata-lo
Por que?

Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal

Por que?

Papai noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero mata-lo
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos

20.12.07

" - Como é que nunca viemos a esse lugar?
-É que não prestamos a devida atenção.
- Em nada.
- É verdade."

18.12.07

Para, pelo menos de vez em quando, lembrar de esquecer...

- Está tudo estranho...
- Não... Está tudo igual ao que sempre foi.
- É.

17.12.07

Sobre a melancolia...

"Quando eu penso em escrever, logo me vem algo ligado ao plano da melancolia. Então, pensei por um momento se isso seria vitimização. Se o culto a melancolia seria apenas fonte de inspiração íntima, ou se a melancolia é mesmo algo que me constitui. Afinal, o que é a melancolia senão uma brecha dentro de nós preenchida por um nada que de tão significativo não sabemos o real sentido. Eu não sou melancólico, eu acho. Mas eu trago a melancolia em mim. Dentro de algum lugar, tenho uma brecha preenchida por uma lava branca e inexplicável e que, volta e meia, emerge e me transborda. Na verdade, acho que todos temos. Mas o exercício de investigá-la, na tentativa de entender sobre ela o que representa em nós, ainda que saibamos nunca ser possível atingir tão complexo nível de auto-conhecimeto, nos faz um pouco tristes e maduros. Permitir-se à melancolia é saber reconhecer que ela existe, nos constitui, e é inevitável. A maturidade é pouco isso. Saber dosar parcelas saudáveis de dor sem que elas possam nos tomar por completo o tempo todo. É a busca por saber medir o quanto cada coisa pode e deve nos render de efeito. Mas a maturidade, ainda assim, não pode nos fazer absortos na racionalidade, e esse será mais um limite a ser administrado. Isso está ligado ao lance de que a maturidade não pode nos embrutecer diante dos fenômenos que nos cercam, pois, afinal, poucas são as verdades universais. O amor, por exemplo, é algo que maturidade alguma poderá suprir por completo. Ela poderá até criar um mecanismo de preenchimento sintético para aquela brecha, que temos, destinada ao amor, mas a artificialidade não suprirá a complexidade orgânica. E a falta da prática amorosa nos fará completamente melancólicos, e, logo, pouco maduros. Tenho amores tão grandiosos em mim. E eles ora me fazem mais melancólico, ora me distraem dela." P. Salvetti in: palavra do olhar.

Querido,,, O tempo passa e continuo me lendo em você.

Do cuidar e ser cuidada

"Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem com que homens se comunicam.)"
C.D.A

Às vezes, se passa tanto tempo sozinha, só cuidando da própria vida, que a gente esquece as delicadezas e cuidados com o outro. E como é bom recebê-las também. A gente se acostuma a grosseirice e solidão da existência de tal forma, que cuidado pode parecer uma invasão, um dedão metido na sua privacidade e individualidade.
Então um dia, alguém, depois de muito tempo, te faz um café, forte e amargo como a vida, só que dessa vez para dividir com um chocolate.
Linda vida... De só amarga e forte, para agora, meio amarga, meio doce...

Daí você se lembra... Meu Deus, há quanto tempo ninguém me faz um café...

De vez em quando minha mãe me acorda com um beijinho dizendo...
- Neguinha, acorda, vem tomar café com a mãe.
E reclama depois porque fez o café muito mais forte do que ela gosta, porque é como eu gosto. E diz que meu estômago não vai aguentar muito tempo e que tenho que parar de fumar. E me lembra que ela é minha mãe.
Não um companheiro.

Triste coisa essa de esquecer o carinho. De ficar tão chucra com tudo, de esquecer como se lida com as pessoas, a ponto de ficar com uma vontade enorme de só viver com cavalos. Triste ser ingrata e rude por inabilidade.
Triste chorar por não saber mais falar o que sente. Quando choro é recurso de linguagem.
Por nao conseguir agradecer o café e a companhia.
Por ter tanto medo do outro, pavor de se acostumar com o carinho e, quando perdê-lo, tudo ficar muito pior do que antes.

A ponto de, sinceramente,desejar a solidão, velha conhecida.

Acho que na verdade, eu não desaprendi nada.
Eu nunca soube a linguagem com que os homens se comunicam.


Apesar do esforço....

11.12.07

Primeiro dia em que me senti de férias... Normalmente, semanalmente, a terça- feira é um dia em que falo feito uma radialista louca no breve período entre 9 da manhã e 7 da noite. Saio rouca, mal humorada, não consigo ler... E quanto mais trabalho, mais dá vontade de beber no fim do dia. Nunca consigo ir para casa na terça - feira...
Hoje não... acordei tarde, tomei um café meio esfumaçado demorado, fui até a feira comprar peixe ( e voltei correndo... gosto, mas me atordoa), dormi um pouquinho, li um texto e depois me joguei em um romance que está há um tempo me olhando da prateleira.
"A Dor"- Marguerite Duras. Adoro romances de fundo histórico militante, e esse é biográfico. Principalmente aqueles da série que tem amores entre companheiros comunistas. Esse é outro. Sobre a resistência francesa.
No entanto, depois que a moça sofre metade do livro esperando a volta do seu companheiro preso em um campo de concentração, toda a agonia pós desocupação da França pelos exércitos nazistas, todo o desespero de não saber se o moço está vivo ou não... O que mais me impressionou, foi a segunda parte.
A mocinha quase fofa do começo, tortura violentamente um delator colaborador da Gestapo. Impressionante. Parece outra pessoa. Brava. Sem pena.Com ódio. Dura. Faz o que tem que ser feito e acabou.

Parei na última parte, quando ela começa a se relacionar com outro companheiro. Não consegui.

Não consegui parar de pensar se eu seria capaz de torturar alguém. Mesmo que esse alguém seja um filha da puta. Achava até agora a pouco que tinha uma listinha de pessoas que eu mataria com requintes de crueldade por questões pessoais e políticas sem pestanejar. Já não sei mais.

Se acho tão certo que algumas pessoas não merecem viver (e eu acho), então teoricamente, deveria também ser capaz de executar tal função, com os meios que precisar.
Mas hoje, pensei que nem com todo minha raiva acumulada, eu seria capaz de algo tão violento. Talvez fosse capaz de matar com arsênico, tiro na nuca ou coisa assim. Mas tortura é outra pegada.

Me senti covarde. Não é porque não temos agentes da Gestapo pelas ruas, que vivemos em um mundo muito melhor.
E se o caos chegar? E se eu precisasse pegar em uma arma? Ou pior: ter nas mãos alguém que sabe e precisa falar.
Por agora, tudo bobagem da minha cabecinha que vive um pouco no mundo de agora, um pouco no mundo da literatura .

Mas e se fosse uma guerrilha? Será que eu pediria para ficar só na ala da enfermagem?

2.12.07

Muito bem... Agora foi...
Corinthians na segundona... Justamente durante o jogo, muita gente a minha volta sofrendo e outros comemorando. Isso porque o Timão não admite meio termo, ele é meio como o Maluf. Ou se vota sempre, ou não se vota nem para síndico.
Enfim, vi até o Rubão, um puta negão gigante, chorandinho de canto. Bom, nessa, eu e um companheiro resolvemos criar algumas justificativas para aqueles chatos, principalmente são paulinos e palmeirenses que vão passar o ano enchendo o saco...

- Vai ser muito legal dar rolê pelo interior... Jogar contra times tradicionais e injustamente pouco reconhecidos como o Ipatinga, o Ponte Preta, o Ituano. Quer dizer, o Ituano não porque ele foi para a terceira.
- Se continuarmos assim, logo, logo, poderemos ir fazer um churrasco em Piedade e assistir o Corinthians jogar contra o glorioso Caveira dos Anjos.
- Primeira divisão é pra burguês que gosta de espetáculo. Legal é time de várzea, segundona... Tipo o grande "Bem Bolado" do Parque Edu Chaves...
- Os pais que torcem para times diferentes, tipo pai corinthiano e mãe santista, agora não precisam mais disputar: Torce para um de primeira divisão, e um de segunda, ué!
- A Globo não tem mais o público da Gaviões garantido. Se quiser, agora vai ter que transmitir de Marília.
- Os ingressos são mais baratos.
- O futebol da série B, por serem times considerados de menor importância, são menos visados pela máfia da Cartolagem.

E principalmente: Agora eu quero ver quem é quem. Na hora da merda é que dá pra ver quem é corinthiano mesmo.
Gostar do que está em alta é fácil... Quero ver ser leal nas dificuldades e fudidas. Esses geralmente são os momentos mais fortemente registrados na trajetória...
E como será que vamos lembrar disso?

29.11.07


Fui muito educada pela dor. Pelo menos é assim que minha memória coloca as coisas. Realmente nunca achei a alegria muito pedagógica. Nem nunca gostei muito de gente muito feliz. Achava-as medíocres. Como podiam parecer tão alegres em um mundo tão ruim? Será que só a minha vida era uma merda?
Minha alegrias momentâneas sempre foram os resultados da dor, seus produtos. Tentar ser artista quando ainda era jovem, escrever, ler, beber, ter relações confusas que acabavam em reencontros calorosos... Tudo muito. Tudo intenso. Não tinha medo não. Não tava nem vendo porque tudo valia a pena.

Sempre preferi a dor ao tédio. Sempre achei que podia ser mais forte do que ela porque a sensação de superação, deixava um ar de heroísmo. Era como se o tempo todo eu dissesse: Pode vir, mas vem com toda a força porque não é qualquer merdinha que me derruba. E não derrubava. Podia me jogar na lona por uns dias, mas dali a pouco, lá estava eu caçando confusão. Andando com gente errada. Brigando até as lágrimas. Provocando deuses e pessoas.

Mas acho que cansei. Não da tristeza, porque ela é minha e sempre vai ser. Nunca vou saber viver sem ela. Nunca vou ser alegre. Não seria eu, seria outra que faria outras coisas, de outra forma. Mas cansei de tentar ser maior do que ela. Depois de anos de árduas batalhas, perdi e não quero mais brincar. Quero que ela saiba que perdi e assim me deixe em paz, fique quieta, ali no cantinho dos que existem, mas nem sempre são lembrados.

Ontem ouvi uma voz da sapiência que me perguntou: Por que você se castiga?
E hoje li um texto de alguém que me faz muita falta que falava de medo. Medo da morte.
No fim, o medo explica muita coisa.
Sempre tive muito medo da morte em vida. Daquela morte lenta que se constrói todo dia. De ficar anestesiada, transparente no mundo, burocrata com a emoção.


Talvez a felicidade me passe essa idéia. De que estar feliz é estar morrendo para todo o resto. É acomodar-se e definhar no desejo satisfeito. Parar de buscar saídas, coisas novas, alegrias intensas momentâneas e que trazem a ressaca da dor que ensina.

Meu amor da pequena Londres... Como estou errada e cansada disso tudo. Como eu queria agora estar frágil, fraca e feliz no teu colo. Sem superar nada...

Queria só que nosso sal compartilhado, redimisse nossa tristeza e nos desse a mediocridade dos que riem feitos bobos para o mundo. Só isso. Besta assim.

23.11.07

Como a noite descesse...


Como a noite descesse e eu me sentisse só, só e desesperado diante dos horizontes que se fechavam
gritei alto, bem alto: ó doce e incorruptível Aurora! e vi logo
só as estrelas é que me entenderiam.

Era preciso esperar que o próprio passado desaparecesse,
ou então voltar à infância.
Onde, entretanto, quem me dissesse
ao coração trêmulo:
- É por aqui!

Onde, entretanto, quem me dissesse
ao espírito cego:
- Renasceste: liberta-te!

Se eu estava só, só e desesperado,
por que gritar tão alto?
Por que não dizer baixinho, como quem reza:
- Ó doce e incorruptível Aurora...

se só as estrelas é que me entenderiam?

Sobe
Emilio Moura

21.11.07

O Rio continua lindo...

Pois é... O Rio, além de lindo dá dessas... 500,00 paus e você sai limpo da delegacia, de onde você também ligou para pedir o resgate. Reprimir classe média (principalmente a alta) nos termos da lei não dá e não compensa: Se matar, o pai e mãe fazem passeata pela paz, pela redução da menoridade penal, a favor da pena de morte e o escambau.

Se levar para a delegacia, em meia hora tem um advogado, "dotô", que vai lá, humilha, faz um escarceu e solta o menino porque filho de pobre é viciado e ladrão, portanto tem que ir preso. Já filho de classe média e rica vai para a clínica de recuperação.

E nessa a galera, quer dizer, os puliça, resolvem aplicar sua própria punição que além de dar menos trabalho e dor de cabeça, ainda rende o complemento do orçamento. E desconfio que, em termos de "eficiência" pedagógica, até funcione melhor.
Cada um correndo como dá... Uns pagando pra não ter preocupação. Outros recebendo pelo mesmo motivo... E ainda ficando momentaneamente menos pobre ...
Até aqui nenhuma novidade... Mas é que escutar uma história assim, em primeira pessoa vivida e experimentada, num churrasco de amigos, sempre faz pensar de que lado que a gente tá mesmo no mundo... Goste ou não.
E quando ferver, não vai adiantar levantar bandeirinha de socialista não ....
O que é o que é??

Clara e salgada,
cabe em um olho e pesa uma tonelada,
tem sabor de mar,
pode ser discreta,
inquilina da dor,
morada predileta.,
na calada ela vem,
refém da vingança,
irmã do desespero,
rival da esperança,
pode ser causada por vermes e mundanas
ou pelo espinho da flor,
cruel que vc ama,
amante do drama,
vem pra minha cama,
por querer, sem me perguntar me fez sofrer,
e eu que me julguei forte,
e eu que me senti,
serei um fraco,
quando outras delas vir,
se o barato é louco e o processo é lento,
no momento,
deixa eu caminhar contra o vento,
do que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável,
o vento não, ele é suave, mas é frio e implacável,
(é quente) borrou a letra triste do poeta,
(só) correu no rosto pardo do profeta.
Verme sai da reta,
a lágrima de um homem vai cair,
esse é o seu B.O. pra eternidade,
diz que homem não chora,
ta bom, falou ou vai pra grupo irmão ai
Jesus chorou !

O post é repetido... como a minha vida.